domingo, 24 de novembro de 2013

Um Pouco Sobre o Mensalão.

Aconteceu finalmente. Gerações esperaram por este momento no Brasil: crime do colarinho branco sendo investigado a fundo e punido com severidade. Tirando meia dúzia de militantes que sofreram lavagem cerebral gritando “Dirceu guerreiro do povo brasileiro” na porta delegacia, o restante do país vive um momento de satisfação e esperança pelo fim da impunidade.

Mas chamo a atenção para um discurso perigoso de boa parte das pessoas e que foi bem expresso pela capa da Veja dessa semana:

“O STF decreta a prisão dos condenados do maior esquema de corrupção da historia”

Maior? Sob qual critério? Pelo volume de recursos desviados, alguns diriam.

Vejamos, segundo a Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União, o Mensalão lesou o erário público em R$ 102 milhões. No caso do cartel do Metrô e da CPTM, o Ministério Público e o CADE (com base em documentos da Siemens) concluíram que os cofres paulistas foram lesados em R$ 425 milhões. Enquanto isso a Controladoria- Geral do Município de São Paulo aponta fraude de R$ 500 milhões na última gestão. Isso só pra citar dois casos recentes, fáceis de puxar pela memória...

“Mas no Governo Federal o Mensalão foi o maior!” Talvez tenha sido...talvez não...

Em 2005 o ex-deputado Roberto Jefferson fez uma denúncia grave contra o governo. Essa denúncia foi investigada, apurada, julgada e agora vemos as penas sendo aplicadas.

Em 1998 o governo foi acusado de ter comprado a emenda da re-eleição (que o próprio Fernando Henrique admitiu, dez anos após o termino de seu mandato, que pode ter acontecido). O que houve com essa denúncia? NADA! Nem CPI.

Em 1992 a Polícia Federal denunciou e indiciou 400 empresas e 110 empresários por manterem relacionamento escuso com o governo do ex-presidente Collor. Na época se falava em cifras que hoje representariam mais de R$ 1 Bilhão. A investigação não foi pra frente, não houve julgamento e os crimes prescreveram.

A corrupção dos governos militares se perderam no limbo uma vez que não se podia nem denunciar, quem dirá investigar tais crimes.

Enfim, a lista é extensa...

Existe hoje uma clara tentativa de hierarquização da corrupção, como fica explicito na manchete da revista supracitada. O Mensalão é um mero exemplo de uma pratica infelizmente comum no Brasil, tanto na vida pública quanto privada.

O perigo de tratar esse caso como o principal/mais greve/maior de todos é que então esse seria merecedor de mais atenção que os outros. O Mensalão não pode ser um regime de exceção, precisa ser um ponto de virada. Se nossa indignação for seletiva, os outros casos, tão graves quanto este, não serão punidos com a mesma severidade e assim voltaremos para a normalidade dos casos que acabam em pizza.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Sobre Embargos e Infringentes

Nós já estamos cansados de ver tantos infringentes saírem impunes, e a decisão de hoje do STF não é nada alentadora. A hipótese de um aparelhamento do Supremo Tribunal Federal pelo PT (da mesma forma que é feito em repartições públicas e estatais) surgiu natural e instantaneamente, mas tenhamos mais parcimônia ao julgarmos nossos ministros.

O Supremo tomou importantes e acertadas decisões nos últimos anos, inclusive com relação à moralização da classe politica. Qualquer um que pesquisou o tema com honestidade sabe que a questão julgado hoje é polêmica e discutida há muitos anos, tendo diversos argumentos em pró e contra.

Não! Eu não acredito num embargo da justiça pelo Partido do Trabalhadores, pois se assim o fosse os réus do mensalão teriam sido inocentados há um ano, mas, ao contrario, tiveram um julgamento rígido e sem clemência.

Qual o sentido em aplicar duras punições para depois de um ano reabrir o processo e rever parte dessas penas? Alias, essa é outra questão, dos 39 condenados, apenas 12 poderão ter a pena revista e apenas 2 poderão ser inocentados (nenhum dos dois ligados ao PT).

Um embargo da justiça pelo PT para defender seus infringentes parece ainda mais ilógico porque não é interessante nem pro partido, que verá estampado nos jornais o assunto mensalão novamente em um ano de eleição.

Os ministros, que vem nos dando boas noticias nos últimos anos, se expuseram ao linchamento público com essa decisão impopular (da mesma forma que eu estou me expondo ao defender a legitimidade dela, apesar de ser contra os embargos infringentes).

Não me entendam mal, eu também terei muita satisfação em ver esses mensaleiros na cadeia, mas a realidade não é essa coisa tão dicotômica que alguns creem, onde tudo é conspiração. Se procuram por vilões, talvez o encontrem na lentidão da justiça ou nas ausência de uma lei clara sobre o tema, que abre brechas, mas atuação dos ministros é legitima apesar ter trazido uma decisão catastrófica do ponto de vista da moralização.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A Farsa do Bolsa Bandido

“Vai transar? O governo dá camisinha. Já transou? O governo dá a pílula do dia seguinte. Teve o filho? O governo dá o Bolsa Família. RESOLVEU VIRAR BANDIDO E FOI PRESO? O GOVERNO DÁ O BOLSA BANDIDO. Todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa de R$ 915,05 “por filho”. Agora experimenta estudar e andar na linha pra ver o que te acontece! Salário mínimo R$ 622,00 . Se você é brasileiro passe adiante”

Você provavelmente já se deparou com o texto acima na sua timeline do facebook (ou através do seu e-mail). Além de eivado de preconceito, o trecho também está cheio de desinformação. É impressionante como meia dúzia de linhas pode conter tantos erros conceituais e factuais sobre um tema. Direto ao ponto:

1. O nome do beneficio é Auxilio Reclusão.

2. Só tem direito ao beneficio presidiários em regime fechado ou semi-aberto que contribuam com a previdência social. Dessa forma o beneficio é um seguro social e não uma bolsa.

3. Quem recebe é a família do preso.

4. O valor do auxilio corresponde a 80% da média das maiores contribuições do período contributivo, tendo valor mínimo de R$ 615,95 e valor máximo de R$ 971,78 (na época que o tema viralizou na internet o beneficio variava entre R$ 580,00 e R$ 915, 05).

5. O valor médio por família no ano de 2011 foi próximo de R$ 680,00

6. Em 2011 o beneficio representou apenas 0,11% do gasto total do INSS.

7. A quantidade de filhos não influencia no valor recebido, não importa se o detento tem apenas um ou 3,7X1023 filhos.

8. A família perde o beneficio caso o detento obtenha liberdade, progrida para o regime aberto ou fuja do cárcere.

9. O Auxilio Reclusão foi criado pela Lei 3.807 de 26 de agosto de 1960, e não pelo governo do PT como o desdenhoso apelido de “bolsa bandido” nos induz a acreditar.

Opinião
Honestamente, eu não acho que esse beneficio seja uma má idéia por três razões. Primeiro, porque não representa um gasto significativo. Segundo, porque a ausência do principal provedor em uma família pobre pode significar o abandono da escola por parte dos filhos para trabalhar, além de ser uma porta de entrada para o crime. E terceiro, porque não me parece lógico que bandidos que cometam crimes hediondos consigam ter acesso a esse beneficio. Você já imaginou o Marcola ou o Fernandinho Beiramar indo na lotérica com seu talonário laranja, de contribuinte autônomo, para pagar a previdência? Quem tem acesso a esse valor é o pai de família, trabalhador (tanto que contribui com a previdência), que em algum momento se viu sem emprego e com uma família pra criar e assaltou o mercadinho da esquina.


Informação
Logo abaixo colocarei as fontes que utilizei, que se resumem a pagina do Auxilio Reclusão no site do INSS e ao Anuário Estatístico da Previdência Social 2011, mas não poderei finalizar o texto sem uma pequena lição de moral. É realmente constrangedor uma falácia tão evidente como está ter uma adesão tão grande simplesmente por ser um discurso conveniente, ainda mais partindo de gente com boas condições cognitivas e com acesso a informação. Gente que se considera elite intelectual porque assina uma revista semanal e que muitas vezes acha que quem recebe Bolsa Família não deveria poder votar por ser ignorante.



AUXILIO RECLUSÃO NO SITE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

ANUÁRIO ESTATÍSTICO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL 2011

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Guia de Política Econômica

Este é um guia resumido para quem quer entender o que são e como funcionam as Políticas Econômicas.

Política Econômica é o conjunto de medidas tomadas pelo governo de um país com o objetivo de atuar e influir sobre variáveis econômicas (produção, distribuição, consumo, etc.) interna (principalmente) e externamente (inclusive). Há duas maneiras de classificar Políticas Econômicas: pelos objetivos e pelas instrumentos. Com relação aos objetivos há três tipos:

1. Política Estrutural: visa modificar a estrutura econômica. São exemplos desse tipo de política a privatização/nacionalização de empresas e o combate/incentivo aos monopólios.

2. Política de Estabilização Conjuntural: visa superar desequilíbrios ocasionais, como a superação de crises.

3. Política de Expansão: visa prover desenvolvimento econômico. Controle da inflação e crescimento do PIB são pautas desse tipo de política.

Com relação às instrumentos, existem quatro tipos de Políticas Econômicas:

1. Política Monetária:
É o controle exercido pela autoridade monetária (no Brasil o Bacen) sobre a oferta de moeda e sobre a taxa de juros (custo da moeda). Consiste fundamentalmente em adequar os meios de pagamento às necessidades do sistema econômico como um todo. Os principais instrumentos de política monetária são os depósitos compulsórios, o redesconto bancário, as operações com títulos públicos, a taxa de juros, além, é claro, da emissão ou recolhimento de papel-moeda. É comumente utilizada em quatro situações: controle da inflação, combate ao desemprego, fomentar potencial crescimento da economia e para ajustar o valor da moeda em termos de moedas estrangeiras.

Bancos Centrais mais independentes priorizam resguardar o valor da moeda (interna e externamente), o que pode significar um entrave ao crescimento, às exportações e ao emprego. Governos que têm maior influência sobre a autoridade monetária muitas vezes utilizam a emissão de moeda para dar mais liquidez e dinamizar a economia, o que pode gerar pressões inflacionarias.  Quem quiser se aprofundar na relação negativa que há entre inflação e desemprego, procure por “Curva de Phillips”.

2. Política Fiscal
É o gerenciamento dos gastos e da arrecadação do governo visando alcançar objetivos sociais e macroeconômicos, como atenuar flutuações dos ciclos econômicos (crises), prover estabilidade de preços e o pleno emprego e promover o crescimento econômico. Existem dois tipos de política fiscal:

Expansionista – quando há uma redução da carga tributaria ou um aumento dos gastos do governo (ou as duas coisas). Relacionada à situação onde se objetiva crescimento econômico e atenuação dos impactos de um ciclo econômico.

Contracionista – quando há um aumento da carga tributária ou uma redução dos gastos do governo (ou as duas coisas). Relacionada a situações onde se objetiva o controle da inflação ou solucionar problemas relacionados a déficits fiscais.

Do ponto de vista da política fiscal externa, ou seja, a imposição de tarifas ou concessão de subsídios para exportação e importação é conhecida como Política Comercial.

3. Política Cambial
Diz respeito aos mecanismos de controle da taxa de câmbio da moeda nacional. Taxa de câmbio é simplesmente o preço da moeda nacional em termos de moeda estrangeiras. Existem duas maneiras de controle da taxa de câmbio por um governo:

Através de Moeda Nacional: Se o Banco Central emitir moeda em maior quantidade do que a média internacional, isso irá gerar uma desvalorização da moeda nacional, por outro lado, se o Banco Central recolher moeda da econômica em maior quantidade que a média internacional, a tendência será de valorização cambial. A dificuldade em exercer esse tipo de controle é que pode gerar certos distúrbios macroeconômicos como inflação ou falta de liquidez na economia.

Através de Moeda Estrangeira: Se a autoridade monetária despeja divisas (moedas estrangeiras com boa liquidez) na economia, haverá uma valorização da moeda nacional, por outro lado, se houver uma retenção de divisas, a tendência será de desvalorização de moeda nacional. A dificuldade nessa estratégia é que o país precisa acumular divisas, o que implica fazer superávits na Balança Comercial ou na Conta de Capital. Esse tipo de controle de câmbio é muito mais comum.

Tipos de Câmbio:

I.Câmbio Fixo
O Banco Central se compromete a manter uma taxa de cambio pré-determinada, seja por meio de compra/venda de moeda estrangeira de referência ou por meio de emissão/recolhimento de moedas nacional. A Argentina nos anos 90 usou esse tipo de câmbio.

II.Cambio Flutuante
O Banco Central não interfere na taxa de câmbio, que é determinada pelas forças de oferta e demanda do mercado de divisas. Historicamente os Estados Unidos atuam desta maneira.

III.Dirty Floating
O principio básico é o do câmbio flutuante, mas o Banco Central atua de forma pontual através de intervenções que influenciam a taxa de câmbio de maneira sistemática. O Brasil atualmente utiliza esse tipo de câmbio.

IV.Bandas Cambiais
O Banco Central permite que a taxa de câmbio seja definida livremente pelo mercado desde que fique dentro de uma faixa preestabelecida. Este foi o regime adotado no Brasil durante o primeiro governo FHC.

V.Currency Board
É um sistema onde a autoridade monetária se compromete a emitir moeda nacional somente até o limite o limite de reservas internacionais mantidas no país . A vantagem desse sistema é ter a mesma taxa de inflação do país de referência, porém perde-se a autonomia com relação à política monetária. É o caso atual da China.

4. Política de Rendas
É o controle exercido pelo governo sobre a remuneração dos fatores de produção, como salários, preços, lucros, depreciações, dividendos, etc. Geralmente tem como meta principal a promoção de justiça social, mas pode ter outros objetivos como foi o caso dos planos Cruzado, Bresser, Verão e Collor, que visavam combater a inflação mas que exerciam rígidos controles sobre preços e salários.

Um exemplo comum de política de rendas é o salário mínimo, presente em diversos países, e que pretende prover ao trabalhador o mínimo necessário para viver com dignidade. Outro exemplo é o programa Bolsa Família, implantado em 2003 no Brasil, com o objetivo de reduzir a desigualdade e erradicar a miséria.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Em Defesa do Hino Nacional

Hoje novamente irei comentar sobre um aspecto que gerou polêmica nas manifestações, a questão do nacionalismo. Depois que as manifestações tomaram proporções gigantescas, muitas pessoas levaram bandeiras do Brasil às ruas, muitas delas cantando o hino nacional. Em geral grande parte das pessoas que aderiram às manifestações foi tomada por um sentimento patriótico. Porém essa regra era quebrada por alguns grupos ligados à partidos políticos e a sindicatos que bradavam orgulhosos suas bandeiras vermelhas. Na visão do manifestante comum, que via nos partidos políticos instituições que falharam em nos representar, aquelas bandeiras vermelhas maculavam a manifestação. Do outro lado, os rubros acusavam os patriotas de fascismo. O enfrentamento foi inevitável.

Eu não vejo nenhum problema de se levantar bandeiras partidárias em protestos. No meu entendimento, porém, aquele momento era inadequado para tal, porque se tratava de algo maior, de luta por direitos e representatividade, e não de exposição ideológica. Ainda assim o direito de levantar qualquer bandeira tem que ser preservado. Enquanto a multidão clamava por “sem partido”, era apenas uma postura ideológica, mas abaixar as bandeiras à força foi sim um traço fascista.

Isso acabou desencadeando de setores da esquerda uma série de críticas ao comportamento patriota /nacionalista, que estaria estreitamente ligado a regimes ditatoriais. Farei aqui uma defesa do patriotismo, e começarei com algumas definições.

Nação – Reunião de pessoas com os mesmos costumes, hábitos, tradições e cultura, formando assim um povo
Pátria – Lugar onde o individuo nasceu ou foi criado e está ligado por vínculos afetivos e culturais, por valores e pela história.
Patriotismo – Sentimento de orgulho e devoção à sua pátria e aos seus símbolos.
Nacionalismo –Ideologia que valoriza a aproximação e identificação com uma nação. Leva a uma postura patriota.
Ufanismo – Ideologia de sobrevalorização irracional das qualidades de uma nação e mascaramento dos defeitos. Não admite críticas.
Xenofobia – Medo, preconceito, aversão e antipatia com relação a pessoas de outras pátrias ou nações.

Émile Durkheim, um dos sociólogos mais proeminentes de todos os tempos, costumava enfatizar a importância da coletividade na vida do individuo, que fazer parte de um grupo é fundamental para nós, animais sociais. É nesse contexto que termos como “pátria” e “nação” ganham importância, e símbolos que expressem essa afinidade com sua pátria são igualmente importantes.

O Patriotismo/Nacionalismo inspira um senso de coletividade que estimula deveres cívicos e morais, além de elevar auto-estima do grupo. O individuo que admira e respeita sua terra e seu povo terá uma tendência a uma atitude menos individualista e mais em prol do bem comum.

O Ufanismo, este sim, foi usado em diversos regimes ditatoriais, pois coloca os elementos nacionais como absolutos, perfeitos e superiores. A famigerada frase “Ame-o ou deixe-o” é ufanista, pois pressupõe um país perfeito, onde criticas não são bem vindas. O Patriotismo, ao contrario, pressupõe a existência de criticas, pois é através delas que podemos melhorar a realidade a nossa volta, e dessa maneira sentir mais orgulho, devoção e identificação por nossa pátria.

Em 2008 era muito comum pessoas que se posicionassem contra a escolha do Rio de Janeiro para ser sede das Olimpíadas de 2016 serem taxadas de antipatriotas, ainda que se pautassem em criticas bastante construtivas. Na minha visão, quem se posicionou contrario ao Rio 2016 foram mais patriotas de todos.

A Xenofobia é algo ainda mais nefasto que o Ufanismo, pois não apenas pressupõe que sua cultura, hábitos e costumes são superiores, mas que a cultura, hábitos e costumes de outros são ruins e devem ser menosprezadas.

Temos que saber separar as coisas. Sim, precisamos de senso crítico e saber aceitar a realidade para evoluir, mas também precisamos amar mais a nossa terra. Cantarei meu hino com orgulho.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

E as Pessoas Foram Pra Rua

Um aumento de vinte centavos na tarifa do transporte público abriu a caixa de pandora e milhões de pessoas em todo o país tomaram as ruas numa das mais relevantes serie de manifestações da historia do Brasil. Entender e interpretar o momento histórico é complicado, mas farei minha leitura dos acontecimentos até agora (com uma grande chance de mudar de opinião).

A Pauta
Chovendo no molhado: não foi por 20 centavos, apesar de está ter sido a pauta inicial dos protestos. Mas também não foi por causa da PEC 37, nem por causa dos gastos da Copa, nem por causa da corrupção, nem por causa da cura-gay, apesar de estes terem sido pautados nas manifestações. O brasileiro foi pra rua reivindicar voz. A multidão invadiu as principais avenidas do Brasil porque não se sente representada.

O grito de “sem partido!” talvez tenha sido o mais emblemático das manifestações pois escancara que nosso sistema de representação falhou em representar os anseios da população, e isso ocorre principalmente porque a vanguarda política (os partidos) falhou em sua tarefa de representar as ideologias (as razões para isso eu discuto no post Porque o Pluripartidarismo Prejudica o Pluralismo Ideológico no Brasil de 11/2012, pra quem quiser procurar). A raiva direcionada às agremiações partidárias é tanta que a manifestações que começaram apartidárias se tornaram anti-partidárias em certo momento.

É evidente que precisamos não só de partidos, mas de qualquer tipo de instituição política organizada para organizar as pautas e as reivindicações, tornando-as mais coesas, o que ocorre é que nossas instituições políticas precisam se portar como legítimos representantes das idéias e dos anseios populares. Como podem ver, na minha visão a pauta principal deveria ser a da reforma política (pelo visto o governo teve a mesma leitura), onde devem ser tratadas questões como voto ao legislativo em dois turnos, fim do quoeficiente eleitoral, entre outras medidas que afastem os parlamentares de seus financiadores e os aproxime de seus eleitores, e que também estimule a valorização das ideologias.

O Gigante Acordou?
Os brasileiros estão acordando já há algum tempo, haja visto o aumento do numero de manifestações e relevância destas nos últimos anos, além do grau politização da população que vem aumentando paulatinamente. Mas ainda estamos longe do ideal.

Foi muito comentado que faltou foco nas manifestações, e faltou mesmo, havia de fato muitas reivindicações despolitizadas. Mas é o que temos para hoje, não dá pra exigir um alto grau de politização da noite pro dia. Eu vi muita gente chamando esses despolitizados de “coxinha”, iniciaram o movimento #saidarua, entre outros sarcasmos, o que na minha visão é um erro. Estamos vivendo um momento impar, onde tem muita gente interessada em entender mais sobre política e sobre os problemas do país, e o recado que está sendo passado para essas pessoas é “você é um coxinha e isso não é pra você!”. Ao contrário, esse é o momento dos grupos politizados exporem suas ideologias chamando os despolitizados para compor seus grupos também!

Legado
Geração acomodada? Povo passivo? Brasileiro só liga pra futebol? Protesto não adianta nada? Os acontecimentos das últimas semanas desafiam a lógica e vários axiomas
 da nossa sociedade. O êxito dos protestos pode despertar em nós o que os mexicanos chamam de “si, se puede”. Sim, nós podemos exigir direitos, nós não somos meros reféns do sistema.

O momento é tão complexo que nem nome tem ainda. Uns chamam de Revolução dos 20 Centavos, outros de Revolta do Vinagre, mas o que eu mais gosto é Movimento Vem Pra Rua, porque no fundo é disso que se trata.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Relato de Alguém no Meio da Multidão

Texto postado no meu perfil do Facebook no dia 18/06/2013





Sinceramente, eu não achei fosse presenciar algo dessa magnitude no Brasil, pelo menos não tão jovem.

Na rua o que vi foi uma multidão de dezenas de milhares, talvez centenas de milhares (65 mil é o caramba, tinha muito mais!), mas uma multidão consciente, com senso crítico. Entre os manifestantes havia gente de todas as idades, de todas as classes sociais, de todas as cores, de todos os costumes, enfim, um retrato étnico e sócio-cultural que é o Brasil, principalmente São Paulo. As revindicações eram várias: redução da tarifa de ônibus e metrô, mais investimentos em saúde e educação, a não aprovação da PEC 37, mais lisura com os gastos da Copa, saída de José Genoino e João Paulo Cunha da Comissão de Ética, moralização da classe politica, entre outras.

Mas não foi só, a multidão era critica e policiava a si mesma. Ao passar pelos ônibus parados na rua as pessoas clamavam "Sem pichação!" e "Sem vandalismo!". Durante 99% do percurso (saímos na estação Clinicas do Metrô, descemos a Teodoro Sampaio, depois a Faria Lima, viramos na Juscelino Kubitschek até a Brigadeiro, quando subimos até a Paulista) só haviam inúmeros cartazes e bandeiras do Brasil, mas quando chegamos no cruzamento da Faria Lima com a Juscelino Kubitschek encontramos um grupo com bandeiras do PSTU, do PSOL e do PCO, que foi imediatamente suprimido com o coro de "Sem partido! Sem partido!".

Além de uma multidão politizada e apartidária nas ruas, nas janelas das empresas e dos apartamentos havia muitas pessoas com bandeiras brancas e do Brasil e gritando junto com os manifestantes. Havia um prédio comercial em que alguém jogava papel picado do último andar, que dava efeito lindo. Em várias lugares as pessoas realmente liberaram o wi-fi pra ajudar na divulgação de informações. Muitos motoristas, tanto de ônibus como de carro, ao invés de ficarem emburrados de estarem parados no trânsito, buzinavam interagindo com os manifestantes.

Confesso que fiquei surpreendido com a iniciativa, com a organização, com o caráter politizado, apartidário e pacifico da manifestação. Que realmente valha a grito entoado pelos ativistas de "Isso é só o começo!!". Que o Brasil saia da inércia.

Hoje eu acordei cansado, mancando, com dores no corpo, mas ontem eu dormi com orgulho de ser brasileiro.

domingo, 16 de junho de 2013

Muito Mais Que 20 Centavos

Nos últimos dias os aumentos nas tarifas dos transportes coletivos desencadearam uma onda de manifestações em várias capitais brasileiras. Em São Paulo houve enfrentamento entre a polícia e os manifestantes envolvendo gás lacrimogêneo, spray de pimenta, balas de borracha e prisões de um lado e pichações e depredação do outro. E a indagação da ala mais conservadora da sociedade não poderia ser outra que não “Precisa de tudo isso por apenas R$ 0,20 de aumento”. Vandalismo e R$ 0,20, informações exaustivamente repetidas pelos maiores veículos de comunicação durante a semana. O argumento ganha ainda mais força com o fato de que o aumento foi abaixo da inflação do período. Mas uma afirmação dessas, dizer que uma manifestação tão numerosa e heterogênea aconteceu por apenas vinte centavos é das duas uma: muita ingenuidade ou muita desonestidade intelectual.

Em primeiro lugar é bom pontuar que, em São Paulo, de 1994 (quando foi implantado o plano real) até agora houve um aumento de 540% na tarifa de ônibus e de 433% na tarifa do metrô enquanto a inflação acumulada do período, medida pelo IPCA, foi de 332%, portanto a desculpa de que “o aumento foi abaixo da inflação” não convence o cidadão da região metropolitana paulista que tolera aumentos reais há muitos anos. Se tivessem seguido a tendência da inflação a tarifa do ônibus hoje seria R$2,19 e do metrô 2,59. Vinte centavos? Um real de diferença! Só na ida e se não fizer baldeação. Faça as contas e veja se esse valor não faz diferença pra uma população que tem um salário médio de R$ 1.600,00 e que 82% da população ganha até R$ 2.000,00. Isso sem contar os custos de tratamentos de saúde provocados por doenças provenientes de stress, por exemplo, ou ainda o custo de oportunidade proveniente de não conseguir fazer um curso de aprimoramento profissional por falta de tempo e dessa maneira ver suas chances de ascensão na carreira diminuir.

Mas a fúria popular não tem origem em se o aumento foi real ou não, tem origem no serviço mal prestado, na humilhação diária que a massa trabalhadora é submetida e na sensação de estar sendo assaltado sempre que passa pela catraca. Perdemos horas e mais horas diariamente dentro de um pau de arara urbano que chamam de transporte publico, e muitas vezes somos expostos a situações absurdas como a famosa disputa por assentos (quase uma dança das cadeiras) quando chega um trem vazio na estação, ou quando toca o celular e não conseguimos atender pois mal conseguimos movimentar nossos braços de tão apertado que esta, ou ainda quando alguém desmaia em cima de você por falta de ar. Se fosse barato já seria bem difícil de aturar um serviço péssimo desses, mas ainda por cima transporte coletivo em São Paulo é caro.

Façamos, por exemplo, um comparativo entre a qualidade do serviço prestado pelo metrô da capital paulista e o de Madri, que é aprovado por seus usuários. Existem quatro variáveis a serem levadas em consideração: extensão, comodidade, rapidez e o preço, e para medir essas variáveis os indicadores que escolhi foram quantidade de estações, quantidade de usuários por Km, tempo médio por viagem e o próprio preço da passagem respectivamente. Preciso ressaltar que só achei o tempo médio de viagem do transporte publico de São Paulo no geral e não apenas do metrô, e que para chegar no preço do metrô madrileno apenas converti euros para reais, sem ajustar pela Paridade do Poder de Compra, o que seria interessante já a inflação é significativamente maior aqui já há algum tempo.


São Paulo
Madri
Estações
64
300
Usuários por Dia
39 milhões
2 milhões
Km
74
293
Usuários por Dia/Km
527 mil
6,8 mil
Tempo Médio por Viagem
69 minutos
22 minutos
Preço
R$ 3,20
R$ 6,10

Se nós aceitarmos como hipótese que o Metrô de Madri tem um preço justo pelo serviço que oferece podemos tentar calcular o preço justo do Metrô de São Paulo baseado no serviço que este oferece. Se colocarmos em perspectiva o que cada um oferece e multiplicarmos pelo preço da tarifa madrilena (que tomamos como justa e adequada) a conta será a seguinte:

(64/300)*(6,8/527)*(22/69)*6,10=0,00535378

Isso mesmo, tomando pelo padrão de qualidade espanhol o serviço do metrô paulistano vale pouco mais de meio centavo. Veja bem, eu não estou dizendo que este deveria ser o preço por aqui, até porque tarifa zero só é possível em situações muito especificas, o que esses números mostram é a diferença de qualidade do serviço aqui e lá, e que o preço praticado aqui tendo em vista o que é oferecido é extremamente alto. Se isso não é revoltante, se isso não merece protesto, não sei o que mereceria. E ainda temos que ouvir o Arnaldo Jabor em sua diarréia mental semanal no Jornal da Globo dizer que “a causa é não ter causa”.

Sobre os Excessos
Houve sim vandalismo por parte de alguns dos manifestantes, que não é legal, não é o ideal, mas que foi muito aumentado por certos veículos de comunicação e que foi absolutamente ofuscado pela aviltante violação dos direitos humanos promovida pela Policia Militar de São Paulo. Prisões ilegais, violência gratuita contra manifestantes pacíficos e até contra a imprensa, entre outras barbaridades. Na realidade a policia acabou nos dando um novo motivo para lutar: a conquista de um verdadeiro Estado Democrático de Direito.

Mais do que serviços públicos mal prestados, vivemos num país onde a população não tem voz e onde uma há dissintonia muito grande entre os eleitores e a classe política. Uma explicação provável pra isso é que historicamente o brasileiro é um povo passivo, o que vem mudando nos últimos tempos e os protestos são prova disso. A reação da PM mostra que ver o brasileiro sair da inércia incomoda gente poderosa.

Aos poucos as pessoas perceberam que o que se buscava com os protestos era algo muito mais profundo que 20 centavos. Muitas pessoas que eram contra as manifestações no inicio reviram suas posições. Que o povo de São Paulo faça valer o lema de sua cidade “Non Ducor, Duco” ou “Não Sou Guiado, Guio”. Alias, que isso valha pra todo o Brasil.

segunda-feira, 25 de março de 2013

A Crise Econômica Mundial de 2008 Explicada


O objetivo deste texto é explicar um dos acontecimentos mais importantes e complexos dos últimos tempos que foi a Crise Econômica Mundial de 2008. Não tratarei aqui sobre seus desdobramentos e sim sobre o que nos levou a essa crise, iniciando por uma breve introdução, passando pelos ativos podres e pela bolha especulativa imobiliária e chegando às crises do subprime, financeira e na economia real.

Desregulamentação
Desde fins dos anos 70 os Estados Unidos e o mundo passaram por um período de desregulamentação e aumento da liberdade econômica. Tal processo acabou por provocar profundas mudanças econômicas, políticas, sociais e até comportamentais na sociedade global. Na esteira desse processo, Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve (o Banco Central estadunidense) entre 1987 e 2006, liderou entre os anos 90 e 00 uma serie de mudanças no sistema financeiro estadunidense que visava aumentar a liberdade dos agentes econômicos. 

A historia da crise de 2008 efetivamente começa com uma dessas mudanças no sistema financeiro. Em 2000 o senado e o congresso estadunidense aprovaram o “Commodity Futures Modernization Act.”, projeto do senador Phil Gramm firmemente amparado e apoiado por Alan Greenspan e por Larry Summers (Secretário do Tesouro à época). Essa lei bania definitivamente a já escassa regulação sobre derivativos.

Derivativos são contratos nos quais se estabelecem pagamentos futuros cujos montantes são baseados no desempenho de uma variável qualquer (como preços de ativos, taxas de câmbio, inflação, etc.). São necessários dois tipos de agentes econômicos em contratos de derivativos: o hedger (procura evitar perdas vultuosas) e um especulador (procura lucros extraordinários). Existem 4 tipos de contrato de derivativos: à termo, futuros, opções e swaps, cada um com suas peculiaridades e suas “regras”.

Os derivativos se assemelham muito a apostas, e o “Commodity Futures Modernization Act.” acabou por transformar Wall Street numa grande Gambling House (mais do que já era). Mas dentre os inúmeros derivativos que surgiram na época, frutos da desregulamentação, há um tipo especialmente importante para o desenrolar da crise: os CDOs.

Os Ativos Podres
Collateralized Debt Obligation (Obrigações de Dívidas Garantidas) ou simplesmente CDO é uma modalidade de investimento cujos rendimentos estão atrelados aos inúmeros papeis que o constituem, que podem ser títulos, empréstimos e outros ativos. Na prática os CDOs se tornaram um grande estimulo à terceirização de hipotecas, o que acabou por provocar profundas mudanças no fluxo financeiro do mercado imobiliário nos EUA num curto espaço de tempo. Explico.

Num fluxo financeiro convencional um financiamento imobiliário tem apenas dois agentes: o credor, que empresta o dinheiro, e o tomador, que pega emprestado. Como financiamentos imobiliários demoram décadas para serem pagos os credores são cautelosos, submetem os possíveis tomadores a rigorosas análises de crédito, e só emprestam caso verifiquem que realmente é uma operação segura.

Com os CDOs mais dois agentes passaram a compor o fluxo: os bancos de investimentos, que idealizam e gerenciam diversos tipos de investimento, e os investidores, que possuem recursos parados e procuram remuneração. Nesse novo sistema os credores (no caso dos EUA, agências de credito imobiliário) emprestavam para os tomadores e depois vendiam as hipotecas para bancos de investimento, que por sua vez combinavam milhares de hipotecas a outros financiamentos (como créditos estudantis, financiamentos de veículos e dividas de cartão de crédito) e criavam assim os CDOs, que eram vendidos para os investidores. Por motivos obscuros (que irei discutir adiante) muitos CDOs eram classificados pelas agências de classificação de risco como AAA, a melhor classificação de risco possível, o que os tornava muito populares inclusive para planos de previdência.

Prime e Subprime
Nesse novo sistema as hipotecas eram terceirizadas, quem realmente financiava os imóveis eram os investidores tendo os credores e os bancos de investimento como intermediários. Na prática as mudanças foram:

Para os Credores: foi excelente pois ainda que tivessem um deságio, terceirizando o financiamento se livravam da responsabilidade da cobrança e do risco de inadimplência, e dessa maneira não precisariam mais ser tão criteriosos em suas análises de crédito e poderiam ampliar sua carteira de clientes.

Para os Tomadores: os que já tinham uma análise de crédito favorável não sentiram nenhuma mudança aparente, porém os que não tinham acesso ao crédito imobiliário passaram a ter. Como o risco de inadimplência não era mais um problema para os credores muitos deles começaram a aprovar crédito para qualquer um que sentasse em suas mesas. Pessoas sem renda fixa, com histórico de inadimplência e sem garantias tinham seus financiamentos facilmente aprovados, o que ficou conhecido como créditos NINJA – No Income, No Job and no Assets (“sem rendimentos, sem trabalho e sem patrimônio” numa tradução livre). A contrapartida eram taxas de juros mais elevadas. Os clientes mais “seguros”, que teriam acesso ao crédito imobiliário num fluxo financeiro convencional, tinham taxas de juros mais vantajosas conhecidas como taxas prime, e os clientes com créditos NINJA tinham que pagar taxas menos vantajosas conhecidas como taxas subprime.

Para os Bancos de Investimento: conseguiram uma abundante fonte de captação de recursos para remunerar os investidores. Para eles não interessava exigir apenas hipotecas com viabilidade econômica pois quanto mais hipotecas compravam, mais CDOs podiam vender. Na verdade os Bancos de Investimentos preferiam (e pagavam mais por) hipotecas provenientes de créditos NINJA pois a taxas subprime eram maiores.

Para os Investidores: se depararam com um investimento que tinha uma rentabilidade alta e era considerado pelas agências de rating como muito seguro, o melhor dos mundos. Surgido em 2000, o CDO se tornou um sucesso instantâneo que chegou a representar um volume de capital financeiro de mais de 520 Bilhões de dólares em 2005.

Parêntese 1: Alavancagem Financeira
Fazer créditos NINJA se tornou tão rentável que os credores (agências de credito imobiliário e bancos de investimento) passaram aumentar sua alavancagem financeira, ou seja, pegar emprestado para emprestar. Alavancagem é uma operação comum no mercado financeiro, e dentro de certos limites de sanidade pode ser uma operação segura, mas a alavancagem das agências de credito imobiliário nos EUA chegou a ser de 33 pra 1, ou seja, tinham pegado emprestado um valor 33 vezes maior que o valor de todos os seus ativos somados. A lei que afrouxava as regras sobre alavancagem financeira também foi fortemente apoiada por Alan Greenspan, ex-presidente do FED.

Parêntese 2: Seguradoras
As maiores seguradoras dos EUA (AIG, MBIA e AMBAC) passaram a oferecer swaps (tipo de derivativo) aos detentores de CDOs, que na prática funcionavam como seguros. Porém, os swaps também permitem que qualquer um possa “segurar” o CDO de outra pessoa ou qualquer outro ativo que qualquer um possa ter. Na prática funciona como se fosse uma aposta. Muitos especuladores “apostaram” que os CDOs não eram ativos seguros e fizeram operações de swaps. Neste cenário se houvesse inadimplência no pagamento das hipotecas, as seguradoras não teriam que reembolsar apenas o detentor do CDO, mas todos os que “seguraram” o CDO.

A essa altura do campeonato agências de credito imobiliário, bancos de investimento, conglomerados financeiros, seguradoras e investidores (praticamente todo o sistema financeiro) tinham suas operações extremamente dependentes que pessoas sem trabalho, sem renda e sem patrimônio mantivessem suas hipotecas em dia. Era um castelo de cartas diante de um vendaval.

Parêntese 3: Agências de Classificação de Risco
Um aspecto essencial para que esse novo fluxo financeiro de hipotecas funcionasse foi o fato de os investidores terem aderido tão facilmente aos CDOs e para isso foi fundamental as excelentes notas que as agências de rating concediam a esses ativos. Existe muita especulação sobre como essas agências deram, todas elas, notas tão boas por um período tão longo, mas a estrutura concentrada do mercado financeiro à época fortalece a tese que tenha sido uma combinação de lobby com cartel.

Existiam 5 grandes bancos de investimento que dominavam o mercado (Goldman Sachs, Morgan Stanley, Lehman Brothers, Merrill Lynch e Bear Sterns) e 3 grandes agências de classificação de risco (Moody’s, Standart and Poors e Fitch). Nesse cenário é provável que os 5 bancos tenham oferecido algum afago financeiro às 3 agências, que teriam combinado entre si de dar notas parecidas (se uma delas começasse a dar notas muito ruins colocaria em cheque a credibilidade das outras).

A Bolha
Uma bolha financeira acontece quando há, de maneira sistemática, uma falsa replicação de capital a partir de um único capital. Na prática se lucra ou se empresta a partir de algo que não existe. Isso proporciona uma falsa sensação de ganho e leva a um maior consumo e comprometimento da renda. Como conseqüência há aumento irreal no preço do bem que gerou essa replicação de capital decorrente das expectativas de investidores e compradores, que acreditando que os preços continuarão a subir cedem à especulação nesse mercado.

É curioso que a bolha imobiliária dos EUA tenha sua origem relacionada à outra bolha, a da internet. Em 2000 o estouro da “bolha das empresas ponto com” gerou estagnação na economia estadunidense. Para reaquecer a economia o FED reduziu gradualmente (porém substancialmente) a taxa básica da economia. Foi nesse cenário de juros cada vez menores que os CDOs surgiram e se desenvolveram, o que era muito propicio pois juros baixos se configuraram um grande incentivo aos financiamentos imobiliários, matéria-prima dos CDOs. Como vimos, os CDOs deram sustento a um novo fluxo financeiro no mercado imobiliário que por si só já fomentava uma bolha, mas não foi só.

Para classe media estadunidense, que tinha acesso às taxas prime (mais baixas), era vantajoso hipotecar sua casa e investir no mercado financeiro. Esse movimento deu outro forte impulso na direção de um aumento artificial nos preços. Os dois movimentos somados fomentaram uma bolha de proporções monumentais, em 2005 o volume de crédito habitacional nos EUA era cerca de 65% do PIB.

O Estouro
A partir de janeiro de 2001 o FED passou a diminuir a taxa de juros básica da economia. Entre novembro de 2001 e novembro de 2004 a taxa básica se manteve estável, flutuando entre 1% e 2%, patamar considerado muito baixo em qualquer país do mundo. Para o mercado imobiliário isso significa que as taxas prime seriam parecidas com esse patamar e as subprime maiores mas acompanhando o movimento de queda da taxa básica (portanto relativamente pequenas). Nesse período muitas pessoas, atraídas pelas taxas baixas, iniciaram seus financiamentos imobiliários, mas na maioria dos casos (especialmente no caso de créditos NINJA) a taxas eram pós-fixadas, ou seja, variariam de acordo com a condição macroeconômica...

Em 2004 a inflação nos EUA começou a preocupar, e no final daquele ano o FED resolveu iniciar um movimento de alta dos juros para conter o aumento dos preços. Num espaço de um ano e meio (entre dez/04 e jun/06) a taxa básica aumentou de 2% para 5,25%, levando a uma disparada das taxas subprime e conseqüente inadimplência em massa de mutuários de créditos NINJA. A partir dai veio à tona a falsa riqueza gerada pela bolha (o famigerado estouro) que inicia uma reação em cadeia fulminante.

Crise
Os bancos de investimento se viram em má situação quando passaram a não receber as parcelas dos financiamentos pois tinham alavancado suas operações, e sem fluxo de caixa não poderiam honrar suas dívidas. O centenário Lehman Brothers foi à bancarrota, Bear Sterns e Merryll Lynch tinham o mesmo destino traçado mas foram incorporados pelo Citigroup e pelo Bank of America respectivamente, enquanto o Goldman Sachs e o Morgan Stanley foram socorridos a tempo pelo pacote bilionário promovido pelo governo dos EUA.

Em dificuldades financeiras os bancos de investimento pararam de comprar as hipotecas das agências de crédito imobiliário que também ficaram em situação delicada pois também tinham feito alavancagem financeira. À beira da falência, as duas maiores agências, Fannie Mae e Freddie Mac, foram compradas pelo governo dos EUA. Por outro lado, os bancos de investimento também não conseguiam remunerar os detentores de CDOs, que por sua vez cobravam das seguradoras que tinham “segurado” seus CDOs através de swaps. O problema é que, como disse alguns parágrafos acima, cada CDO não tinha sido segurado apenas pelo seu detentor, mas por muitos outros especuladores também, o que colocou as 3 principais seguradoras (AIG, MBIA e AMBAC) em situação de insolvência, que só foi revertida após o pacote de $700 bilhões dado pelo governo.

O mercado de ações, que tem impacto direto sobre as empresas, foi afetado de 3 maneiras:
(1)Dificuldade de Refinanciamento: Empresas em geral conseguem fazer novos investimentos rolando suas dívidas, e os dois credores clássicos em nesse tipo de situação são o mercado financeiro e o governo. O primeiro estava indo a bancarrota e o segundo estava concentrando seus recursos para salvar o primeiro da bancarrota. Logo, não sobravam muitas fontes, o que impossibilitava fazer investimento e trazia más perspectivas sobre as empresas que foram refletidas no valor das ações.
(2)Classe Média Resgata Investimentos: Como foi colocado, impulsionada pelos baixos juros hipotecários e pelos altos rendimentos do mercado financeiro, a classe média hipotecava suas residências para investir em produtos financeiros, especialmente ações. Quando a situação se inverte, com os juros hipotecários indo às alturas e o mercado financeiro trazendo maus prognósticos, a classe média corre para vender suas ações.
(3)Crise de Confiança:
Toda essa confusão levou a uma crise de confiança no mercado financeiro que levou os investidores a se afastarem de qualquer tipo de investimento financeiro com exceção dos extremamente seguros como poupança e títulos do governo.

Esses 3 efeitos levaram a uma desvalorização profunda e generalizada do valor das ações negociadas em mercado de balcão, o que não demorou muito para se refletir na economia real. Sem ter como se refinanciar e vendo o valor de suas ações caindo, as empresas não têm outra alternativa que não reduzir gastos, o que implica em reduzir salários e em demissões. Sem emprego e com menor poder aquisitivo, trabalhadores diminuem seu consumo, o que piora ainda mais a situação das empresas. Dessa maneira se inicia um ciclo vicioso que impede que a roda da economia gire, levando à estagnação e à recessão.

Considerando o papel dinâmico e central que os Estados Unidos exercem no mundo era evidente que uma crise dessa magnitude iria cruzar as fronteiras e se espalhar pelos quatro cantos do globo, inclusive deflagrando a crise dos PIIGS na Europa.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O Melhor Jogador de Futebol do Mundo Desde 1904



No inicio do mês Lionel Messi bateu o recorde de Ronaldo e Zidane e se tornou o primeiro jogador a receber o prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA pela quarta vez, premiação está que acontece desde 1991. O que proponho aqui é um exercício de imaginar quais teriam sido os vencedores e os indicados a este prêmio se ele tivesse sido entregue desde que a entidade máxima do futebol foi fundada em 1904. Lembrando que o prêmio tem como base a temporada européia que começa em agosto e termina em junho.

Tentei usar critérios semelhantes aos usados hoje em dia, como valorizar jogadores com grande capacidade técnica e priorizar grandes atuações em Copa do Mundo em anos em que essas ocorram (antes da Copa do Mundo utilizei as Olimpíadas, principal torneio mundial antes da criação da Copa).

Temporada 1904/05
Joe Bache (ING/Aston Villa) - VENCEDOR
Arthur Brown (ING/Sheffield United)
Jenõ Károly (HUN/MTK Budapest)

Temporada 1905/06
Joe Hewitt (ING/Liverpool) - VENCEDOR
Albert Shepherd (ING/Bolton)
Thorold Peterson (DIN/Boldklubben af 1883)

Temporada 1906/07

Jimmy Quinn (ESC/Celtic) - VENCEDOR
Alex Young (ESC/Everton)
Eliseo Brown (ARG/Alumni)


Temporada 1907/08
Vivian Woodward (ING/Tottenham) - VENCEDOR
Alexander Turnbull (ESC/Manchester United)
Jenõ Károly (HUN/MTK Budapest)


Temporada 1908/09
Bertram Clewley Freeman (ING/Everton) - VENCEDOR
Imre Schlosser (HUN/Ferencváros)
Flávio Ramos (BRA/Botafogo)


Temporada 1909/10
Albert Shepherd (ING/Newcastle) - VENCEDOR
Joseph Harold Hampton (ING/Aston Villa)
Erik Börjesson (SUE/Göteborg)

Temporada 1910/11
Imre Schlosser (HUN/Ferencváros) - VENCEDOR
Alexander Turnbull (ESC/Manchester United)
Willie Reid (ESC/Rangers)

Temporada 1911/12
Harold Walden (ING/Bantams) - VENCEDOR
Imre Schlosser (HUN/Ferencváros)
Carlo Rampini (ITA/Pro Vercelli)

Temporada 1912/13
Imre Schlosser (HUN/Ferencváros) - VENCEDOR (2)
Harry Hampton (ING/Aston Villa)
Alberto Bernadino Ohaco (ARG/Racing)

Temporada 1913/14
George Elliot (ING/Middlesbrough) - VENCEDOR
Alberto Bernadino Ohaco (ARG/Racing)
Friedenreich (BRA/Paulistano)


Temporada 1914/15
Alberto Bernadino Ohaco (ARG/Racing) - VENCEDOR
Bobby Parker (ESC/Everton)
Pichichi (ESP/Athletic Club)


Temporada 1915/16
Isabelino Gradín (URU/Peñarol) - VENCEDOR
Héctor Scarone (URU/Nacional)
Pichichi (ESP/Athletic Club)


Temporada 1916/17
Héctor Scarone (URU/Nacional) - VENCEDOR
Ángel Romano (URU/Nacional)
Friedenreich (BRA/Ypiranga)

Temporada 1917/18
Friedenreich (BRA/Paulistano) - VENCEDOR
Albérico Zabaleta (ARG/Racing)
Isabelino Gradín (URU/Peñarol)


Temporada 1918/19
Friedenreich (BRA/Paulistano) - VENCEDOR (2)
Héctor Scarone (URU/Nacional)
Neco (BRA/Corinthians)


Temporada 1919/20
Felix Sesúmaga (ESP/Barcelona) - VENCEDOR
Ángel Romano (URU/Nacional)
Karlsson (SUE/Göteborg)


Temporada 1920/21
Albérico Zabaleta (ARG/Racing) - VENCEDOR
Friedenreich (BRA/Paulistano)
Domingo Gómez-Acedo (ESP/Athletic Club)


Temporada 1921/22
Manuel Seoane (ARG/Independiente) - VENCEDOR
Paulino Alcántara (FIL-ESP/Barcelona)
Andrew Wilson (ESC/Middlesbrough)


Temporada 1922/23
Héctor Scarone (URU/Nacional) - VENCEDOR (2)
Domingo Tarasconi (ARG/Boca Juniors)
Pedro Petrone (URU/Charley)


Temporada 1923/24
Pedro Petrone (URU/Nacional) - VENCEDOR
José Nasazzi (URU/Bella Vista)
José Leandro Andrade (URU/Nacional)

 Temporada 1924/25
José Leandro Andrade (URU/Nacional) - VENCEDOR
Angelo Schiavio (ITA/Bologna)
Feitiço (BRA/São Bento)

Temporada 1925/26
Ferenc Hirzer (HUN/Juventos) - VENCEDOR
Matthias Sindelar (AUS/Austria Vienna)
Heitor (BRA/Palestra Itália)

Temporada 1926/27
José Leandro Andrade (URU/Nacional) – VENCEDOR (2)
Luis Monti (ARG/San Lorenzo)
Adolfo Baloncieri (ITA/Torino)

Temporada 1927/28
José Leandro Andrade (URU/Nacional) – VENCEDOR (3)
Adolfo Baloncieri (ITA/Torino)
Domingo Tarasconi (ARG/Boca Juniors)

Temporada 1928/29
José Leandro Andrade (URU/Nacional) – VENCEDOR (4)
Adolfo Baloncieri (ITA/Torino)
Angelo Schiavio (ITA/Bologna)

Temporada 1929/30
José Leandro Andrade (URU/Nacional) – VENCEDOR (5)
José Nasazzi (URU/Bella Vista)
Giuseppe Meazza (ITA/Ambrosiana-Inter)

Temporada 1930/31
Giovanni Ferrari (ITA/Juventos) – VENCEDOR
José Leandro Andrade (URU/Nacional)
Feitiço (BRA/Santos)

Temporada 1931/32
Giovanni Ferrari (ITA/Juventos) – VENCEDOR (2)
José Leandro Andrade (URU/Peñarol)
Dixie Dean (ING/Everton)
Temporada 1932/33
Matthias Sindelar (AUS/Austria Vienna) – VENCEDOR
Romeu Pellicciari (BRA/Palestra Itália)
Giovanni Ferrari (ITA/Juventos)
Temporada 1933/34
Giuseppe Meazza (ITA/Ambrosiana-Inter) – VENCEDOR
Matthias Sindelar (AUS/Austria Vienna)
Luis Monti (ARG-ITA/Juventos)

Temporada 1934/35

Giuseppe Meazza (ITA/Ambrosiana-Inter) – VENCEDOR (2)
Matthias Sindelar (AUS/Austria Vienna)
Leônidas da Silva (BRA/Botafogo)

Temporada 1935/36
Matthias Sindelar (AUS/Austria Vienna) – VENCEDOR (2)
Giuseppe Meazza (ITA/Ambrosiana-Inter)
Romeu Pellicciari (BRA/Fluminense)

Temporada 1936/37

Arsenio Erico (PAR/Independiente) – VENCEDOR
Silvio Piola  (ITA/Lazio)
Matthias Sindelar (AUS/Austria Vienna)

Temporada 1937/38
Leônidas da Silva (BRA/Flamengo) – VENCEDOR
Giuseppe Meazza (ITA/Ambrosiana-Inter)
Silvio Piola  (ITA/Lazio)

Temporada 1938/39
Leônidas da Silva (BRA/Flamengo) – VENCEDOR (2)
Arsenio Erico (PAR/Independiente)
Josef Bican (AUS-TCH/Slavia Praha)

Temporada 1939/40
Josef Bican (AUS-TCH/Slavia Praha) – VENCEDOR
Leônidas da Silva (BRA/Flamengo)
José Manuel Moreno (ARG/River Plate)

Temporada 1940/41
José Manuel Moreno (ARG/River Plate) – VENCEDOR
Josef Bican (AUS-TCH/Slavia Praha)
Adolfo Perdenera (ARG/River Plate)

Temporada 1941/42
José Manuel Moreno (ARG/River Plate) – VENCEDOR (2)
Josef Bican (AUS-TCH/Slavia Praha)
Zizinho (BRA/Flamengo)

Temporada 1942/43
Josef Bican (AUS-TCH/Slavia Praha) – VENCEDOR (2)
Zizinho (BRA/Flamengo)
José Manuel Moreno (ARG/River Plate)

Temporada 1943/44
Zizinho (BRA/Flamengo) – VENCEDOR
Josef Bican (AUS-TCH/Slavia Praha)
José Manuel Moreno (ARG/River Plate)

Temporada 1944/45
Leônidas da Silva (BRA/São Paulo) – VENCEDOR (3)
Heleno de Freitas (BRA/Botafogo)
Gunnar Nordahl (SUE/Norrköping)

Temporada 1945/46
Gunnar Nordahl (SUE/Norrköping) – VENCEDOR
Leônidas da Silva (BRA/São Paulo)
Telmo Zarra (ESP/Atlético de Bilbao)

Temporada 1946/47
Di Stéfano (ARG/River Plate) – VENCEDOR
José Manuel Moreno (ARG/River Plate)
Telmo Zarra (ESP/Atlético de Bilbao)

Temporada 1947/48
Gunnar Nordahl (SUE/Norrköping) – VENCEDOR (2)
Ferenc Puskás (HUN/Kispest)
Stanley Matthews (ING/Blackpool)

Temporada 1948/49
Ademir de Menezes (BRA/Vasco da Gama) – VENCEDOR
Schiaffino (URU/Nacional)
Ferenc Puskás (HUN/Kispest)

Temporada 1949/50
Zizinho (BRA/Bangu) – VENCEDOR (2)
Schiaffino (URU/Nacional)
Ademir de Menezes (BRA/Vasco da Gama)

Temporada 1950/51
Zizinho (BRA/Bangu) – VENCEDOR (3)
Gunnar Nordahl (SUE/Milan)
Jair Rosa Pinto (BRA/Palmeiras)

Temporada 1951/52
Sándor Kocsis (HUN/Honvéd) – VENCEDOR
Ferenc Puskás (HUN/ Honvéd)
Lázlo Kubala (HUN/Barcelona)

Temporada 1952/53
Ferenc Puskás (HUN/Honvéd) - VENCEDOR
Gunnar Nordahl (SUE/Milan)
Fritz Walter (ALE/Kaiserslautern)

Temporada 1953/54
Ferenc Puskás (HUN/Honvéd) – VENCEDOR (2)
Sándor Kocsis (HUN/Honvéd)
Fritz Walter (ALE/Kaiserslautern)

Temporada 1954/55
Di Stéfano (ARG-ESP/Real Madrid) – VENCEDOR (2)
Gunnar Nordahl (SUE/Milan)
Ferenc Puskás (HUN/ Honvéd)

Temporada 1955/56
Di Stéfano (ARG-ESP/Real Madrid) – VENCEDOR (3)
Stanley Matthews (ING/Blackpool)
Omar Sívori (ARG/River Plate)

Temporada 1956/57
Garrincha (BRA/Botafogo) – VENCEDOR
Di Stéfano (ARG-ESP/Real Madrid)
Didi (BRA/Botafogo)

Temporada 1957/58
Pelé (BRA/Santos) – VENCEDOR
Didi (BRA/Botafogo)
Raymund Kopa (FRA/Real Madrid)

Temporada 1958/59
Di Stéfano (ARG-ESP/Real Madrid) – VENCEDOR (4)
Pelé (BRA/Santos)
Garrincha (BRA/Botafogo)

Temporada 1959/60
Pelé (BRA/Santos) – VENCEDOR (2)
Luis Suárez (ESP/Barcelona)
Garrincha (BRA/Botafogo)

Temporada 1960/61
Pelé (BRA/Santos) – VENCEDOR (3)
Garrincha (BRA/Botafogo)
Omar Sívori (ARG-ITA/Juventos)

Temporada 1961/62
Garrincha (BRA/Botafogo) – VENCEDOR (2)
Pelé (BRA/Santos)
Josef Mesopust (TCH/Dukla Prague)

Temporada 1962/63
Pelé (BRA/Santos) – VENCEDOR (4)
Pepe (BRA/Santos)
Lev Yashin (URS/Dynamo Moskow)

Temporada 1963/64
Pelé (BRA/Santos) – VENCEDOR (5)
Coutinho (BRA/Santos)
Denis Law (ESC/Manchester United)

Temporada 1964/65
Pelé (BRA/Santos) – VENCEDOR (6)
Eusébio (POR/Benfica)
Giacinto Facchetti (ITA/Internazionale)

Temporada 1965/66
Bobby Charlton (ING/Manchester United) – VENCEDOR
Eusébio (POR/Benfica)
Franz Beckenbauer (ALE/Bayern Munich)

Temporada 1966/67
Pelé (BRA/Santos) – VENCEDOR (7)
Ademir da Guia (BRA/Palmeiras)
Gérson (BRA/Botafogo)

Temporada 1967/68
Pelé (BRA/Santos) – VENCEDOR (8)
Tostão (BRA/Cruzeiro)
George Best (IRN/Manchester United)

Temporada 1968/69
Pelé (BRA/Santos) – VENCEDOR (9)
Ademir da Guia (BRA/Palmeiras)
Gianni Rivera (ITA/Milan)
Temporada 1969/70
Pelé (BRA/Santos) – VENCEDOR (10)
Gérson (BRA/São Paulo)
Gerd Muller (ALE/Bayern Munich)

Temporada 1970/71
Johan Cruyff (HOL/Ajax) – VENCEDOR
Sandro Mazzola (ITA/Internazionale)
Tostão (BRA/Cruzeiro)

Temporada 1971/72
Franz Beckenbauer (ALE/Bayern Munich) – VENCEDOR
Johan Cruyff (HOL/Ajax)
Gerd Muller (ALE/Bayern Munich)

Temporada 1972/73
Johan Cruyff (HOL/Ajax) – VENCEDOR (2)
Gerd Muller (ALE/Bayern Munich)
Pelé (BRA/Santos)

Temporada 1973/74
Johan Cruyff (HOL/Barcelona) – VENCEDOR (3)
Franz Beckenbauer (ALE/Bayern Munich)
Elias Figueroa (CHI/Internacional)

Temporada 1974/75
Elias Figueroa (CHI/Internacional) – VENCEDOR
Oleg Blojín (URS/Dynamo Kiev)
Franz Beckenbauer (ALE/Bayern Munich)

Temporada 1975/76
Franz Beckenbauer (ALE/Bayern Munich) – VENCEDOR (2)
Elias Figueroa (CHI/Internacional)

Rob Rensenbrink (HOL/Anderlecht)

Temporada 1976/77
Zico (BRA/Flamengo) – VENCEDOR
Kevin Keegan (ING/Liverpool)
Allan Simonsen (DIN/Borussia Mönchengladbach)

Temporada 1977/78
Mario Kempes (ARG/Valencia) – VENCEDOR
Kevin Keegan (ING/Hamburgo)
Rob Rensenbrink (HOL/Anderlecht)

Temporada 1978/79
Falcão (BRA/Internacional) – VENCEDOR
Kevin Keegan (ING/Hamburgo)
Rummenigge (ALE/Bayern Munich)

Temporada 1979/80
Rummenigge (ALE/Bayern Munich) – VENCEDOR
Maradona (ARG/Argentinos Juniors)
Zico (BRA/Flamengo)

Temporada 1980/81
Zico (BRA/Flamengo) – VENCEDOR (2)
Rummenigge (ALE/ Bayern Munich)
Paul Breitner (ALE/ Bayern Munich)

Temporada 1981/82
Paolo Rossi (ITA/Juventos) – VENCEDOR
Zico (BRA/Flamengo)
Rummenigge (ALE/ Bayern Munich)

Temporada 1982/83
Falcão (BRA/Roma) – VENCEDOR (2)
Michel Platini (FRA/Juventos)
Maradona (ARG/Barcelona)

Temporada 1983/84
Michel Platini (FRA/Juventos) – VENCEDOR
Ian Rush (GAL/Liverpool)
Falcão (BRA/Roma)

Temporada 1984/85
Michel Platini (FRA/Juventos) – VENCEDOR (2)
Preben Larsen (DIN/Verona)
Enzo Francescoli (URU/River Plate)

Temporada 1985/86
Maradona (ARG/Napoli) – VENCEDOR
Gary Lineker (ING/Barcelona)
Emilio Butragueño (ESP/Real Madrid)

Temporada 1986/87
Maradona (ARG/Napoli) – VENCEDOR (2)
Ruud Gullit (HOL/Milan)
Hugo Sánchez (MEX/Real Madrid)

Temporada 1987/88
Van Basten (HOL/Milan) – VENCEDOR
Ruud Gullit (HOL/Milan)
Frank Rijkaard (HOL/Milan)

Temporada 1988/89
Van Basten (HOL/Milan) – VENCEDOR (2)
Maradona (ARG/Napoli)
Franco Baresi (ITA/Milan)

Temporada 1989/90
Lothar Matthäus (ALE/Internazionale) – VENCEDOR
Maradona (ARG/Napoli)
Salvatore Schillaci (ITA/Juventos)

À Partir daqui a lista dos jogadores que realmente venceram e/ou foram indicados ao prêmio da FIFA:

Temporada 1990/91
Lothar Matthäus (ALE/Internazionale) – VENCEDOR (2)
Jean-Pierre Pappin (FRA/Olympique de Marseille)
Gary Lineker (ING/Tottemham Hotspur)

Temporada 1991/92
Van Basten (HOL/Milan) – VENCEDOR (3)
Hristo Stoichkov (BUL/Barcelona)
Thomas Hässler (ALE/Roma)

Temporada 1992/93
Roberto Baggio (ITA/Juventos) – VENCEDOR
Romário (BRA/PSV)
Dennis Bergkamp (HOL/Ajax)

Temporada 1993/94
Romário (BRA/Barcelona) – VENCEDOR
Hristo Stoichkov (BUL/Barcelona)
Roberto Baggio (ITA/Juventos)

Temporada 1994/95
George Weah (LIB/Paris Saint-Germain) – VENCEDOR
Paolo Maldini (ITA/Milan)
Jürgen Klinsmann (ALE/Tottenham Hotspur)

Temporada 1995/96
Ronaldo (BRA/PSV) – VENCEDOR
George Weah (LIB/Milan)
Alan Shearer (ING/Blackburn Rovers)

Temporada 1996/97
Ronaldo (BRA/Barcelona) – VENCEDOR (2)
Roberto Carlos (BRA/Real Madrid)
Dennis Bergkamp (HOL/Arsenal) & Zidane (FRA/Juventos)

Temporada 1997/98
Zidane (FRA/Juventos) – VENCEDOR
Ronaldo (BRA/Internazionale)
Davor Suker (CRO/Real Madrid)

Temporada 1998/99
Rivaldo (BRA/Barcelona) – VENCEDOR
David Beckham (ING/Manchester United)
Gabriel Batistuta (ARG/Fiorentina)

Temporada 1999/00
Zidane (FRA/Juventos) – VENCEDOR (2)
Luís Figo (POR/Barcelona)
Rivaldo (BRA/Barcelona)

Temporada 2000/01
Luís Figo (POR/Barcelona) – VENCEDOR
David Beckham (ING/Manchester United)
Raúl (ESP/Real Madrid)

Temporada 2001/02
Ronaldo (BRA/Internazionale) – VENCEDOR (3)
David Beckham (ING/Manchester United)
Zidane (FRA/Real Madrid)

Temporada 2002/03
Zidane (FRA/Real Madrid) – VENCEDOR (3)
Thierry Henry (FRA/Arsenal)
Ronaldo (BRA/Real Madrid)

Temporada 2003/04
Ronaldinho Gaúcho (BRA/Barcelona) – VENCEDOR
Thierry Henry (FRA/Arsenal)
Andriy Shevchenko (UCR/Milan)

Temporada 2004/05
Ronaldinho Gaúcho (BRA/Barcelona) – VENCEDOR (2)
Frank Lampard (ING/Chelsea)
Samuel Eto’o (CAM/Barcelona)

Temporada 2005/06
Cannavaro (ITA/Juventos) – VENCEDOR
Zidane (FRA/Real Madrid)
Ronaldinho Gaúcho (BRA/Barcelona)

Temporada 2006/07
Kaká (BRA/Milan) – VENCEDOR
Messi (ARG/Barcelona)
Cristiano Ronaldo (POR/Manchester United)

Temporada 2007/08
Cristiano Ronaldo (POR/Manchester United) – VENCEDOR
Messi (ARG/Barcelona)

Fernando Torres (ESP/Liverpool)


Temporada 2008/09
Messi (ARG/Barcelona) – VENCEDOR
Cristiano Ronaldo (POR/Manchester United)
Xavi (ESP/Barcelona)

Temporada 2009/10
Messi (ARG/Barcelona) – VENCEDOR (2)
Iniesta (ESP/Barcelona)
Xavi (ESP/Barcelona)

Temporada 2010/11
Messi (ARG/Barcelona) – VENCEDOR (3)
Cristiano Ronaldo (POR/Real Madrid)
Xavi (ESP/Barcelona)

Temporada 2011/12
Messi (ARG/Barcelona) – VENCEDOR (4)
Cristiano Ronaldo (POR/Real Madrid)
Iniesta (ESP/Barcelona)