terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Todos os Campeões Brasileiros


A CBF, Confederação Brasileira de Futebol, anunciou ontem que finalmente vai reconhecer os títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, e dessa forma corrigir uma injustiça histórica.

Uma coisa que causa estranheza a qualquer gringo que olhe a relação dos campeões brasileiros de futebol, é que o primeiro campeonato teria ocorrido no ano de 1971. Todos os países de tradição nesse esporte criaram campeonatos até 1930, quando muito tardio. Foi assim com Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Espanha, Argentina, Uruguai, etc. Por isso essa data causa estranheza, e se pararmos para pensar, o Brasil já era tricampeão do mundo em 71.

Para entender o caso brasileiro é necessário um olhar mais atento. Sua peculiaridade pode ser explicada por causa do tamanho continental do país. Em 1920 houve uma tentativa de organizar um campeonato nacional de clubes, porém devido ao alto custo e duração das viagens, que chegava a durar meses, o campeonato foi um fracasso.

Dessa forma, o futebol brasileiro teve que se organizar estadualmente, e por isso que o Brasil é o único país do mundo que tem campeonatos estaduais tão prestigiados. O primeiro campeonato do Brasil foi o Paulista, em 1902, e até 1920 os principais centros (RJ, RS, MG, PE, BA, PR, CE, etc.) já tinham seus campeonatos regionais. Os campeões de Rio e São Paulo sempre foram chamados para torneios internacionais como legítimos campeões nacionais. Isso também explica porque o Brasil tem 12 times grandes, quando no resto do mundo existem de 2 a 4 por país. No Rio e em São Paulo se desenvolveram 4 grandes, no Rio Grande do Sul e em Minas se desenvolveram 2 grandes.

Em 1922 surgiu o campeonato nacional de seleções, onde os melhores jogadores de todos os campeonatos estaduais jogavam pelo estado de seu clube. O torneio era curto e organizado em uma sede fixa, geralmente o Distrito Federal (RJ na época). Esse torneio era bastante prestigiado, e foi uma boa solução para o problema da época. Com o desenvolvimento do transporte aéreo na década de 50, foi criada, em 1959, a Taça Brasil, então o torneio de seleções perdeu o sentido e foi extinto no inicio dos anos 60. A Taça Brasil foi um sucesso desde sua concepção, sendo seu vencedor sempre aclamado o campeão nacional. Porém, o transporte aéreo ainda não era tão acessível, e por isso um campeonato longo, de pontos corridos, como acontecia na Europa há um bom tempo, ainda não era possível, e por isso a Taça Brasil contava apenas com os campeões estaduais e o campeão do ano anterior. Foi nessa competição que ídolos imortais, como Pelé, Garrincha, Tostão e Ademir da Guia se consagraram nacionalmente.

Em 1967, a partir de iniciativa das federações paulista e carioca, foi criado o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, um campeonato maior, que não contava com times de todo o Brasil, mas contava com vários times dos maiores centros (SP, RJ, MG, BA, PE, CE, SC, PR e RS), aumentando a qualidade técnica. Os clássicos estaduais, em um campeonato nacional, foram o grande ingrediente do torneio, tendo sempre boas médias de publico.

Em 1971, o campeonato foi inflado, com times de todo o Brasil e também mudou de nome (para Campeonato Nacional), porém teve um regulamento bem semelhante ao do Robertão. O problema é que devido ao (mal) habito do brasileiro, de esquecer o passado, os títulos dos torneios anteriores foram desconsiderados. Em 75 o campeonato mudou novamente de nome(para Copa Brasil), mas desta vez preservaram os títulos de 71 até 74.

Alguns são contra a homologação desses torneios, pois dizem que são diferentes do Brasileirão, tem outros nomes. Como foi visto o Brasileirão teve vários nomes: Campeonato Nacional, Copa Brasil, Taça Ouro, Copa União, Copa João Avelange e Campeonato Brasileiro. Se o critério for o nome, devem ser contados apenas os títulos de 89 em diante, tirando o de 2000 (Copa João Avelange).

Também há quem diga que os regulamentos eram diferentes. O que, em primeiro lugar, não é verdade, os regulamentos de 71 a 74 eram muito parecidos com o do Robertão (67-70), e, em segundo lugar, o Brasil já experimentou todos os sistemas de disputa possíveis, se esse for o critério, então só devem valer os títulos de 2003 em diante (pontos corridos).

O não reconhecimento do Robertão chega a ser absurdo, se tratava exatamente do mesmo campeonato com nome diferente. A Taça Brasil já é um caso mais complicado, mas ainda assim defendo sua equivalência. Argumentam que era um campeonato muito curto e que por isso não deveria valer, mas o primeiro campeonato italiano, por exemplo, foi disputado por quatro clubes, em mata-mata, no mesmo dia. Ou seja, em um mesmo dia, a Roma venceu duas partidas e sagrou-se campeã italiana, e seu titulo nunca foi questionado. O que deve ser levado em conta é a importância relativa que o torneio teve na época, que foi grande. Da mesma maneira a Taça Brasil foi um campeonato de grande prestigio, com grandes craques, e que os campeões eram capas de revista, jornal e sempre recebidos com festa. Negligenciar isso é negar a historia do futebol brasileiro. Esses títulos não podem ficar perdidos no limbo!

Alguns defendem que a Taça Brasil deveria equivaler a atual Copa do Brasil, mas isso seria uma falsa simetria. A Copa do Brasil é um campeonato de segunda linha, que as principais forças do país não jogam, e que a vaga na libertadores é mais importante que o titulo em si, muito diferente da Taça Brasil, que era o titulo mais importante do país na época.

Um ultimo argumento contrario a equivalência é que a Taça Brasil coexistiu por dois anos (67 e 68) com o Robertão, e portanto haveriam dois campeões nacionais nesses anos. Ter dois campeões nacionais no mesmo ano não é um problema, na Argentina, desde os anos 80, sempre há dois campeões por ano. A federação alemã considera os títulos do campeonato da Alemanha oriental e ocidental, e, portanto dois campeões por ano nesse período. Existem vários outros exemplos. O fato é que em 67/68 a Taça Brasil já era um campeonato estabelecido, e com grande prestigio, por outro lado, o Robertão foi um sucesso instantâneo devido aos clássicos regionais e ao alto nível técnico, e, portanto houve dois campeonatos principais nesses anos, e dois campeões brasileiros legítimos.

Até no futebol (ou principalmente no futebol) a historia do Brasil é complicado, mas não deixemos que essa complicação apague a historia da chamada Era de Ouro do futebol brasileiro, que trouxe três títulos mundiais para o Brasil. A homologação dos títulos veio tarde, mas, pelo menos, veio.


Tabela dos títulos brasileiros sem Taça Brasil e Robertão.
Clube Titulos
São Paulo 6
Flamengo* 5
Corinthians 4
Palmeiras 4
Vasco 4
Internacional 3
Fluminense 2
Grêmio 2
Santos 2
Atletico-MG 1
Atletico-PR 1
Bahia 1
Botafogo 1
Coritiba 1
Cruzeiro 1
Guarani 1
Sport* 1



Tabela dos títulos brasileiros com Taça Brasil e Robertão.
Clube Titulos

Palmeiras 8
Santos 8
São Paulo 6
Flamengo* 5
Corinthians 4
Vasco 4
Internacional 3
Fluminense 3
Grêmio 2
Bahia 2
Botafogo 2
Cruzeiro 2
Atletico-MG 1
Atletico-PR 1
Coritiba 1
Guarani 1
Sport* 1

*Oficialmente o Sport é o campeão de 87 e não o Flamengo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Conservadorismo Retrogrado

Nos últimos meses alguns acontecimentos de cunho notadamente retrógrados ganharam boa repercussão, e vou fazer minhas considerações sobre eles.

O primeiro aconteceu em meio à campanha eleitoral, foi sobre o aborto. Assunto polêmico, eu sei, o problema é acusar pessoas favoráveis a descriminalização do aborto de anti-éticas e contra a vida. Primeiramente, é bom esclarecer, ser a favor do aborto é diferente de ser a favor da descriminalização do aborto. O primeiro consiste em considerar o aborto uma pratica correta, é uma opinião pessoal, o segundo consiste em deixar a cargo de cada um, baseado em seus valores (uma vez que o Estado é laico, lembre-se), decidir se abortar é aceitável ou não. Além disso, essas organizações religiosas que se dizem “a favor da vida”, não pensam na vida de mais de 30 mil mulheres que abortam em clinicas clandestinas todos os anos, no Brasil. Não reconhecer que o aborto é uma pratica comum é hipocrisia. A legislação de um país deve amparar todos os grupos e não apenas uma maioria absoluta.

Em seguida, o fim do processo eleitoral e a vitória de Dilma desencadearam uma onda anti-norte/nordeste na Internet, onde os nordestinos e nortistas eram acusados de serem os “culpados” pela vitória de Dilma. As ofensas começaram no twitter, mas se espalharam por toda a rede (blogs, youtube, orkut, etc.). As declarações variavam desde a educada “Faça um favor ao Brasil, mate um nordestino afogado”, até a separatista “Norte/Nordeste não é Brasil!”. Ora, tal afirmação se quer encontra embasamento na realidade, já que mesmo sem os votos do Norte/Nordesta Dilma também ganharia (por uma diferença bem menor claro). Pouco se falou que as contundentes vitórias em Minas, no Rio de Janeiro e em Brasília foram tão importantes quanto nas regiões ao Norte do país, e que as vitórias de Serra nos estados do Sul e Centro-Oeste foram ínfimas (as maiores votações do candidato foram, quem diria, no Acre e no Maranhão). Veja, no Nordeste todo há um colégio eleitoral de 22 milhões de eleitores, só no estado de São Paulo há um colégio eleitoral com os mesmos 22 milhões de eleitores, portanto, se houvesse realmente uma dicotomia entre Norte e Sul, os sulistas levariam a melhor sem sombra de duvida.

Também tentaram desvalorizar o voto dos analfabetos e dos miseráveis, dizendo que esses não deveriam poder votar, pois “trocam voto por cesta básica”. Veja bem, o sujeito de classe média, por exemplo, que escolhe um candidato esperando que este reduza drasticamente a carga tributaria sobre consumo não é (e nem deve ser) acusado de “trocar o voto por um iPhone 4”, então porque seria errado o sujeito miserável dar seu voto ao candidato que ele considera que poderá lhe propiciar mais comida na mesa? É uma atitude legitima.

O ultimo desses acontecimentos envolve os homossexuais. Dada a iminência da aprovação da PL 122, lei que tenta criminalizar a homofobía, varias autoridades e grupos religiosos se posicionaram raivosamente contra, o que estimulou agressões físicas e intolerância contra homossexuais. Tais grupos religiosos chegaram a organizar passeatas pelo direito de ser homófobo. Não sei vocês, mas pra mim passeata pela homofobia soa tão moderno e plausível quanto uma passeata contra o direito de voto das mulheres ou passeata em favor da escravidão.

Vários estudos sobre violência no Brasil mostram que crimes terríveis, como espancamento, são cometidos numa proporção muito maior contra os homossexuais do que contra outros segmentos, e que, portanto é cabível que se faça uma lei para protegê-los (como foi a lei do racismo no passado).

Os religiosos também têm medo que depois da aprovação dessa lei, a bancado liberal no congresso tente alçar vôos maiores, como permitir o casamento gay, da mesma forma que já ocorreu no México e na Argentina. Essa reivindicação dos homossexuais que querem ter direitos civis semelhantes aos dos heterossexuais é bastante pertinente, afinal se o Estado não reconhece o homossexual como pessoa física, por quê diabos cobra Imposto de Renda dessa gente?

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Os 10 Partidos Politicos mais Importantes da Historia do Brasil

10.Partido Conservador / Partido Liberal
Pouco ou nada se lembra do parlamentarismo brasileiro, mas, de 1847 até 1889, o Presidente do Conselho de Ministros do Império foi uma espécie de Primeiro Ministro Tupiniquim. Nessa conjuntura, o Partido Conservador apoiava um poder central forte e a manutenção da escravidão, e o Partido Liberal defendia a autonomia das províncias e a eleição de deputados provinciais, e em um segundo momento também defendeu abolição da escravatura. Ambos surgiram na década de 30 e foram extintos em 1889, com a instauração da republica, se revezando no poder por mais de quarenta anos.

9. União Democrática Nacional (UDN)
Partido ultra-conservador precursor da ARENA, que durante sua existência teve forte ímpeto golpista, levando ao suicídio de um presidente, a uma tentativa de golpe em 1954 e ao golpe militar de 1964. Fez oposição feroz aos governos G.V., J.K. e João Goulart, porém foi uma aliança fundamental à vitória de Jânio Quadros, candidato do nanico PDC. Com o fim do partido em 1964 seus membros migraram para a ARENA.

8.Partido Republicano Paulista / Partido Republicano Mineiro (PRP / PRM)
Surgiram representando os ideais republicanos de Minas e São Paulo, sendo importantes nesse movimento. Depois da proclamação da Republica defenderam os interesses oligárquicos das elites agrárias, e se valiam de mecanismos escusos para “eleger” seus sucessores, dessa forma se revezavam no poder. Esse período ficou conhecido como a Republica do Café com Leite. O PRM “elegeu” 5 presidentes e o PRP ganhou 7 eleições e “elegeu” 6 presidentes (1 não tomou posse). Saíram do poder depois da revolução de 30, mas o PRP ainda teve papel importante na Revolução Constitucionalista de 32, que outorgou nova constituição ao país. Ambos foram extintos em 1937, com o Estado Novo.

7.Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB)
Fundado em 1966 para ser a oposição no falso bipartidarismo implantado pela ditadura, o, até então, MDB concentrava os democratas contidos (já que os mais rebeldes se organizavam nas guerrilhas e em organizações clandestinas), tendo papel discreto até 74, quando deu alguma dor de cabeça ao partido do governo. Em 1980 mudou o nome para PMDB, se fortaleceu nas eleições de 82, quando elegeu 9 governadores. Teve participação imprescindível nas Diretas Já e na redemocratização do país. Chegou a ter um presidente eleito (indiretamente), porém, Tancredo Neves morreu antes de assumir. Com o passar dos anos virou um monstrengo fisiológico, sem postura ideológica clara, mas que sem ele ninguém governa devido ao grande numero de deputados, senadores, prefeitos e governadores que o partido sempre consegue emplacar. Em 2010, com a vitória de Dilma e Michael Temer, chegou à vice-presidência.

6.Aliança Renovadora Nacional (ARENA)
Foi o partido do governo militar durante a ditadura, que como todos devem saber, prendeu, torturou, matou, censurou, etc. Entre o final dos anos 60 e inicio dos 70 conseguiu promover taxas de crescimento do PIB de mais 10% ao ano, além de finalizar o processo industrial com o ultimo elo da cadeia produtiva, bens de capital. Porém, ao apagar das luzes da ditadura, deixou o processo hiper-inflacionário a caminho.Durante os 21 anos do Estado de exceção, indicou 5 presidentes.
Em 1980 o partido mudou de nome para Partido Democrático Social (PDS). Em 85 houve uma cisão no partido, dando origem ao PFL (atual DEM), que chegaria à presidência através de José Sarney, podendo este ser considerado o sexto presidente do partido. O PDS ainda mudaria a sigla para PPR, depois para PPB, e atualmente é o PP.

5.Partido da Social Democracia Brasileiro (PSDB)
Surgido em 88, a partir de dissidentes do PT e do PMDB, o PSBD em sua concepção propunha o socialismo democrático, porém, com o passar dos anos deu uma guinada à direita. O partido teve rápida ascensão e já em 1994 elegeu FHC presidente (sendo o terceiro presidente eleito democraticamente a completar o mandato em toda historia), que foi re-eleito quatro anos depois. A partir de então polarizou todas as disputas presidenciais com o PT. Foram os principais responsáveis pelo controle da inflação, e pelo modelo macroeconômico que garante estabilidade de preços baseado em metas de inflação, juros altos e ajuste fiscal permanente, vigente até hoje. Houve também sensível melhora na saúde. Como legado negativo aumentou a divida, altos níveis de desemprego, baixas taxas de crescimento, altos juros e “apagão”. Foi o principal partido de oposição no governo Lula.

4.Partido dos Trabalhadores (PT)
Alguns vão chiar. Mas apesar de PT e PSDB terem a mesma importância atualmente, o primeiro tem uma historia mais extensa, por isso fica à frente. Sua historia começa antes mesmo de sua fundação, pois muitos de seus membros participaram na luta armada contra o governo militar. A partir 1980 reuniu sob a mesma sigla diversos grupos de esquerda, em sua maioria mais exaltados, porém, com o passar do tempo se aproximou da social-democracia e de uma esquerda moderada. Foi, ao lado do PMDB, a principal militância em favor das Diretas. Polarizou todas as eleições depois da redemocratização (em 89 com Collor, e de 94 em diante com o PSDB), vencendo duas vezes com Lula e uma vez com Dilma. Foi o principal partido de oposição nos governos Sarney, Collor e FHC.
No governo Lula foi mantido o modelo econômico do governo anterior, porém, os resultados obtidos foram melhores (maiores taxas de crescimento e exportação, e menor desemprego). Houve também uma sensível diminuição da pobreza e da desigualdade. Conseguiu, através de mecanismos inteligentes, se livrar da crise mundial antes que o resto do mundo. Por outro lado, não conseguiu estimular o investimento, não conseguiu melhorar a infra-estrutura no mesmo ritmo do crescimento, gerando caos aéreo e portuário. É o governo com maior aprovação popular na historia.

3.Partido Social Democrático (PSD)
Foi o principal partido no curto período entre as duas ditaduras (1945-64). Elegeu 2 presidentes (os dois primeiros eleitos democraticamente a terminar o mandato): Eurico Gaspar Dutra e Juscelino Kubitschek, ambos de grande relevância. O primeiro pegou uma conjuntura internacional complicada, mas conseguiu melhorar a balança comercial, retomar o crescimento e emplacar o Plano SALTE. O segundo estimulou, através do Plano de Metas, um surto desenvolvimentista nas áreas de infra-estrutura e energia, além de ampliar o processo industrial aos bens de consumo duráveis. O PSD também teve Tancredo Neves como Primeiro Ministro no interím parlamentarista entre 61 e 62. Depois da ditadura o partido voltou a existir, mas sem uma fração do poder que tinha antes. Em 2003 foi incorporado ao PTB.

2.Partido Brasileiro
Formou-se durante o período joanino (quando a família real portuguesa se estabeleceu no Brasil), defendia os interesses dos comerciantes brasileiros contra os interesses dos comerciantes portugueses (defendidos pelo Partido Português). Por quê então um partido formado em uma época que sequer existiam votações ficaria no segundo posto? Porque foi o Partido Brasileiro que fez pressão contra a re-colonização do Brasil quando D. João VI voltou para Portugal, que influenciou e apoiou o “Dia do Fico” e que deu sustentação política à Independência do Brasil. Precisa de mais?

1.Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)
Esqueça o atual PTB. A importância do partido pode ser resumida em um nome: Getulio Vargas. Durante os 19 anos em que esteve no poder (1930-45,1950-54) G.V. fez um governo populista e ditatorial (de 37 a 45 houve inclusive tortura e censura), porém, seu governo foi um divisor de águas. O Brasil antes dele era uma monocultura exportadora de café (veja bem, não era de bens primários, era somente de café), com mentalidade atrasada, onde a elite agrária ainda se importava com títulos de nobreza medievais (como Barão, Duque, Visconde, Marquês, etc). Getulio iniciou o processo de industrialização, deu voz à elite industrial, urbanizou o Brasil, criou legislação trabalhista, fez as estatais, enfim, introduziu o Brasil no capitalismo moderno. A economia crescia aceleradas em meio a depressão dos anos 30.
Depois de sua morte em 54, o PTB foi um importante apoio na eleição de J.K. e, mais tarde, voltou ao poder com João Goulart, que foi deposto pelo golpe militar. Fechado durante a ditadura, voltou a ativa em 1980, depois da Lei da Anistia. Nessa época houve uma disputa judicial entre Ivete Vargas e Leonel Brizola sobre quem seria o legitimo herdeiro da sigla. Ivete ganhou a causa, o PTB se tornou um partido de direita, e não teve mais a mesma importância. Brizola fundou o PDT junto com outros dissidentes do PTB.
Mas por ter protagonizado a maior mudança estrutural da historia do Brasil, o PTB encabeça a lista.

domingo, 17 de outubro de 2010

Liberade de Opnião e a Censura Democratica


Liberdade de imprensa e opinião. Características imprescindíveis à construção de uma democracia forte e uma sociedade livre. Esse tema foi levantado nessas eleições e farei minhas considerações sobre o assunto.

Para começar gostaria de diferenciar a democracia utópica e a democracia direta ou representativa. Democracia, por hipótese, é criação de direitos. Uma utopia democrática é quanto todos, indiscriminadamente, tem o direito, não só de escolher seus representantes, mas também de ter acesso irrestrito à informação, à cultura, à arte. É ter o direito de não passar fome, de não ficar doente, de não ser injustiçado. Enfim uma democracia utópica é aquela em que todos tem direito a tudo, sem interferir no direito alheio.

Infelizmente a democracia direta (presidencialista) e a democracia representativa (parlamentarismo) não são condições suficientes para garantir a democracia pura, a utopia. Garantem, em tese, que todos são iguais perante a lei e o direito de escolher os representantes. É sabido que existem muitos anseios da humanidade que nunca foram atendidos, e talvez nunca sejam, pelas democracias reais.

Uma das falhas da democracia real é não garantir a democracia informacional. Engana-se quem pensa que não existe censura na democracia, existe e muito. Censura dos donos dos veículos de comunicação para com seus funcionários. No mundo inteiro o setor de comunicação é concentrado, e isso é natural porque este tipo atividade exige investimentos altíssimos, e portanto só consegue se organizar em oligopólio. A maioria dos países tem, quando muito, quatro ou cinco grandes grupos de comunicação.Todo veiculo de imprensa tem um editorial, e os jornalistas tem que se adaptar a ele, independente do que pensem. É claro que esta é uma censura muito menos aterradora que aquela promovida pelo Estado, e passa longe de eu defender o oposto. Mas ainda assim é censura.

Tendo em vista que os donos desses grupos vivem realidades parecidas e por isso tem visão de mundo semelhante, essa concentração fere o direito democrático de ter acesso a pontos de vista distintos e contrastantes.

Dito isso, voltemos ao caso brasileiro. A grande mídia brasileira toma partido e tem partido, o PSDB. Quem é a grande mídia? Organizações Globo (Rede Globo, O Globo, CBN, G1, Época, etc.), Folha, Estadão, Grupo Bandeirantes, Grupo Abril (notoriamente a Veja), entre outros. Evidencias? Há varias, as mais recentes: Folha anuncia que Romeu Tuma morreu, depois se retifica, mas o anuncio alertou um número grande de eleitores de Tuma, que são em sua maioria conservadores, que procuraram um outro candidato com características semelhantes, como foi o caso do candidato tucano, Aloysio Nunes, que acabou eleito. Nas entrevistas feitas no Jornal Nacional, com as candidatas Dilma Rousseff e Marina Silva, havia um tom agressivo por parte dos entrevistadores, com diversas interrupções e até lição de moral. Com o candidato José Serra predominou a cordialidade, sem interrupções, apenas observações. A pergunta mais difícil com que se deparou foi “você não se sente constrangido de ter apoio do PTB, que participou do mensalão petista?”, ou seja, uma pergunta que serviu também para alfinetar os adversários do tucano.

Diante da popularidade do presidente Lula, a candidata Dilma, em especial, vem sendo prejudicada por essa parcialidade. Há pouco mais de um ano parte dessa mídia, especialmente escrita, tenta associar guerrilha a terrorismo. Coincidência que isso só tenha acontecido quando uma ex-guerrilheira foi cotada para concorrer à presidência?

O caso Erenice Guerra, na qual o filho da ex-assessora de Dilma é acusado de trafico de influência, teve grande repercussão na imprensa,e até tirou a vitoria de Dilma no primeiro turno, mas o caso Paulo Preto, ex-assessor de Serra, que é acusado de desviar recursos da Dersa para a campanha tucana, não teve uma fração dessa repercussão.

Uma acusação grave que vem sendo veiculado por esses veículos é que o governo Lula é a favor da censura e contra liberdade imprensa. O simples fato de haverem tantos veículos contrários ao governo, fazendo duras criticas, já mostra que isso é uma falácia.

Mas não existem veículos petistas? Claro que existem: Istoé, Carta Capital, Caros Amigos, Valor Econômico e Rede Record são os principais. O problema é que a capacidade de profusão de informação do grupo tucano é incomparavelmente maior. Um caso curioso nesse grupo é a Record, que só figura neste grupo por causa do esforço pessoal que o presidente Lula fez em favor da concessão da Record News. Fato que fez a emissora mudar de linha editorial a partir de 2006. Uma polêmica na época foi a demissão de Boris Casoy, que teria acontecido a pedido do presidente Lula. Ora, a emissora mudava seu editorial, e junto com Boris foram embora muitos outros profissionais que não se encaixavam nessa nova linha. Houve sim censura, mas uma censura democrática, do patrão com seus funcionários, como já expliquei.

O curioso é que essa demissão foi tida como um símbolo de como o PT cerceia a liberdade de imprensa, mas nenhum veiculo de massa se indignou quando Paulo Henrique Amorim foi demitido da Globo e da Veja por discordar do editorial pró-FHC, o mesmo vale para Luiz Nassif, demitido da Folha e da bandeirantes pelo mesmo motivo, vale para Franklin Martins, Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna demitidos da Globo por discordar da posição anti-Lula da emissora.

Há uma diferença fundamental entre esses dois grupos: a imprensa petista assume explicitamente que está com Dilma e sua linha ideológica, a imprensa tucana não assume seu candidato e sua ideologia, fingindo uma neutralidade que não há. Pra não dizer que não falei das flores há duas exceções: a Record não assume que apóia Dilma, e o Estadão, numa atitude muito descente e inédita, assumiu seu apoio ao candidato José Serra.

Estadão que foi protagonista do mais novo caso de censura democrática. Algumas semanas depois do anuncio de apoio à candidatura Serra, a jornalista Maria Rita Kehl escreveu um artigo favorável ao governo Lula, e foi sumariamente demitida do jornal por causa disso. Veja contradição, um jornal que acusa o governo de tentar controlar a liberdade de opinião, e que estampa em sua primeira pagina o numero de dias que está “SOB CENSURA”, referência à liminar concedida pela justiça que proibiu o jornal de publicar uma matéria sobre a família Sarney, agora demite uma funcionária por discordar da opinião do jornal. E isso não é controlar a liberdade de opinião?

Não tenho a intenção de demonizar o PSDB, que conta com excelentes quadros, como por exemplo, o senador pelo Paraná Álvaro Diaz. Mas, a meu ver, é inegável que os grandes veículos de comunicação do país favorecem esse partido.

Como resolver esse problema? Não sei. A democracia capitalista é a melhor e mais eficiente forma de organização social já encontrada pelo homem, o que não significa que não tenha falhas graves. Essa parcialidade da mídia é um dos ônus da democracia capitalista. Cabe a nós a difícil tarefa de procurar se informar pelo maior numero de mídias e pontos de vista possíveis, e sermos críticos com todos, muitos vezes indo as vias de fato e pesquisando por conta própria.

Artigo "Dois Pesos..." que acarretou a demissão de maria Rita Kehl do Estadão: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Considerações Sobre os Presidenciaveis


Estamos há alguns dias do primeiro turno das eleições,portanto seria oportuno fazer aqui minhas considerações sobre os 9 candidatos à presidência.

Comecemos pelo bloco da extrema esquerda: Ivan Pinheiro (PCB), Zé Maria (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Plínio de Arruda Sampaio (PSoL). Analisarei esses 4 em conjunto pois tem propostas muito parecidas, o que mostra dificuldade da esquerda brasileira de conciliar interesses mesmo quando parecidos. Essas propostas são: suspensão do pagamento da divida, confisco do latifúndio a tabelamento de no máximo 100 hectares por propriedade, 10% do PIB investidos em educação, fim da autonomia do banco central, estatizações de empresas e bancos, diminuição da jornada de trabalho para 35 horas semanais e salário mínimo de R$ 2500. Se tratam de propostas ineficientes e até mesmo irresponsáveis se levarmos em conta o parto que foi resolver o problema inflacionário, que ceifava a riqueza de todos mas especialmente do pobres, aumentando a desigualdade. Não sou contra políticas radicais em si, mas esse tipo de política radical traria de volta a inflação e faria os empregos desaparecerem. Dessas propostas talvez a única que se salve seja a de revolução na educação, combate ao latifúndio e de reforma agrária.
Mas antes de prosseguir gostaria de registrar o apoio incondicional que esses partidos dão a movimentos populares e a ética que demonstram não fazendo alianças espúrias e não se envolvendo em escândalos. A franqueza que o candidato Plínio demonstra nos debates contrasta fortemente com a retórica política que estamos acostumados a ver.

Em seguida vem o bloco dos sem proposta: Levy Fidelix (PRTB) e Eymael (PSDC). Os dois se limitam à propostas genéricas como “melhorar a educação, a saúde, o transpote, etc.”, mas o “como fazer” passa longe de seus discursos. A única proposta um pouco mais elaborada é a construção do Aerotrem, projeto de vida do candidato do PRTB. Eymael pelo menos carrega uma bandeira: a da democracia cristã e fortalecimento dos valores familiares. Mas é só, e por isso mesmo não vou me alongar com estes, são apenas dois desconhecidos querendo uma projeção maior.

Marina Silva (PV) chega como a grande desafiante do status quo da política nacional, onde PSDB e PT tem dado as cartas há um bom tempo. Traz consigo a bandeira da sustentabilidade, assunto tão em voga na atualidade. Marina foi Ministra o meio ambiente durante a maior parte do governo Lula, onde conseguiu resultados expressivos mesmo com seu ministério sendo preterido em vários momentos, o que acabou levando à sua saída do governo em 2008. Marina tem as propostas mais sólidas desta eleição para o meio-ambiente, com incentivos à economia criativa, restrições ao agronegócio, prover acesso à água potável e saneamento básico para 100% da população, diminuição da emissão de poluentes e do desmatamento, entre outros. O problema é que não sai disso. Perguntada sobre qualquer outra área, Marina tenta fazer um elo com a questão ambiental, como se tudo dependesse disso. Plínio, coberto de razão, disse a ela em um dos debates “você tenta conciliar tudo, e tudo não é conciliável. As decisões incorrem em custos”. Marina promete manter, e até elogia, os avanços econômicos do governo FHC e os avanços sociais do governo Lula. Promete ainda fazer uma revolução na educação aumentando para 7% do PIB os gastos com educação, que se não é os 10% proposto pelos socialistas, é bem melhor que os 2% atuais. As respostas para problemas como governabilidade, déficit habitacional, reforma tributaria e segurança estão longe de serem convincentes. Porém, tanto Marina como seu partido, o PV, nunca estiveram envolvidos em escândalos de qualquer natureza, e talvez sejam realmente os mais indicados para fazer a tão almejada reforma política.

Serra (PSDB) é sem duvida o candidato mais gabaritado, e aposta muito em sua biografia. Foi deputado, senador, teve uma boa passagem pelo ministério da saúde e uma passagem, não tão boa assim, pelo ministério do planejamento, foi prefeito de São Paulo e governador do estado. Serra promete fazer um ajuste fiscal, ter austeridade, criar o ministério da segurança para combater a entrada de armas e drogas no Brasil, investir em obras de infra-estrutura, investir na capacitação do professor do ensino básico e também no ensino técnico e profissionalizante de maneira geral, acelerar a construção de casas populares, manter e ampliar o bolsa-família, universalizar o acesso à água e saneamento básico e aumentar o salário mínimo para R$600. Na saúde, sua especialidade, pretende levar a todo o Brasil programas implantados em São Paulo, como o mãe paulistana e as AMEs e AMAs.
O que se percebe é um amontoado de propostas desconexas, de correntes ideológicas distintas, e algumas delas claramente eleitoreiras, que reflete o fato do PSDB não ter definido um projeto de governo. Como, por exemplo, compatibilizar a reforma tributária drástica com o aumento do padrão de qualidade da saúde em estados que tem contribuição média muito menor que a de São Paulo? Como melhorar a educação e ampliar projetos sociais depois de fazer um ajuste fiscal ainda mais profundo? Alias esse é outro ponto, se Lula teve que domesticar o PT para manter a política econômica, Serra terá que domesticar a ala mais conservadora do PSDB e da base aliada para manter em alta os investimentos sociais.
Isso para não falar no salário mínimo de R$600, pois seu partido sempre foi contra reajuste do mínimo acima da inflação. Se eleito dará o aumento, mas vai custar para reajustá-lo novamente.
Serra critica o PAC e o Minha Casa, Minha Vida, muitas vezes com razão, mas não apresenta uma alternativa a esses programas.
Isso mostra que o PSBD não se preparou bem para eleição, provavelmente porque estava mais preocupado com disputas internas entre paulistas e mineiros (que torcem pela derrota de Serra para Aécio sair candidato em 2014) do que em fazer um projeto de país.

Dilma (PT) é a candidata governista, mais que isso, é a candidata do presidente com maior popularidade da historia do Brasil, e por isso deve ganhar a eleição com um pé nas costas. Porém Dilma terá problemas para governar pois não tem nenhuma retórica e eloqüência, característica fundamental para governar o Brasil, onde o chefe do executivo tem de ser, antes de tudo, um conciliador para fazer as coisas funcionarem. Como Ministra Dilma teve vários acertos, como o PAC, o Minha Casa, Minha Vida e o Luz pra Todos, porém pecou em algumas coisas que eram sua responsabilidade: não corrigiu gargalos infra-estruturais, não conseguiu aumentar a taxa de investimento e o PAC está atrasado.
Seu partido, o PT, também desagrada em alguns aspectos. Desagrada quando usa cargos importantes dentro do governo como moeda de troca para fazer alianças com gente que deveria passar longe do planalto. Desagrada mais ainda quando varre pra baixo do tapete casos de corrupção, exatamente como faziam seus antecessores.
Porém, é inegável, que o PT e Dilma tem projeto de governo e, mais que isso, projeto de nação. Apresentam metas e projetos viáveis e de longo prazo. Pretende manter e intensificar políticas de transferência de renda, bem como aumento real do mínimo, juntamente com desoneração da produção em setores estratégicos para incentivar o consumo e a produção industrial e agrária, e assim manter uma taxa de crescimento do produto entre 6% e 7%, alcançando até 2016 a meta de se tornar a quinta maior economia do mundo. Também pretende erradicar a pobreza extrema até 2016 com a manutenção e ampliação dos programas sociais e aumento do mínimo acima da inflação.
Prevê inúmeras obras de infra-estrutura já definidas e com viabilidade econômica. Entre as obras estão: a construção e reforma de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, hidrovias, hidrelétricas, termoelétricas, barragens e investimento na produção de energia eólica e biomassa, além dos investimentos relacionados ao pré-sal (vide site oficial do PAC, no rodapé, para informações mais especificas). Com isso o governo espera suprir os gargalos infra-estruturais e energéticos necessários para o país crescer, além de universalizar o acesso à água e a saneamento básico até 2018. Com exceção das obras relacionadas ao pré-sal, o restante das obras deve ser concluído até 2018.
Através do programa Minha Casa, Minha Vida o governo pretende acabar com o déficit habitacional até 2025, construindo casas populares, investindo em urbanização de favelas e incluir o máximo de famílias na classe C ao mesmo tempo que a Caixa concedo crédito facilitado, fazendo que o recém-chegados a classe média financiem seus imóveis. Esse esquema já vem dando certo nos últimos 4 anos.

Bom isso é tudo, acabei me alongando bastante, mas tomara que seja útil para quem estava na duvida.


site do PAC: http://www.brasil.gov.br/pac/pac-2/

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Eu não tenho medo da Dilma


A cada 4 anos a classe media brasileira sente medo. Este medo nos últimos 20 anos chamou-se Lula. Agora passou a se chamar Dilma. Tal medo, antes externado por Regina Duarte e agora por Marilia Gabriela, foi o responsável pela eleição de Collor lembremos. Mas não vamos revirar o passado, o que passou, passou...

Porem vamos desmistificar alguns mitos. Nos últimos meses minha caixa de e-mail foi bombardeada com a historia de uma tal Dulce Maria que teria participado do seqüestro do embaixador americano em 1969. Dulce Maria na realidade seria Dilma, e por isso ela estaria proibida de entrar nos Estados Unidos. Essa informação é falsa, Dilma esteve, por exemplo, na reunião de cúpula do G-20 no ano passado, em Pittsburgh, e até apertou a mão do Obama. Ela fez sim parte do grupo guerrilheiro MR-8, mas não esteve envolvida no episodio do seqüestro. Dizem que ela é terrorista por ter participado deste grupo, um erro conceitual grave, pois o MR-8 nunca fez nenhuma ação planejada contra civis, o que caracteriza o terrorismo, fez apenas guerrilhas e atentados contra o governo militar, esse sim exercia papel terrorista na época. Só pra constar, o Serra colaborou com este grupo enquanto estava no Chile.

Mas não é só de terrorista que ela é acusada, dias atrás chegou a mim a informação que ela teria feito um acordo com os evangélicos (como se houvesse alguma Federação Nacional de Crentes), no qual ela, caso eleita, se comprometeria em vetar discussões de qualquer assunto polêmico que tivesse relação com religião, como drogas, células tronco, aborto, etc. Uma semana depois recebi um e-mail dizendo que a CNBB estaria vetando a candidatura dela por que ela seria a favor do aborto. Uma dessas afirmações é falaciosa. Ou as duas (o que seria mais provável).

Dizem que ela é intransigente em suas opiniões e não é afeita a diálogos, mas dizem também que ela é uma marionete, o que é uma contradição. Alias esse é um fato curioso, antes o Lula era marionete da Dilma, agora os papeis se inverteram. Bom, na verdade, diriam alguns, os 2 são títeres dos assessores secretos do PT. Gostaria de saber quem são essas mentes brilhantes que comandam o país secretamente, por que não concorrem às eleições eles próprios?! Com Lula essa teoria até que fazia sentido, “os cabeças por trás de uma figura carismática”, mas Dilma é um limão azedo! O verdadeiro picolé de chuchu dessa eleição, uma anti-Lula em todos os sentidos. Alias é por isso que todo e qualquer argumento pode e será usado contra ela. Ninguém vai com a cara dela. Até de corrupta já foi chamada, mesmo que nenhum dos diversos escândalos do governo petista respingasse sobre a ministra. Algumas acusações, como a que ela deixaria as FARC agir livremente no Brasil, chegam a ser engraçadas.

O mais triste é que usam argumentos tolos e mentirosos contra alguém que tem vários defeitos reais. Eu não voto na Dilma. Não voto por que apesar dos muitos acertos que teve como ministra pecou em pontos fundamentais. Não conseguiu estimular a taxa de investimento privado. Apesar de coerente e necessário, o PAC esta inaceitavelmente atrasado. Não conseguiu suprir gargalos infra-estruturais. Não voto nela por que não tem eloqüência e retórica, e isso fica patente nos debates e entrevistas, quando, mesmo que municiada de bons argumentos, não consegue convencer nem o mais entusiasmado dos petistas. Tais características são fundamentais ao chefe do executivo, seja em relações diplomáticas internacionais, seja em disputas internas. Num país cheio de partidos fisiológicos é fundamental ser conciliador como FHC e, principalmente, como Lula foi.

Não voto nela, mas não tenho medo dela. E é realmente lamentável que a classe media, que tanto se preza por ser elite intelectual deste país, fique repetindo, como papagaio, boataria de Internet.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Na Proxima Década...

...o Brasil terá papel fundamental na geração de energia e combustível no mundo, seja produzindo etanol, seja desenvolvendo tecnologias para exploração da camada pré-sal. Sem contar que continuara sendo, de longe, país com maior potencial hidrelétrico e estoque de água potável do mundo. Também ira sediar os dois maiores eventos (não só esportivos) do mundo: Copa e Olimpíadas. Hoje o Brasil já participa do maior fórum de política econômica do mundo, o G-20. Provavelmente chegaremos como quinta ou sexta maior economia mundial em 2020. O antigo sonho de erradicação da fome e da pobreza extrema parece, finalmente, ser algo palpável.Até assento permanente no conselho de segurança, com direito a veto e tudo, provavelmente vamos conseguir.

Parece até gente grande. Mas não é. Pés no chão e olhar crítico é sempre bom.

sábado, 31 de julho de 2010

I Don't Belong to Jesus


Durante a Copa do Mundo houve um desentendimento entre o jogador Kaká e o jornalista Juca Kfouri. O atrito foi gerado devido à declaração do jornalista de que Kaká poderia encerrar a carreira mais cedo devido ao seu problema no púbis, informação que é endossado por vários jornalistas no Brasil e na Europa, e pelos próprios médicos do Real Madri. Na verdade isso ocorreu por outra razão: Kaká se diz perseguido por ser evangélico. Ora, essa é uma afirmação ridícula, pois as criticas feitas pelo jornalista com relação ao merchandising religioso na seleção é muito pertinente. O espetáculo proporcionado pelos jogadores evangélicos depois do titulo da copa das confederações ano passado foi revoltante. Ao final do jogo esses jogadores, liderados pro Lucio e Kaká, colocaram camisas com os dizeres “I BELONG TO JESUS” (Eu pertenço a Jesus), deram entrevistas agradecendo a Deus, e ainda fizeram uma roda onde rezaram fervorosamente por longos minutos. E isso não é marketing religioso? Fazer todos esses agradecimentos fervorosos que remetem claramente a doutrinas religiosas mais rígidas (e que cobram muito dizimo), para milhões de pessoas que assistem pela TV, e em inglês, língua mais difundido do planeta, certamente não é adequado. Se Deus realmente existe vai ouvir seus agradecimentos aonde quer que esteja. Existem lugares apropriados para agradecimentos religiosos, e arenas esportivas certamente não são apropriadas.
Há quem defenda esse tipo de manifestação, dizendo que todos tem o direito de professar sua fé, mas será que respeitariam da mesma forma alguém que aparecesse com os dizeres “I DON’T BELONG TO JESUS” (Eu não pertenço a Jesus), ou então “I BELONG TO SATAN” (Eu pertenço a Satan), ou ainda “THIS TITLE IS THE RESULT OF THE PLAYERS EFFORT, WITHOUT DEVINE INTERFERENCE” (esse titulo é fruto do esforço dos jogadores, sem interferência divina)?
Em tempo, esse assunto teve repercussão monstruosa na mídia internacional, em especial na européia e estadunidense, coisa que infelizmente não ocorreu com a mídia nacional (onde o jornalista em questão foi um dos únicos que se dignou a discutir assunto tão serio), e devido a essa repercussão a FIFA proibiu camisas com mensagens que não tenham relação com o mundo desportivo em comemorações.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Holanda



Capital: Amsterdã

População: 17 milhões

Títulos Oficiais: 1 Eurocopa (1988)

FIFA ranking: 4

Primeiro Jogo Internacional: Bélgica 1X4 Holanda (1905)

Maior Goleada Aplicada: Holanda 9X0 Finlândia (1912) e Holanda 9X0 Noruega (1972)

Maior Goleada Sofrida: Inglaterra 12X2 Holanda (1907)

Participações em Copa: 8 (1934, 1938, 1974, 1978,1990, 1994, 1998 e 2006)

Melhor Colocação: Vice-campeã (1974 e 1978)

A Holanda demorou a aparecer no futebol internacional. Em suas duas primeiras participações em copas (1934 e 1938) foi eliminado logo no primeiro jogo, com derrotas para Suíça (2X3) e Tchecoslováquia (0X3), respectivamente. Depois disso o futebol holandês passou um longo período ostracismo, longe de conquistas relevantes, tanto clubes como a seleção.

Porém, a talentosa geração dos anos 70 mudaria esse quadro. Em 1970 o Feyenoord conquistaria o primeiro titulo importante para o país, a UEFA champions league. Nos anos que se seguiram (71, 72 e 73) o Ajax conseguiria o tricampeonato europeu seguido. Depois de obter a hegemonia européia entre os clubes, era a hora dessa geração vitoriosa brilhar também na seleção. E foi o que aconteceu na Copa do Mundo de 1974. A seleção contava com craques como Krol, Jansen, Rensenbrink, Neeskens, Johnny Rep e principalmente Joham Cruyff, grande astro do Ájax e do Barcelona. O time era treinado pelo técnico Rinus Michels que colocaria em pratica na seleção a revolucionaria filosofia do futebol total, mudando muitas das características táticas do futebol, grande parte delas usadas até hoje. Michels foi eleito o melhor técnico do século pela FIFA devido a este trabalho. Os jogadores eram velozes e não havia posições fixas, alternavam postos entre si, e por isso o esquema tático foi batizado de “carrossel holandês”. Havia disciplina tática, condicionamento físico e muita técnica. Um por um os adversários iam caindo. Na primeira fase, num grupo dificílimo com Uruguai, Suécia e Bulgária, os holandeses terminaram em primeiro com três grandes apresentações. Na segunda fase, num grupo ainda mais difícil (havia duas fases de grupos), golearam a Argentina por 4X0, venceram a Alemanha Oriental por 2X0, o mesmo placar do jogo decisivo contra o Brasil, campeão do mundo em 70 e que contava com craques como Rivelino, Paulo César Caju, Ademir da Guia, Jairzinho e Luis Pereira. A velocidade que o time jogava assim como a sincronia com que todos avançavam quando tinham a bola e recuavam quando não tinham, lhes rendeu o apelido, inspirado no filme de 1972 (de Stanley Kubrick), de Laranja Mecânica, alusão feita a camisa que usavam (laranja) e ao estilo de jogo. O jogo final seria contra a dona da casa, a Alemanha Ocidental, de Beckenbauer,Gerd Muller e Rummenigge. Dias antes do jogo a imprensa alemã espalhou boatos que havia casos homo-sexuais no time holandês, gerando especulações e instabilidade entre eles. Também dizem que, na véspera, os jogadores brigaram por causa da divisão da premiação que ganhariam, o que explicaria a apatia e displicência tática do primeiro tempo. Ainda reclamam de um pênalti mandrake concedido aos alemães. Muitas são as explicações e desculpas, mas o fato é que a Holanda perdeu por 2X1 e ficou apenas com o Vice. Fato que fez com que o craque Cruyff e o técnico Rinus Michels abandonassem a seleção.

Dois anos mais tarde se classificaram para Eurocopa pela primeira vez, mas acabaram apenas na terceira colocação. Em 78, na Argentina, o time já não tinha o mesmo brilho, mas ainda era forte e competitivo, chegou a final novamente, mas perdeu para os donos da casa na prorrogação. Um final melancólico para uma geração brilhante.

Entre o final dos anos 70 e inicio dos 80, a laranja passou por uma entressafra. Fez campanha modesta na Euro de 80, não se classificou para a de 84 e nem para as copas de 82 e 86. Porém no final dos anos 80, uma segunda geração vitoriosa, tanto na seleção quanto em clubes (seriam campeões europeus pelo PSV em 88 e pelo Milan em 89 e 90), colocaria a laranja de volta no caminho das vitórias. Na Euro de 88 o técnico era novamente Rinus Michels, e junto com ele levou jovens promissores como Frank Rjikaard, Van Basten, Koeman e Ruud Gullit, e apesar do tropeço na primeira rodada contra os soviéticos (0X1), o jogo seguinte contra a Inglaterra, quando venceram por 3X1, deixou claro que aqueles eram garotos diferenciados. Mais uma boa apresentação contra os Irlandeses (1X0) e eles estavam prontos para a revanche contra a Alemanha Ocidental (novamente anfitriões) nas semifinais. A vitória por 2X1 e o show de Van Basten e cia sobre a poderosa Alemanha, de Matthaus, Klinsmann e Voller, lavou a alma dos holandeses. Na final iriam enfrentar a mesma URSS que os havia derrotado no primeiro jogo, mas a vitória por 2X0 foi categórica. Assim alcançavam a maior gloria do futebol neerlandês até hoje.

A vitória na Euro trouxe esperança de um titulo mundial, mas os anos 90 não seriam tão generosos. Na primeira copa da década, a de 90, o time fez uma campanha ruim e acabou eliminado nas oitavas contra seus arqui-rivais germânicos (1X2), que seriam campeões. Na Euro 92 foi eliminada, nos pênaltis (2X2), pela futura campeã Dinamarca. Em 94 o time vinha bem, até que esbarrou, nas quartas, no pragmático time do Brasil (2X3) de Romario e Bebeto, que também seria campeão. Dessa forma, novamente uma grande geração de craques da laranja ficaria sem um titulo mundial. O fiasco na Euro de 96, com problemas de racismo, parecia prenuncio de tempos difíceis. Mas uma nova geração, que contava Bergkamp, Cocu, Kluivert, Seedorf, Zenden, Van Bronckhorst e Van Der Sar, comandados pelo grande técnico Guus Hiddink, chegaram às semifinais da Copa de 98, quando novamente cairam diante do Brasil, nos pênaltis (1X1). Os pênaltis foram novamente cruéis na Euro de 2000, jogando em casa e fazendo uma campanha irrepreensível, foram eliminados pela Itália na semifinal depois de 0X0 no tempo normal e na prorrogação. Caíram invictos. De maneira inacreditável o time não se classificou pra Copa do 2002, e as duas derrotas para Portugal, de Felipão, Figo e Cristiano Ronaldo, nas semifinais da Euro 2004 e nas oitavas da Copa de 2006 decretaram o fim de mais uma geração, sem títulos.

O time atual conta com ótimos jogadores, habilidosos, alguns deles já jogaram a Copa de 2006, e a maioria a Euro 2008. Nessas ocasiões apresentaram um futebol atraente, mas perderam como sempre. A defesa conta com Heitinga (Everton), Mathijsen (Hamburgo) e os veteranos Van Bronkhorst (Feyenoord) e Ooijer (PSV). No meio tem Van Bommel (Bayer de Munique), Nigel de Jong (Manchester City), Sneijder (Internazionale) e Van Der Vart (Real Madrid). E um ataque fulminante com Van Persie (Arsenal), Dirk Kuyt (Liverpool), Robben (Bayer de Munique) e Huntelaar (Milan). Timaço.

O desafio da geração atual é o mesmo das anteriores: provar que podem levar a laranja a um titulo mundial. Os três confrontos entre Brasil e Holanda citados (70, 94 e 98)são unicos encontros entre os paises em copas

Palpite: Brasil 2X1 Holanda

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Chile



Capital: Santiago

População: 17 milhões

Títulos Oficiais: Nenhum

FIFA ranking: 18

Primeiro Jogo Internacional: Argentina 3X1 Chile (1910)

Maior Goleada Aplicada: Chile 7X0 Venezuela (1979) e Chile 7X0 Armênia (1997)

Maior Goleada Sofrida: Brasil 7X0 Chile (1959)

Participações em Copa: 7 (1930, 1950, 1962, 1966, 1974, 1982, 1998 )

Melhor Colocação: Terceiro Lugar (1962)

Apesar da popularidade do esporte no país, o Chile nunca conquistou um titulo oficial. Suas melhores participações em campeonatos continentais foram os dois vices nas Copas América de 79 e 87 e a segunda colocação conquistada no antigo sul-americano de seleções, em 1955. Na Copa do Mundo fez três grandes participações: Na primeira copa, a de 1930, venceu o México (3X0) e a França (1X0), e só foi derrotado pela Argentina(1X3), que viria a ser vice-campeã, ficando assim em quinto lugar. Em 1962, quando foi anfitriã, a seleção chilena voltou a brilhar e chegou ao terceiro posto do torneio, e conseguiu isso com um time de pouca técnica e muita truculência. Neste time jogavam ídolos chilenos como Ramírez, Jorge Toro, Rojas e principalmente Leonel Sánchez, artilheiro da Copa. Na primeira fase eliminaram a Itália, vencendo a Azzura por 2x0. Na fase seguinte venceram a forte seleção da URSS, de Yashin, por 2X1, mas perderam para o Brasil (futuro campeão) por 4X2 nas semi-finais. Terminaram sua participação vencendo por 1X0 a seleção da Yugoslavia na decisão do terceiro lugar. A ultima boa participação do Chile ocorreu em 98, quando Marcelo Salas e Zamorano conseguiram uma difícil classificação às oitavas de final e perderam para o Brasil por 4X1. Esses dois encontros citados, em 62 e 98, foram os únicos entre as duas seleções na historia das Copas.

O time atual, escalado por “El Loco” Bielsa, tem demonstrado grande potencial ofensivo, com os atacantes Mark Gonzalez (CSKA), Suazo (Zaragoza) e Aléxis Sanchez (Udinese), e com o meio-campistas Valdivia, ex-palmeiras e atualmente no Al-Ain, Arturo Vidal (Bayer Leverkusen) e Matias Fernández (Sporting). O Goleiro Cláudio Bravo (Real Sociedad), capitão do time, tem sido pouco vazado.

Nos últimos anos o time de Dunga tem se saído bem contra times que se lançam ao ataque, e isso é especialmente verdade quando se trata do Chile, nos últimos cinco confrontos entre os times, o Brasil marcou 21 gols e sofreu apenas 1.

Palpite: Brasil 3 X 0 Chile

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Portugal



Capital: Lisboa

População: 10 milhões

Títulos Oficiais: Nenhum

FIFA ranking: 3

Primeiro Jogo Internacional: Espanha 3X1 Portugal (1921)

Maior Goleada Aplicada: Portugal 8X0 Liechtenstein (1994), Portugal 8X0 Liechtenstein (1999) e Portugal 8X0 Kuwait (2003)

Maior Goleada Sofrida: Portugal 0X10 Inglaterra (1947)

Participações em Copa: 4 (1966, 1986, 2002 e 2006)

Melhor Colocação: Terceiro Lugar (1966)


Portugal teve 3 grandes gerações de sucesso. A Primeira tinha como base o grande time do Benfica, bicampeão europeu (61 e 62). Seu grande destaque foi o moçambicano naturalizado português Eusébio. Na copa de 1966, o time comandado pelo técnico brasileiro Otto Gloria, eliminou o Brasil na primeira fase, e alcançou a terceira posição do torneio, sendo Eusébio o artilheiro da competição com 9 gols. A segunda geração veio 20 anos depois, e tinha como base a time do Porto (que seria campeão europeu em 1987). Esta geração chegou às semi-finais da Eurocopa de 1984, porém, decepcionou na copa de 1986 ao ser eliminada na primeira fase. Na copa de 2002 havia muita expectativa com relação ao time que havia sido campeão mundial sub-20 dez anos antes, e principalmente sobre o recém eleito melhor jogador do mundo, Luís Figo. O selecionado Luso, porém, acabou novamente eliminado na primeira fase, perdendo para Coréia do Sul e EUA. Dois anos mais tarde, na Eurocopa, reforçado pelo craque Cristiano Ronaldo e pelo técnico Luiz Felipe Scolari, o time alcançou o inédito vice-campeonato. A Consagração veio na copa de 2006, quando chegaram nas semi-finais.

Além do craque e capitão Cristiano Ronaldo (Real Madrid), eleito melhor do mundo em 2008, a seleção portuguesa conta com os luso-brasileiros Pepe, Deco e Liedson (zagueiro/Real Madrid, meio-campista/Chelsea e atacante/Benfica, respectivamente), com os zagueiros Ricardo carvalho e Paulo Ferreira (ambos do Chelsea), o meio-campista Tiago do Atlético de Madrid, e os atacantes Simão (Atlético de Madrid) e Hugo Almeida (Werder Bremen). Um time muito bom que conta com jogadores que atuam entre os melhores times da Europa. Mais um osso duro que o Brasil vai enfrentar.




Palpite: Brasil 0X0 Portugal

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Costa do Marfim


Capital: Abidjan

População: 20 milhões

Títulos Oficiais: 1 Copa das Nações Africanas e 3 CEDEAO Cup

FIFA ranking: 27

Primeiro Jogo Internacional: Costa do Marfim 3X2 Dahomey (1960)

Maior Goleada Aplicada: Costa do Marfim 6X0 Mali (1985), Costa do Marfim 6X0 Botswana (1992), Costa do Marfim 6X0 Niger (2000) e Costa do Marfim 6X0 Madagascar (2001)

Maior Goleada Sofrida: Costa do Marfim 2X6 Gana (1971) e Malawi 5X1 Costa do Marfim (1974)

Participações em Copa: 1 (2006)

Melhor Colocação: Primeira Fase (2006)

Os primeiros resultados significativos dos marfinenses aconteceram na segunda metade da década de 60,quando o time chegou 3 vezes seguidas às semi-finais da copa africana de nações (65, 68 e 70). Depois disso só voltou a brilhar nos anos 80 quando foi duas vezes campeão (83 e 87) da CEDEAO cup, competição que reúne times do oeste africano, além da terceira colocação na copa africana de 1986. Nos anos 90 voltou a vencer a CEDEAO cup (91), e se sagrou campeã africana em 1992, a maior gloria da seleção até hoje. A partir da segunda metade dos anos 2000, a seleção comandada pelo craque Didier Drogba voltou a obter bons resultados, sendo vice-campeã africana em 2006 e conseguindo uma classificação inédita à copa do mundo do mesmo ano, onde, apesar das boas performances, acabou eliminada na primeira fase devido ao fato de ter caído no grupo mais difícil do mundial.

O time atual é experiente, habilidoso e forte fisicamente. Conta com vários destaques que, em sua maioria, jogam no futebol europeu. A defesa conta com jogadores como Eboué (Arsenal), Kolo Touré (Manchester City) e Arthur Boka (Stuttugart). No meio de campo a dupla Didier Zokora e Romaric do Sevilla, Além de Keita (Galtasaray) e Yaya Touré (Barcelona). E no ataque os habilidosos Gervinho (Lille), Dindane (Lekhwiya) e a dupla do Chelsea, Drogba e Kalou, estaã a disposição.
Apesar de ter caído novamente no grupo mais complicado da copa, o time tem grandes chances de avançar e até mesmo de chegar às semi-finais. Certamente um osso duro de ruer para o Brasil.

Palpite: Brasil 3X2 Costa do Marfim

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Coréia do Norte


Capital: Pyongyang

População: 24 milhões

Títulos Oficiais: Nenhum

FIFA ranking: 106

Primeiro Jogo Internacional: China 0X1 Coréia do Norte (1956)

Maior Goleada Aplicada: Coréia do Norte 21X0 Guam (2005)

Maior Goleada Sofrida: Bulgária 6X1 Coréia do Norte (1974) e Polônia 5X0 Coréia do Norte (1976)

Participações em Copa: 1 (1966)

Melhor Colocação: quartas de final (1966)



O primeiro adversário do Brasil na copa é um país com quase nenhuma expressão no futebol. Quase nenhuma porque o país foi um dos destaques da única copa que participou, em 1966. Naquele ano, num grupo com Itália, URSS e Chile, se tornou a primeira seleção da Ásia a passar da fase de grupos, vencendo a Itália na última rodada por 1X0, e dessa forma eliminando a Azzurra. Nas quartas de final, contra fortíssima seleção portuguesa de Eusébio, o time começou vencendo por 3X0, porém tomou a virada e perdeu por 5X3, no que é considerado um dos jogos mais emocionantes da historia das copas.

Neste ano deve ser apenas um mero figurante, sendo o saco de pancadas de seu grupo. A grande maioria dos jogadores joga dentro do próprio pais, e o destaque do time é o atacante Hong Yong-Jo, que joga no inexpressivo FC Rostov, time de pequeno porte da Rússia.

Uma curiosidade é que o ditador Kim Jong-Il proibiu que os jogos fossem transmitidos ao vivo, pois somente os jogos que ele considerar que a seleção jogou bem serão transmitidos para a população.



Palpite: Brasil 4X0 Coréia do Norte

sábado, 20 de março de 2010

Palestina para os palestinos!


A definição dos diplomatas dos EUA, Rússia, UE e ONU, nesta sexta-feira, dia 19 de março de 2010, é daquelas decisões que entra para os livros de historia. O ultimato enviado a Israel para que se (re) inicie um Estado Palestino, no prazo máximo de dois anos, é inesperado e animador. Esse é o primeiro passo para que se corrija uma das maiores injustiças da historia humana recente.

A Palestina, região localizada entre a África e o Oriente Médio, é alvo de disputas desde o século XV a.C., quando foi disputada entre persas e egípcios, sendo conquistada por estes. Porém esta foi só a primeira de inúmeras disputadas por esta terra que, com o passar do tempo, se tornou sagrada para Cristãos, Judeus e Mulçumanos. Por volta do século XIII d.C. os árabes mulçumanos dominaram e se instalaram na região, que ainda seria conquistada e re-conquistada algumas vezes, mas sempre por paises árabes, especialmente pelos Impérios Otomano e Egípcio. Até o século XX. Na I Guerra Mundial o Império Turco-Otomano fez parte da Tríplice Aliança, ao lado de Alemanha e Itália. Uma das conseqüências da derrota foi perder a posse da Palestina, que foi parar na mão do britânicos. Apesar disso o país manteve autonomia, pois não houve imposição religiosa ou cultural, podendo até participar da copa do mundo de 1934.

Com o fim da II Guerra Mundial, muitos refugiados e vitimas do holocausto não queriam voltar a seus paises de origem, e começaram a migrar para a Palestina (sob domínio inglês), que, segundo texto sagrado, é a terra prometida aos Judeus. Porém, isso desagradava os habitantes locais, pois essa sim era uma imposição cultural e religiosa. O grande impasse começa em 1947, quando o Reino Unido colocou nas mãos da ONU a responsabilidade sobre a região. A entidade decide, apesar da reprovação dos paises vizinhos e da Liga Árabe, dividir a região em 3 partes: Árabe, Judia e Jerusalém (Internacional), que apesar de separadas politicamente, deveriam ser economicamente unidas (uma espécie de união aduaneira). Essa foi uma idéia imprudente, injusta e ingênua pra dizer o mínimo. Forçar a criação de um Estado Judeu no meio de diversos paises Mulçumanos, que haviam se instalado na região cerca de 700 anos antes, certamente iria gerar instabilidades.

Um dia após a criação do Estado de Israel, em 15 de maio de 1948, a guerra civil começa. Os palestinos contaram com o apoio dos vizinhos Líbano, Jordânia, Síria e Egito, que, no entanto foram derrotados por Israel, graças à ajuda militar estado-unidense. Durante a guerra, os palestinas foram incentivados a se refugiar nos paises vizinhos. Com o fim da guerra e a vitória israelita, esses refugiados ficaram impedidos de voltar ao seu país. Após um período inicial de estadia nos países árabes vizinhos, muitos destes refugiados são expulsos desses países de acolhimento, dirigindo-se para o sul do Líbano, onde permanecem em campos de refugiados até hoje. Israel alega que se permitir o retorno dos refugiados ficara em minoria em seu próprio país. Isso é um absurdo, aquele país é muito mais dos palestinos que dos israelenses!

Com o passar dos anos outras guerras entre árabes e israelenses aconteceram, sempre com vitória de Israel, que acabou anexando regiões do Egito, Síria, Jordânia e Líbano. A vitória definitiva aconteceu na guerra dos seis dias em 1967, quando os paises árabes desistiram da causa palestina. Sob domínio israelita, os palestinos sempre sofreram maus tratos dentro de seu próprio país, como a proibição de construir poços artesianos ou a atual proibição da entrada de palestinos em Jerusalém para rezar. È de se espantar que um povo que tenha sofrido o holocausto faça hoje coisas semelhantes com os palestinos.

Esse ultimato é inesperado, pois a ONU e os EUA sempre foram favoráveis a Israel. Apesar de tardia, essa decisão é muito importante para a correção de graves erros. Que isso seja levado a serio e que se forme um estado Palestino descente, com saída para o mar e fronteiras com outros paises árabes, além é claro, da posse de Jerusalém, que por direito é dos árabes. Não defendo a total extinção do Estado de Israel, pois afinal, ele já existe a mais de meio século, gerações de judeus nasceram lá, e isso tem que ser considerado. Não é possível negar, no entanto, que grande parte dos conflitos no Oriente Médio nos últimos 50 anos tenho sido gerado direta ou indiretamente por Israel e seus parceiros Ocidentais. A construção de um Estado palestino descente, como citei, é requisito mínimo para a paz.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Hegemonía Paulista

Essa matéria esta sendo postada com um pouco de atraso, mas foi devidamente adaptada.

O Campeonato Brasileiro de Futebol do ano passado, e o inesperado titulo do Flamengo, derrubou uma das mais persistentes escritas do nosso futebol: desde 1993, todo ano, o campeão e/ou o vice-campeão brasileiro era paulista, e desde 1989 só em 1992 que não havia nenhum paulista entre os 2 primeiros colocados. Nos 5 anos anteriores (2004 até 2008) todos os campeões eram de São Paulo. Ano passado com o titulo rubro-negro e o vice campeonato do Internacional-RS essa escrita caiu por terra(apesar de o São Paulo ter feito a mesma quantidade de pontos do Inter, tinha menos vitorias e portanto ficou em terceiro), porém essa hegemonía chegou a ser tão acentuada que em 2004, se o São Caetano não tivesse perdido pontos pela morte do jogador Serginho, dos 6 primeiros colocados 5 seriam paulistas. E apesar dos maus resultados dos paulistas em 2009, não quer dizer que a disputa entre estados passará a ser mais equilibrada daqui pra frente...

O que aconteceu no último brasileirão não foi algo normal. Palmeiras e São Paulo que disputaram a ponta durante a maior parte do campeonato passaram por crises acentuadas e até certo ponto inexplicáveis (especialmente o Palmeiras), e o Flamengo, que não fez uma campanha de campeão brasileiro, se aproveitou disso e a 2 rodadas do fim assumiu a liderança e foi campeão. Digo que não fez uma campanha de campeão porque se tivesse feito em 2008, por exemplo, os mesmo 67 e 19 vitorias o time ficaria em quarto lugar. Em 2007 o Campeão teve 77 pontos, 10 a mais, e em 2006, o primeiro ano dos pontos corridos com 20 equipes, o campeão fez 78, 11 a mais. Não quero por meio destes argumentos desmerecer o titulo flamenguista, que soube crescer na hora certa e venceu confrontos decisivos na hora certa, sem contar na espetacular recuperação do time, que chegou a flertar com a zona de rebaixamento e acabou na ponta da tabela, fatos estes que credenciam qualquer time ao titulo. Porém não é possível ignorar a natureza anormal do campeonato, que possibilitou tal façanha ao Flamengo.

Nunca houve, em 120 anos de campeonato inglês, um campeonato que na ultima rodada 4times pudessem ser campeões, e 6 times na penúltima. Também nunca houve um time que assumiu a ponta na penúltima rodada. Fatos que mostram o quão anormal foi o brasileirão 2009, mesmo levando em consideração o alto nível de competitividade dos campeonatos brasileiros. Em 2010, provavelmente de volta a normalidade, os times paulistas serão potagonistas novamente, tendo em vista seu maior poder esconômico e melhor estrutura. Bem verdade que os times do Rio Grande do Sul são tão bem estruturados e ricos como os de São Paulo, mas sobre os potenciais aspirantes ao titulo de 2010 farei uma matéria mais adiante.

Antes que eu continue, gostaria de deixar claro que não tenho a intenção de dizer que São Paulo é melhor ou qualquer coisa do gênero, simplesmente gostaria de atentar ao fato de como os times bandeirantes são disparados os mais vitoriosos do Brasil.

Na contabilidade dos títulos brasileiros desde 71, São Paulo tem 17 títulos, o Rio de Janeiro tem 12(isso contando com o polêmico titulo do Flamengo em 87), o Rio Grande do Sul tem 5, Minas Gerais e Paraná tem 2, Bahia e Pernambuco tem 1. Se contarmos a Taça Brasil e o Robertão que eram os Brasileirões dos anos 50 e 60 a diferença aumenta: SP-27, RJ-14, RS-5, MG-3, PR e BA-2, e PE-1. São Paulo manteve a hegemonía nacional nos anos 60, 70, 90 e 00, deixando de ser a principal força do pais somente nos anos 80, quando o Rio de Janeiro foi o melhor.
Essa hegemonía se mantém se forem comparados o desempenho por estado em outros campeonatos. A seguir uma lista com os principais torneios:

MUNDIAL: SP-5*, RS-2 e RJ-1

LIBERTADORES: SP-6, RS-3, RJ e MG- 2

COMPETIÇÕES SUL-AMERICANAS SECUNDÁRIAS**: SP e MG-4, RJ-3 e RS-1

COPA DO BRASIL: SP e RS-6, MG-4, RJ-3, SC e PE-1

TORNEIO RIO-SP: -Com os titulos divididos: SP-18 e RJ-10
-Sem os títulos divididos: SP-15 e RJ-7


* Sem contar os títulos do Corinthians/2000 e Palmeiras/1951
** SUPERCOPA+COPA CONMEBOL+COPA MERCOSUL+COPA SUL-AMERICANA