O Campeonato Brasileiro de Futebol do ano passado, e o inesperado titulo do Flamengo, derrubou uma das mais persistentes escritas do nosso futebol: desde 1993, todo ano, o campeão e/ou o vice-campeão brasileiro era paulista, e desde 1989 só em 1992 que não havia nenhum paulista entre os 2 primeiros colocados. Nos 5 anos anteriores (2004 até 2008) todos os campeões eram de São Paulo. Ano passado com o titulo rubro-negro e o vice campeonato do Internacional-RS essa escrita caiu por terra(apesar de o São Paulo ter feito a mesma quantidade de pontos do Inter, tinha menos vitorias e portanto ficou em terceiro), porém essa hegemonía chegou a ser tão acentuada que em 2004, se o São Caetano não tivesse perdido pontos pela morte do jogador Serginho, dos 6 primeiros colocados 5 seriam paulistas. E apesar dos maus resultados dos paulistas em 2009, não quer dizer que a disputa entre estados passará a ser mais equilibrada daqui pra frente...O que aconteceu no último brasileirão não foi algo normal. Palmeiras e São Paulo que disputaram a ponta durante a maior parte do campeonato passaram por crises acentuadas e até certo ponto inexplicáveis (especialmente o Palmeiras), e o Flamengo, que não fez uma campanha de campeão brasileiro, se aproveitou disso e a 2 rodadas do fim assumiu a liderança e foi campeão. Digo que não fez uma campanha de campeão porque se tivesse feito em 2008, por exemplo, os mesmo 67 e 19 vitorias o time ficaria em quarto lugar. Em 2007 o Campeão teve 77 pontos, 10 a mais, e em 2006, o primeiro ano dos pontos corridos com 20 equipes, o campeão fez 78, 11 a mais. Não quero por meio destes argumentos desmerecer o titulo flamenguista, que soube crescer na hora certa e venceu confrontos decisivos na hora certa, sem contar na espetacular recuperação do time, que chegou a flertar com a zona de rebaixamento e acabou na ponta da tabela, fatos estes que credenciam qualquer time ao titulo. Porém não é possível ignorar a natureza anormal do campeonato, que possibilitou tal façanha ao Flamengo.
Nunca houve, em 120 anos de campeonato inglês, um campeonato que na ultima rodada 4times pudessem ser campeões, e 6 times na penúltima. Também nunca houve um time que assumiu a ponta na penúltima rodada. Fatos que mostram o quão anormal foi o brasileirão 2009, mesmo levando em consideração o alto nível de competitividade dos campeonatos brasileiros. Em 2010, provavelmente de volta a normalidade, os times paulistas serão potagonistas novamente, tendo em vista seu maior poder esconômico e melhor estrutura. Bem verdade que os times do Rio Grande do Sul são tão bem estruturados e ricos como os de São Paulo, mas sobre os potenciais aspirantes ao titulo de 2010 farei uma matéria mais adiante.
Antes que eu continue, gostaria de deixar claro que não tenho a intenção de dizer que São Paulo é melhor ou qualquer coisa do gênero, simplesmente gostaria de atentar ao fato de como os times bandeirantes são disparados os mais vitoriosos do Brasil.
Na contabilidade dos títulos brasileiros desde 71, São Paulo tem 17 títulos, o Rio de Janeiro tem 12(isso contando com o polêmico titulo do Flamengo em 87), o Rio Grande do Sul tem 5, Minas Gerais e Paraná tem 2, Bahia e Pernambuco tem 1. Se contarmos a Taça Brasil e o Robertão que eram os Brasileirões dos anos 50 e 60 a diferença aumenta: SP-27, RJ-14, RS-5, MG-3, PR e BA-2, e PE-1. São Paulo manteve a hegemonía nacional nos anos 60, 70, 90 e 00, deixando de ser a principal força do pais somente nos anos 80, quando o Rio de Janeiro foi o melhor.
Essa hegemonía se mantém se forem comparados o desempenho por estado em outros campeonatos. A seguir uma lista com os principais torneios:
MUNDIAL: SP-5*, RS-2 e RJ-1
LIBERTADORES: SP-6, RS-3, RJ e MG- 2
COMPETIÇÕES SUL-AMERICANAS SECUNDÁRIAS**: SP e MG-4, RJ-3 e RS-1
COPA DO BRASIL: SP e RS-6, MG-4, RJ-3, SC e PE-1
TORNEIO RIO-SP: -Com os titulos divididos: SP-18 e RJ-10
-Sem os títulos divididos: SP-15 e RJ-7
* Sem contar os títulos do Corinthians/2000 e Palmeiras/1951
** SUPERCOPA+COPA CONMEBOL+COPA MERCOSUL+COPA SUL-AMERICANA
Esses números não são novidades para nenhum bom entendedor de futebol.
ResponderExcluirOs clubes de futebol de São Paulo possuem a melhor gestão do esporte do país.
Não que isso seja uma gestão extremamente eficiente, e sim que é melhor que a média nacional.
Os clubes do Rio Grande do Sul (Grêmio e Internacional) começaram nesta última década a se estruturarem e entenderam que uma gestão de qualidade, com atenção especial para as categorias de base podem trazer grandes resultados.
O Internacional foi campeão de todos os torneios que disputou, exceto o cmapeonato brasileiro devido ao polêmico título corinthiano de 2005. E ano passado por pouco não conquista a tríplice coroa.
O Grêmio saíu de uma queda para a segunda divisão para, em um ano e meio, ser finalista da Libertadores. Trabalho sério que dá resultado.
A gestão do esporte, principalmente do futebol, no Brasil ainda é bem distante de ser 100% profissional. A diferença dos clubes, principalmente entre SP e RJ, passa pela cultura dos dois locais.
O RJ sempre foi e continua sendo pouco profissional, com privilégios a alguns jogadores que beira o ridículo. O jogador Adriano, por exemplo, pode faltar em quantos treinos quiser, ganha um salário desproporcional a do elenco do Flamengo e outros privilégios à sua escolha.
Os técnicos são o maior exemplo de desorganização carioca. Qual foi o último grande técnico que ficou pelo menos 2 anos em um clube carioca ? O chamado "projeto" dura 3 rodadas e pronto. Assim, um plajenamento a longo prazo se perde nesses detalhes, que uma boa gestão não falharia.
Além disso, contratos com salários astronômicos, que atrasam, não são pagos e dezenas de processos milionários mostram como a parte financeira, tão fundamental em qualquer gestão, não é levada em conta. A conta, aliás, fica para a população brasileira, com "Times Mania" e outras ideias do governo federal.
São Paulo mostra que aprendeu algumas pequenas lições a mais sobre gestão que os clubes cariocas e de outros Estados. E estão aproveitando a grande estrela que é a cidade de São Paulo para conseguir grandes patrocinadores, visão internacional e outros benefícios que ajudam a equilibrar as contas e na contratação de grandes nomes do futebol.
Hoje, jogadores na Europa voltam ou para o clube do coração, ou para os clubes de São Paulo, na sua maioria.
O resultado de tudo isso está nos números deste post.
Henrique Vasconcellos Silva