Aviso: Esta lista foi feita através de pesquisa histórica em livros e revistas, e de vídeos na internet e na TV, já que não vi nenhum destes times em ação. O critério de escolha tem caráter extremamente subjetivo, então se seu time favorito não entrou na lista, não chore. No final da lista há 20 menções honrosas que foram cogitadas pra entrar na lista, e merecem ser citadas.
10 – A Primeira Academia do Palmeiras. (1960-67)
Um dos times mais vencedores do futebol brasileiro. Em 8 anos foram 3 títulos nacionais (2 Taças Brasil – 65 e 67 - e 1 Robertão- 67), 1 torneio Rio-SP (65) e 2 campeonatos paulistas (63 e 66), além de torneios internacionais, e isso em uma época que a concorrência era fortíssima, nada menos que o Santos de Pelé, o Botafogo de Mané Garrincha, e o Cruzeiro de Tostão.
Valdir era o goleiro, a defesa era formada por Servilio, Waldemar Carabina, Djalma Dias e Djalma Santos (eleito pela FIFA o melhor lateral-direito do século), seguidos pela excepcional dupla de meias Dudu e Ademir da Guia (os únicos a permanecerem na segunda academia), Julinho Botelho na ponta-direita e no ataque Chinesinho e mais tarde Tupãzinho. Como o apelido sugeria, o time dava aula de como jogar bola
9 – A Segunda Academia do Palmeiras. (1969-1974)
Depois de 1 ano de entressafra a academia se reinventou, agora com um time mais veloz e mais habilidoso. Conquistou praticamente os mesmos títulos que a primeira academia: 3 títulos nacionais (69, 72 e 73), 2 paulistas (72 e 74), além de torneios internacionais, porém o futebol desta geração era mais vistoso, e diferente da primeira academia que vivia à sombra do Santos, desta vez a hegemonia nacional pertencia aos palestrinos.
O goleiro era Leão, a defesa era formada pelos discretos Eurico e Alfredo, e pelos monumentais Zequinha e Luís Pereira. No meio foram mantidos Dudu e Ademir, com o acréscimo de Leivinha. No ataque Edu Bala, Nei e César Maluco. A academia continuava dando aula.
8 – Inter de Falcão. (1973-76)
O Internacional já era tetracampeão gaúcho em 1973, a já tinha um timaço respeitado em todo país. Mas foi em 73 que Paulo Roberto Falcão vestiu pela primeira vez a camisa do clube colorado, sendo ele a ultima peça que faltava para o clube formar o melhor time brasileiro da década de 70. Um time que fugia do estereótipo gaúcho de futebol-força, pois, apesar de marcar muito bem, a equipe tinha muito talento e brilho. Ganharam 4 campeonatos gaúchos (sendo octacampeões seguidos no período 1969-76) e o Bicampeonato brasileiro 75/76.
O time contava com o consagrado goleiro Manga no gol, a defesa era formada por Cláudio, Figueroa, Marinho Perez e Vacaria. No meio-de-campo sobrava talento com Falcão, Carpegiani, Lula e Valdomiro. No ataque, os habilidosos Flávio e Dário, e o matador Claudiomiro.
7 – Botafogo de Mané Garrincha. (1957-64)
O que dizer do time que foi a base das 2 primeiras seleções brasileiras campeãs do mundo? Foram 4 titulares em 58 e 6 titulares em 62.
Pelo clube da estrela solitária venceram 3 campeonatos cariocas (57,62 e 63) e 2 torneios Rio-SP (62 e 64). Poderiam ter sido mais títulos se não fosse a eterna e inexplicável falta de sorte nos momentos decisivos do time de General Severiano contra seus rivais cariocas, em especial, o Flamengo. Também ficou sem um titulo nacional, impedidos pelo Rei Pelé e pelos acadêmicos e eficientes palestrinos. Apesar disso o time marcou época pelo seu futebol ofensivo e habilidoso.
Manga era o goleiro, na zaga Paulistinha e Jadir, nas laterais Ríldo e Nilton Santos (eleito melhor lateral-esquerdo do século pela FIFA). No meio-de-campo Didi, Zagallo e o lendário Garrincha (que também faz parte da seleção do século da FIFA). No ataque Amarildo e Quarentinha.
6 – Palmeiras da Parmalat. (1993-94)
No final de 1974 tudo que o corinthiano mais queria era encerrar o jejum de títulos, que já durava 20 anos, vencendo o campeonato paulista em cima do maior rival, o Palmeiras. Mas o time de Ademir e Dudu não permitiu e levou o titulo pra casa, postergando por mais 3 anos o jejum que seria quebrado contra a Ponte Preta.
Em 1993 a situação havia se invertido. O Palmeiras estava a 16 anos na fila, e o Corinthians ansiava por vingança na final do Paulistão daquele ano. Mas os 4X0 em favor do time verde dizimaram o tabu, e deu aos palmeirenses o gostinho que os corinthianos não tiveram 20 anos antes. Ainda em 93, venceram o Rio-SP (de novo em cima do Corinthians) e o Campeonato Brasileiro. Em 1994 repetiram a dose, foram campeões paulista e brasileiro (mais uma vez contra o Corinthians). Como todo bom time brasileiro, este esbanjava habilidade e dribles desconcertantes, e só não ganhou mais títulos pois coexistiu com outro time mítico: o São Paulo de Telê Santana.
A equipe era formada por Velloso no gol, Cléber e Antonio Carlos na zaga, Mazinho e Roberto Carlos nas laterais, César Sampaio, Edílson e Rincón no meio, e Edmundo, Evair e Rivaldo no ataque. Uma verdadeira seleção.
5 – São Paulo de Telê. (1991-94)
Telê Santana foi um técnico brilhante, ganhou muitos títulos, fez grandes trabalhos no Grêmio, Fluminense, Atlético-MG, Palmeiras, entre muitos outros, mas no inicio da década de 90 tinha a injusta fama de pé frio devido às seleções brasileiras de 82 e 86, que ele brilhantemente montou, mas acabaram derrotadas. Foi justamente no São Paulo, seu ultimo clube antes de se retirar do futebol devido a uma isquemia cerebral, que o mestre eliminou de maneira categórica essa fama.
O São Paulo chamou Telê em 1990, que montou o time às pressas e conseguiu ser vice-campeão brasileiro já naquele ano. Teria sido um bom resultado se a derrota não tivesse sido para o arqui-rival Corinthians. A torcida pedia a cabeça do técnico, mas ele permaneceu. O começo de 91 não foi nada animador: 5 derrotas seguidas nos 5 primeiros jogos, incluindo 4X0 para outro rival, o Palmeiras, mas ainda assim a diretoria resolveu mante-lo. E não se arrependeu, em troca o mestre Telê ganhou todos os títulos possíveis e transformou o clube do Morumbi no maior detentor brasileiro de títulos internacionais. Ainda no inicio de 91, o time se recuperou e foi campeão paulista e depois brasileiro. Em 92 foi novamente campeão paulista e iniciou à saga internacional sãopaulina: Supercopa da Libertadores (93), Bicampeão da Libertadores (92/93), Bicampeão da Recopa (93/94) e Bicampeão do Mundo (92/93), o primeiro (e único) time brasileiro a ser bicampeão do mundo desde o Santos de Pelé. Em 94 ganhou a Copa Conmebol com o expressinho, mas perdeu o Tri da Libertadores em pleno Morumbi, nos pênaltis.
O time base era formado por Zetti no gol, Adílson e Ronaldo na zaga, Cafu e Leonardo nas laterais, Pintado, Dinho, Toninho Cerezo e Raí no meio-de-campo, e Palhinha e Müller no ataque. Técnico: Telê Santana, claro.
4 – O Expresso da Vitória - Vasco. (1944-52)
“Uma maquina de fazer gols”, essa talvez seja a melhor alcunha a ser dada a esta equipe, que com seu batalhão de excelentes avantes, se lançava freneticamente ao ataque, sempre tentando golear nos primeiros minutos. Os placares eram sempre elásticos, chegando a registrar 14X1 sobre o Canto do Rio, a maior goleada da Era profissional do futebol carioca. Foram tantas as vitorias de goleada que ganharam o apelido de Expresso da Vitoria. Levantaram o troféu de campeão carioca 5 vezes (45,47,49,50 e 52), mas a grande gloria deste time foi ter vencido o Campeonato Sul-Americano de Campeões (48), o primeiro torneio oficial entre clubes na América do Sul. Os troféus poderiam ter ainda mais freqüentes se o time tivesse uma defesa mais solida, característica que fez falta em alguns momentos decisivos.
Barbosa (titular do Brasil na Copa de 50) era o goleiro vascaíno. A defesa era formada pelo argentino Rafagnelli e Augusto da Costa. A linha media era composta por Ely, Danilo Alvim e Moacyr. Seu quinteto de ataque era Ademir de Menezes (artilheiro da Copa de 50), Friaça (também foi titular na Copa de 50), Lelé, Ipojucan e Tesourinha (titular na conquista do Sul-americano de seleções em 49), com uma curta passagem do lendário Heleno de Freitas em 48 (Nessa época o esquema tático mais comum era o 2-3-5).
3 – O Rolo Compressor – São Paulo. (1943-49)
Não, o melhor time do São Paulo na historia não é o de Telê Santana. O maior São Paulo de todos foi o dos anos 40, pois apesar de aquele ser praticamente uma seleção, este era efetivamente um combinado das seleções de Brasil, Argentina e Uruguai.
O time teve dois goleiros: na primeira fase foi King, titular da seleção uruguaia, na segunda fase foi Gijo (único do elenco a não ser titular em sua seleção). A defesa contava com Piolim (zagueiro titular do Brasil nos anos 40) e Renganesh (titular da seleção argentina nos anos 40). A linha média era formada pelos míticos Rui, Noronha e Bauer (jogaram juntos na conquista do Sul-Americano de 49 e na Copa de 50). No ataque Luizinho (titular do Brasil nas copas de 34 e 38), Sastre (titular da Argentina nas copas de 34 e 38), Remo (titular do Brasil nos anos 40), Teixeirinha (titular do Brasil nos anos 40), e o craque Leônidas da Silva, considerado o melhor jogador brasileiro antes da Era Pelé (jogou a Copa de 34, e foi o melhor jogador e artilheiro da Copa de 38). Lembrando mais uma vez que o esquema tático comum na época era 2-3-5.
O time era tão bom, que ganhou o apelido de Rolo Compressor porque raramente perdia. De 1943 até 1949, considerando só o campeonato paulista, o mais difícil da época, foram 142 jogos, 101 vitorias, 28 empates, 13 derrotas e 5 títulos paulistas conquistados (43,45,46,48 e 49), e isso numa época em que o rival Palmeiras, de Oberdan Cattani, era fortíssimo. Brigas internas, entre os jogadores, prejudicaram as campanhas nos campeonatos de 44 e 47, o que era natural que acontecesse num time de tantas estrelas.
Infelizmente, a inexistência de campeonatos nacionais e interestaduais impediu que os dois grandes times da década de 40, o Expresso da Vitoria e o Rolo Compressor, se enfrentassem em partidas importantes. Mas há alguns aspectos a se considerar: apesar de os ataques das duas equipes se equivalerem, a defesa e a linha média do tricolor eram consideravelmente melhores. Além disso, segundo o escritor e jornalista Roberto Sander, São Paulo e Vasco se encontraram, em amistosos e torneios extra-oficiais, 17 vezes durante a década de 40, foram 6 vitorias tricolores, 8 empates e 3 vitorias cruzmaltinas. Por isso São Paulo fica uma posição a frente do Vasco.
2 – Flamengo de Zico. (1980-83)
O Flamengo do inicio dos anos 80 pode ser definido como técnica em favor de um conjunto altamente competitivo. O time tinha habilidade, velocidade, fazia toques curtos e lançamentos longos, acima de tudo tinha brilho, e foi a base da fantástica seleção brasileira de 82.
Mas não era apenas um time que jogava bonito, com lances plásticos, passes perfeitos e gols maravilhosos. Era também um time muito eficiente, prova disso é que ganhou todos os títulos possíveis: Foram 3 Brasileiros (80,82 e 83), 1 Carioca (81), 1 Libertadores (81) e 1 Mundial (81).
A formação era: Raul Plassman no gol, Marinho e Mozer na zaga, Leandro e Júnior nas laterais, Andrade, Adílio e Zico no meio-de-campo, e Tita, Nunes e Lico no ataque.
1 – Santos de Pelé. (1960-69)
Um mito. Assim pode ser descrito o time, bem como seu principal jogador. Pelé, o melhor jogador da historia, único a ganhar 3 vezes a Copas do Mundo, e o único a fazer mais de 1.000 gols, comandava um time impiedoso que massacrava seus adversários e arrematava dezenas de títulos.
O time começou a se formar já em 1955, e alguns jogadores permaneceram até os anos 70, mas a formação principal ficou junta de 1960 até 1969, com algumas alterações. Nesse espaço de 10 anos, o Santos faturou nada menos que 8 Campeonatos Paulistas (60,61,63,64,65,67,68 e 69), 6 Campeonatos Brasileiros (5 Taças Brasil - 61,62,63,64 e 65 - e 1 Robertão - 68), 3 Rio-SP (63,64 e 66), 2 Libertadores (62 e 63) e 2 Mundiais(62 e 63). Isso sem contar os inúmeros torneios internacionais pelo mundo afora. Poderiam ter sido mais. Na época a Libertadores não contava com todo o prestigio que tem hoje, e pior, era deficitária, pois a renda era toda do mandante, ou seja, o Santos jogava na Bolívia (por exemplo), o estádio lotava, mas o dinheiro ficava com o time boliviano, quando o time boliviano jogava aqui ninguém dava bola e o santos não arrecadava. Durante os anos 60 o Santos se classificou pra Libertadores 7 vezes, em 3 ocasiões o clube abriu mão de jogá-la em favor de torneios internacionais pelo mundo, muito mais rentáveis. Outras 2 vezes jogou com o time reserva, priorizando o Paulistão. Nas únicas duas vezes que jogou com força máxima, saíram vencedores. Resta aos santistas lamentar.
Os Torneios Internacionais que o Santos jogava também foram muito importantes, pois levaram a fama do time a todos os cantos do globo, conseguindo repercussão mundial numa época que a globalização engatinhava. Esses Torneios proporcionaram vitorias históricas sobre Boca Juniors, Real Madri, Inter de Milão, Manchester United, Benfica, Milan, entre muitos outros. A fama do Santos era tão grande, que em 1969, ao fazer uma excursão pela África, descobriram que o próximo país que iam se apresentar, o Congo, estava em guerra civil, entre o exercito da capital Brazzaville e os rebeldes de Kinshasa, e os jogadores ficaram com medo de um bombardeio. Depois de alguma negociação, os rebeldes concordaram com uma trégua desde que o Santos também jogasse em Kinshasa. É do time que parou uma guerra o merecido primeiro posto.
O esquadrão era formado por: Gilmar (campeão do mundo em 58) no gol, Mauro, Calvet e Almir Pernambuquinho na zaga , Olavo, Zito (também campeão do mundo em 58) e Dalmo no meio, e no ataque o clássico quinteto Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
20 Menções Honrosas: Atlético-MG (76-78), Botafogo (67-72), Corinthians (51-54), Corinthians (98-99), Cruzeiro (65-71), Cruzeiro (75-76), Flamengo (53-55), Fluminense (17-19), Fluminense (36-41), Grêmio (83-85), Internacional (79-80), Palmeiras (30-34),Palmeiras (40-47) Palmeiras (96), Paulistano(16-21), Santos (02-04), São Paulo (70/71), São Paulo (85-87), São Paulo (05-06), Vasco (97-98).