quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Dois Pesos

Ano passado a Siemens confessou ter pago propinas para vencer licitações do Metrô de São Paulo e inclusive enviou quantidade farta de documentos que comprovam o ilícito. Entre esses documentos constavam e-mails que sugeriam que os governadores Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra sabiam das transações escusas.
Transcrevo abaixo trecho do editorial da revista Veja do dia 14/08/2013 (edição 2.334), disponível no acervo digital no site da revista:
"HÁ INDÍCIOS, MAS NÃO PROVAS
(...) A empresa alemã fez negócio com sucessivos governos tucanos em São Paulo (...). A reportagem de VEJA mostra que há motivos, sim, para desconfiar da lisura dos negócios da Siemens com os tucanos de São Paulo, mas ressalta que as investigações oficiais não produziram ainda provas ou acusações diretas de improbidades.
As investigações estão em curso e espero que esclareçam cabalmente se o dinheiro público foi gasto em volume indevido em consequência da cartelização administrada pela Siemens e, principalmente, se o sobrepreço virou dinheiro de corrupção. (...)"
A revista não deu nenhuma capa para este escândalo (a capa da edição de onde este editorial foi extraído era sobre musculação, um tema certamente muito mais relevante que um esquema que possivelmente lesou os cofres públicos de São Paulo em bilhões de reais) e também não usou imagens para ilustrar os possíveis envolvidos, o que é muito usual da revista.
Beleza. Daí, um ano depois, um doleiro que havia sido pego no flagra faz uma delação premiada, aliás, tal doleiro já havia sido pego praticando ilícito dez anos antes, e já havia feito uma delação premiada em 2004 para se livrar da cadeia, no entanto as informações fornecidas daquela vez acabaram não dando em nada.
Nesta nova delação o doleiro faz uma acusação gravíssima contra dois presidentes. Está simples acusação de um criminoso confesso, sem documentos, sem provas, motiva uma matéria de capa onde a revista afirma em letras garrafais "ELES SABIAM DE TUDO", com a imagem dos dois presidentes em destaque, isso tudo cirurgicamente às vésperas de um pleito presidencial. Cadê todo aquele rigor de verificar se a denúncia tem procedência?
Alberto Youssef teve papel central em um esquema de corrupção de grande magnitude, tudo que ele disser precisa sim ser levado a sério por mais que sua história o desabone. Se a Justiça achar razoável, que se quebre sigilo fiscal, telefônico e o que for, presidente não está acima da lei e não é intocável. Tudo tem que ser investigado.
Mas por favor, não vem com papinho que revista Veja é isenta e me mostrar meia duzia de capas que a Veja critica o governo FHC (meia duzia de capas contra o PT é o que a Veja faz por ano), o tratamento dado às partes é absolutamente desigual e desonesto. Dois pesos e duas medidas é pouco.
Pronto, pode me odiar agora.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sobre Educação

Vejo muita gente falando sobre educação pública no Brasil, que aquele candidato não fez isso, aquele outro fez isso e vai fazer aquilo, e por aí vai.
Acho que pouca gente vai discordar que os maiores problemas da educação pública se encontram no Ensino Fundamental e Médio. A Constituição Federal (artigo 211) define as seguintes atribuições aos entes federativos:
Municípios: Educação Infantil e Ensino Fundamental
Estados: Ensino Fundamental e Ensino Médio (prioritariamente)
União: Organizar o sistema como um todo e Ensino Superior
Ocorre que a participação dos entes federativos na arrecadação fiscal é a seguinte:
Municípios: 5%
Estados: 25%
União: 70%
Equacionar o problema da educação pública passa por:
1) Repensar o Pacto Federativo, chamando para a União a responsabilidade sobre o Ensino Fundamental e Médio (antigo projeto do senador Cristovam Buarque), ou;
2) Repensar o Federalismo Fiscal, aumentando a participação dos estados e municípios na receita pública em detrimento da União (que acredito ser o mais adequado para realidade atual do Brasil).
Isso é colocar o dedo na ferida e não vejo nenhum candidato neste segundo turno disposto a comprar essa briga.

sábado, 11 de outubro de 2014

100 Anos de Rivalidade, História e Glórias

Imagina o jogo:
BRASIL DE TODOS OS TEMPOS
Gilmar; Carlos Alberto (C), Domingos Da Guia, Bellini e Nilton Santos; Falcão, Didi, Pelé e Garrincha; Romário e Ronaldo.
Técnico: Telê Santana.
X
ARGENTINA DE TODOS OS TEMPOS
Fillol; Zanetti, Passarela (C), Rugerri e Sorín; Ardiles, Maradona e Messi; Di Stefano, Manuel Moreno e Batistuta.
Técnico: Carlos Bilardo.
Como onze pra cada lado é pouco, então:
BRASIL DE TODOS OS TEMPOS - TIME B
Taffarel; Djalma Santos, Luiz Pereira, Mauro Ramos e Roberto Carlos; Dunga (C), Zico e Zizinho; Rivellino, Tostão e Leônidas da Silva.
Técnico: Zagallo.
X
ARGENTINA DE TODOS OS TEMPOS - TIME B
Goycochea; Ayala, Sensini, Heinze e Tarantini; Cambiasso, Luis Monti, Pedernera e Riquelme (C); Kempes e Crespo
Técnico: César Menotti.
E ainda fica muita gente de fora...
Obs.:Tem muito craque, um volante pra cada time tá de bom tamanho, não enche!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A Volta Dos Que Não Foram

É curiosa a similitude entre as trajetórias políticas recentes de Geraldo Alckmin e José Serra.
Em 2008 Alckmin era anunciado como politicamente morto. Ele, que já havia sido governador, perderá as eleições presidenciais de 2006 e havia ficado de fora do segundo turno da eleição para prefeitura de São Paulo dois anos depois. 2010, no entanto, foi um ano de ressurreição, conseguindo retornar ao palácio dos bandeirantes com uma surpreendente vitória em 1o turno.
Enquanto Alckmin ressurgia, Serra iniciava seu pretenso calvário. Em 2010 perdeu pela segunda vez um pleito presidencial e nas eleições municipais de 2012 foi superado pelo estreante Fernando Haddad. Depois disso Serra entrou em inferno astral dentro de seu partido, em algum momento sondava-se que disputaria apenas uma vaga de deputado federal, cogitou inclusive migrar para o PPS.
Mas permaneceu, conseguiu se candidatar a senador e há poucas horas obteve uma vitória acachapante em cima de Eduardo Suplicy, um político tradicional e forte, o que o devolve ao jogo político com uma força inimaginável há dois anos.
Em eleições municipais e nacionais o PSDB é um player forte mas combatível, mas quando se trata de eleições estaduais em São Paulo os tucanos são entidades sobrenaturais que voltam dos mortos.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Cartas

Sempre se diz que depois que o Regime Militar acabou os músicos brasileiros desaprenderam a fazer música sobre política. Não é verdade. Tem muita música com conteúdo político feita nas últimas décadas, principalmente rap. Uma que eu gosto bastante é “Carta ao Presidente”, que eu considero uma das melhores músicas da carreira solo do Marcelo D2.

No ano de 2002 foi publicado um documento histórico chamado “Carta ao Povo Brasileiro”, assinada pelo então candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva. Nela, o candidato fazia duras críticas ao governo vigente de maneira aberta e objetiva, sobretudo ao modelo macroeconômico, que segundo ele era o grande culpado pela crise econômica e social que o país vivia. O texto também afirmava, de maneira bem mais implícita, sucinta e sutil, que iria manter o regime de metas de inflação, o câmbio flutuante e as metas de superávit primário, o polêmico tripé econômico.

Trocando em miúdos, o candidato pesava a mão contra o modelo macroeconômico ao mesmo tempo em que defendia a permanência de sua pedra fundamental. Pode parecer paradoxal, e é. Lula tentava dialogar com seu eleitorado e respaldar o desejo geral por mudanças, mas também queria acalmar o mercado financeiro sobre uma possível vitória de sua candidatura. Na presidência Lula se manteve fiel à boa parte da política econômica que tanto criticava e aquilo que o diferenciava de seu antecessor só viria gerar frutos em seu segundo mandato.

Foi nesse contexto que, em 2006, Marcelo D2 escreveu a música “Carta ao Presidente”, uma resposta à carta escrita quatro anos antes, cobrando as tão alardeadas mudanças e utilizando inclusive as mesmas frases e expressões escritas pelo ainda candidato à presidente (é bem interessante ler a carta e comparar com a letra da música). D2 foi perspicaz ao identificar uma grande angústia do brasileiro naquele ano eleitoral, afinal “qual seria a diferença do Luiz pro José?”.

CARTA AO POVO BRASILEIRO
http://www.iisg.nl/collections/carta_ao_povo_brasileiro.pdf

CARTA AO PRESIDENTE

domingo, 13 de julho de 2014

Messi X Maradona X Di Stéfano

Até o inicio desde século, apontar o melhor jogador argentino de todos os tempos era uma tarefa complexa e peculiar. De um lado Maradona, jogador espetacular mas que não teve uma carreira tão vitoriosa nos clubes principalmente por seu perfil individualista, suas equipes sempre jogaram mais pra ele do que ele jogava para suas equipes. Suas maiores glórias fora da seleção foram uma Copa da UEFA (segundo torneio em importância na Europa), um campeonato argentino e dois italianos, além de algumas copas nacionais. Na seleção a figura é outra, Maradona foi capitão e craque da equipe platina na conquista do mundial de 1986, protagonizando lances antológicos e icônicos como a famigerada “La mano de dios”. Seus dois gols marcados contra a Inglaterra naquele mundial ganharam inclusive contornos políticos devido à Guerra das Malvinas.

Por outro lado, Di Stéfano, outro jogador espetacular e decisivo, tem um palmarés invejável nos clubes por onde passou, nada menos que 13 campeonatos nacionais, 5 Ligas dos Campeões da Europa, 1 mundial de clubes, entre outros. No entanto, Stéfano jogou por três seleções (Argentina, Colômbia e Espanha) e não criou verdadeira identidade nem obteve grandes êxitos com nenhuma delas, o que seria fundamental na carreira de um grande jogador. Para os argentinos não há dúvida que Maradona foi maior, mas os europeus já não tem a mesma certeza. Na eleição oficial da FIFA, Di Stéfano foi considerado o 4º melhor jogador do século XX e Maradona o 5º. Não fico em cima do muro, pra mim Maradona foi maior, mas a discussão é boa.

No entanto, desde meados de 2004, Lionel Messi parece predestinado a dar um fim nessa polêmica. Extremamente habilidoso e decisivo, já faz algum tempo que Messi coleciona glórias pelo Barcelona que superam de longe em quantidade e qualidade as de Maradona. Faltava uma grande campanha pela seleção argentina. Não falta mais. Ainda que não tenha conquistado a taça, Messi foi fundamental na maioria dos jogos que levaram a Argentina a uma final de Copa na casa de seus maiores rivais, o que o coloca em condição amplamente favorável em relação a Di Stéfano.

Até o momento, Messi marcou 285 gols, 42 pela Argentina. Maradona fez 353 gols em sua carreira, sendo 34 pela Argentina. Di Stéfano marcou 405 gols, 6 pela Argentina, 0 pela Colômbia e 23 pela Espanha. Aos 27 anos Messi pode ainda não ter alcançado as glórias clubisticas de Stéfano nem ter uma história com a seleção albiceleste igual à de Maradona, mas parece não restar mais dúvida de que é o maior jogador argentino de todos os tempos.

domingo, 8 de junho de 2014

As 10 Melhores Seleções Brasileiras

Em ano de centenário da Seleção Brasileira e da segunda Copa do Mundo no Brasil resolvi fazer uma lista das melhores Seleções Brasileiras de todos os tempos. Algumas considerações:

Vou discriminar os times-base de cada uma delas e os jogadores colocados entre parênteses são os que foram titulares em algum momento, enquanto os reservas que de alguma maneira foram relevantes foram colocados como “Outros”.

Sobre os esquemas táticos:
Atualmente dividimos as equipes em três setores,
Defesa: Zagueiros e Laterais
Meio de Campo: Volantes, Alas e Meias
Ataque: Atacantes

Porém, até meados dos anos 50 era comum definir os três setores do campo da seguinte maneira,
Zaga: Zagueiros
Linha Média: Volantes e Laterais
Ataque: Meias, Alas e Atacantes

Portanto não se assuste com esquemas do tipo 2-3-5, achando que é uma sandice ofensiva. Vou colocar o esquema original e o correspondente nos tempos atuais entre parênteses.

10. Era Dunga (2008-10)
Time-base: Júlio Cesar; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká; Robinho e Luís Fabiano.
Outros: Daniel Alves, Ramires e Nilmar.
Técnico: Dunga
Esquema Tático: 4-4-2
Títulos: Copa das Confederações (2009) e Eliminatórias Sul-americanas (2007-09)


Não era bonito nem inspirava poesia, na verdade exigia paciência para encarar a monotonia, mas era muito eficiente. Um Brasil que gostava de jogar sem a posse da bola, defendia (muito bem) a maior parte do tempo e quando saía em contra-ataque era letal. De novembro de 2008, quando foi formada a base do time, até a fatídica derrota para Holanda na Copa da África do Sul foram 26 jogos com 21 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, um aproveitamento excepcional e raro de 84,61% e não tem como ignorar isso. Faturou a terceira Copa das Confederações para o Brasil e a primeira posição nas Eliminatórias Sul-americanas.

Apesar da postura defensiva, talentos individuais como Kaká, Robinho, Luís Fabiano e Elano também tinham seu espaço. É importante ressaltar o comprometimento e a raça que este grupo demonstrava (uma antítese do time de 2006).

9. Prazer, Seleção Brasileira (1938)
Time-base: Walter; Domingos da Guia, Machado; Zezé Procópio, Martin Silveira, Affosinho e Lopes; Romeu Pelliciari, Leônidas da Silva, Perácio e Hercules.
Outros: Patesko.
Técnico: Adhemar Pimenta
Esquema Tático: 2-4-4 (atual 4-3-3)
Campanhas de Destaque: Copa do Mundo – terceiro lugar (1938)


Foi a Seleção que colocou o Brasil definitivamente entre as potências do esporte. Mais que isso, foi a primeira Seleção Brasileira a vencer a segregação social e racial, incluindo jogadores negros e oriundos de classes trabalhadoras. Tinha como destaques o lendário zagueiro Domingos da Guia, o meio-campista Romeu Pelliciari, conhecido na época por “passar meses sem errar um passe”, o atacante Parácio e o mítico Leônidas da Silva, inventor da bicicleta.

Chegou à Copa de 1938 considerada uma Seleção média, fez jogos memoráveis, como o 6X5 sobre a Polônia, perdeu a semifinal para a Itália por 2X1 num jogo que ausência do principal jogador do time, Leônidas, contundido, foi determinante. O “Diamante Negro” voltaria a campo na decisão do terceiro colocado, que o Brasil venceu e ele se consagrou artilheiro do torneio. Depois desta Copa os adversários passaram a olhar a excrete canarinho de outra maneira.

8. Vocês Vão Ter Que Me Engolir! (1997-98)
Time-base: Taffarel; Cafu, Aldair, Junior Baiano e Roberto Carlos; César Sampaio, Dunga e Leonardo; Rivaldo, Ronaldo e Romário (Bebeto).
Outros: Edmundo e Denílson.
Técnico:  Zagallo
Esquema Tático: 4-3-3
Títulos: Copa América (1997) e Copa das Confederações (1997)
Campanhas de Destaque: Copa do Mundo – vice-campeão (1998)


Zagallo vinha sendo duramente criticado por parte da crônica esportiva, que segundo ele fazia campanha pela contratação de Vanderlei Luxemburgo para o comando técnico da Seleção. Logo depois de conquistar a Copa América de 1997, o técnico disparou "vocês vão ter que me engolir!". No mesmo ano a Seleção ainda conquistaria sua primeira Copa da Confederações. Zagallo efetivamente conseguiu armar uma grande equipe.

O ataque era dos sonhos. Três dos quatro maiores artilheiros da história da Seleção – Ronaldo (2º), Romário (3º) e Bebeto (4º) – mais Rivaldo, Edmundo, Leonardo e Denílson. O setor defensivo já não era o mesmo de 1994 mas Dunga e Taffarel ainda estavam lá e a dupla Cafu e Roberto Carlos já era dona das laterais. Em 1997 a Seleção engatou uma serie histórica de vitórias, com muitas goleadas como 7X0 contra o Peru na semifinal da Copa da América e 6X0 contra a Austrália na final da Copa das Confederações. Apesar da sentida ausência de Romário, a Seleção fez uma boa Copa do Mundo em 1998, mas a derrota na final para a França por 3X0 (maior derrota da Seleção em Copas do Mundo) acabou por ofuscar o brilho deste que foi um grande time. Por pouco não conquistou a ainda hoje inédita tríplice coroa Copa América – Copa das Confederações – Copa do Mundo.

7. É Tetra! (1993-94)
Time-base: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo (Branco); Mauro Silva, Dunga, Raí (Mazinho) e Zinho; Bebeto e Romário.
Outros: Cafu.
Técnico: Carlos Alberto Parreira
Esquema Tático: 4-4-2
Título: Copa do Mundo (1994)


Vinte e quatro anos na fila. Qualquer equipe que consiga encarar e vencer um estigma desses, não é uma equipe qualquer. Ao contrário do que se convencionou dizer, o Brasil de 94 não era retranqueiro, na verdade jogava muito parecido com a Espanha de 2010 (sim senhor!). O Brasil de 94 gostava de manter a posse da bola (ao contrário de uma retranca), tocava de um lado para o outro com passes curtos, invertia o jogo, até achar uma brecha para finalizar pro gol, tudo muito parecido com o tiqui-taca da Fúria (sem a mesma qualidade no meio-de-campo, é verdade). Era um jogo de paciência, algo que incomodava a torcida brasileira, acostumada a times brilhantes que agrediam seus adversários sem piedade.

Podia não ser um time de craques, mas disciplina tática e comprometimento fizeram deste um grande time. No mais, Taffarel era um monstro no gol, Dunga era a personificação da raça, Bebeto um goleador e Romário era...Romário. E o Brasil finalmente era Tetra!

6. Família Scolari (2002)
Time-base: Marcos; Cafu, Lúcio, Edmílson, Roque Júnior e Roberto Carlos; Gilberto Silva, Kléberson e Ronaldinho Gaúcho; Ronaldo e Rivaldo.
Outros: Ânderson Polga, Émerson, Juninho Paulista, Denilson e Luizão.
Técnico: Luiz Felipe Scolari
Esquema Tático: 5-3-2
Título: Copa do Mundo (2002)


No inicio era o incrível exército de Brancaleone. Sem Romário? Absurdo! Três Zagueiros? Não se respeita mais a tradição! Ronaldo? Moribundo! Rivaldo? Outro moribundo! Kléberson? Quem?!

Em 2001 a Seleção vivia uma das maiores crises de sua história centenária, correndo risco real de pela primeira vez não se classificar para a Copa do Mundo. Luiz Felipe Scolari seria o quinto técnico a comandar a Seleção desde 1998 e estreou com derrota para o Uruguai. Na véspera do jogo seu principal jogador, Romário, havia fugido da concentração para visitar algumas casas de má reputação de Montevidéu. Essa informação só seria vazada na imprensa meses depois, na época Felipão não fez alarde, apenas parou de convocar o baixinho alegando que “não se encaixava no esquema” (não há esquema no mundo em que Luizão fosse melhor que Romário), com isso o técnico passou duas mensagens importantes ao resto do time:
1. Quem não se compromete não joga.
2. Que ele era alguém confiável e não iria expor nenhum jogador, o que gerou um ambiente de confiança e cumplicidade naquele grupo, fundamental para superar a crise.

Felipão passou por maus bocados, ao mesmo tempo em que precisava montar um time também precisa vencer. Usou a Copa América daquele ano para fazer testes e acabou sendo eliminado por Honduras. Classificou-se para Copa apenas no último jogo. Acabou formando um bom sistema defensivo e para suprir a carência no ataque fez uma aposta arriscada em dois jogadores que estavam voltando de lesões graves: Ronaldo e Rivaldo.

E veio a Copa. No gol São Marcos foi definitivamente canonizado. Os três zagueiros resolveram o problema da defesa e acabaram liberando os laterais para irem ao ataque. Alias, Cafu e Roberto Carlos foram monstros. O meio de campo funcionou e façamos justiça: Ronaldinho Gaúcho foi fundamental. Na frente Ronaldo e Rivaldo formaram uma das maiores duplas de ataque da historia do futebol com nada menos que 13 gols em 7 jogos (Ronaldo foi o artilheiro do torneio com 8 gols). A Família Scolari foi campeã com 7 vitórias em 7 jogos, em toda história somente o Brasil de 70 e o Uruguai de 30 conseguiram um aproveitamento igual.

5. Maracanazo (1949-1950)
Time-base: Barbosa; Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo Alvim e Noronha; Tesourinha (Maneca), Jair da Rosa Pinto, Zizinho, Ademir de Menezes e Chico.
Outros: Ely, Ruy, Bigode e Friaça.
Técnico: Flávio Costa
Esquema Tático: 2-3-5 (atual 4-4-2)
Títulos: Sulamericano de Seleções (1949) e Copa Rio Branco (1950)
Campanhas de Destaque: Copa do Mundo – vice-campeão (1950)


 Do grande time da metade dos anos 40 remanescia os craques Jair da Rosa Pinto,  Ademir de Menezes, Zizinho  e Tesourinha, agora mais velhos, comandavam não só o ataque mas o time. Noronha, Bauer e Danilo Alvim marcaram época na linha média. Babosa era um goleiraço. O time era uma maquina de goleadas. No Sulamericano de 1949 foi campeão com 6 vitórias e apenas uma derrota, alcançando a incrível marca de 39 (!) gols feitos e apenas 7 gols sofridos em 7 jogos.

Ainda em 1949 o Brasil sofreria uma baixa importante: Tesourinha havia se contundido e não disputaria a Copa do ano seguinte em solo brasileiro. O que não impediu que as goleadas continuassem. Na fase final da Copa o Brasil venceria a Suécia por 7X1 enquanto o Uruguai conseguiu um apertado 3X2 de virada contra o mesmo adversário. O Brasil venceria a Espanha por 6X1 enquanto o Uruguai empataria por 2X2 com a Fúria. O jogo final pela disputa da taça seria entre os dois times sul-americanos.

No dia 16 de julho 199.854 pessoas (maior público registrado na história do futebol) compareceram ao recém construído Maracanã com a certeza de que presenciariam ao primeiro titulo mundial do Brasil. Friaça reafirmou essa certeza ao abrir o placar, mas Schiaffino e Ghiggia proporcionariam a virada mais marcante e dolorosa de todas as Copas. Zizinho foi eleito o melhor jogador do torneio (teria sido eleito melhor do mundo caso houvesse o prêmio), Ademir foi o artilheiro, mas ao final do jogo o Maracanã estava quieto, segundo descreveu um cronista uruguaio “um silêncio ensurdecedor”.

4. O Quinteto (1945-47)
Time-base: Oberdan Cattani; Domingos da Guia e Norival; Zezé Procópio, Rui e Jaime; Tesourinha, Zizinho, Heleno de Freitas, Jair da Rosa Pinto e Ademir de Menezes.
Outros: Chico, Noronha, Biguá, Danilo Alvim e Eduardo Lima.
Técnico: Flávio Costa
Esquema Tático: 2-3-5 (atual 4-3-3)
Títulos: Copa Roca (1945) e Copa Rio Branco (1947)
Campanhas de Destaque: Campeonato Sul-Americano de Seleções – vice-campeão (1945 e 1946)


Até esta parte da lista me limitei a comentar sobre os destaques de cada equipe, os melhores jogadores. Mas este quarto colocado (e os próximos três times) merece que pelo menos todos os titulares sejam mencionados porque não há um ponto fraco sequer, só craques. A começar pelo goleiro, Oberdan Cattani, um mito que rivaliza com Marcos o posto de maior goleiro da história do Palmeiras. Na zaga outro mito, Domingos da Guia, para muitos o melhor zagueiro brasileiro de todos os tempos, ao lado de Norival, consagrado zagueiro do Flamengo e do Fluminense. Zezé Procópio foi um lateral-direito que marcou época no futebol mineiro (Villa Nova e Atlético-MG) e paulista (Palmeiras) faturando 7 títulos estaduais (na época era como se fossem sete brasileirões). Rui era volante no lendário time do São Paulo dos anos 40 (Noronha, seu parceiro de linha média no clube, era reserva de luxo). Jaime foi durante muito tempo considerado melhor lateral-esquerdo da historia do Flamengo.

Mas ainda que a defesa inspirasse muito respeito, o quinteto ofensivo foi um raro encontro de craques. Jair da Rosa Pinto era meia, foi ídolo no Flamengo, Santos, Palmeiras e Vasco, ganhando títulos por onde passou. Zizinho era o cérebro do Flamengo e da Seleção e certamente um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Tesourinha era meia-atacante, o principal jogador do Internacional que faturou 7 títulos gaúchos em 8 anos. Heleno de Freitas, atacante de rara categoria e habilidade, marcou época no futebol carioca e argentino. Ademir de Menezes era um centroavante goleador, encerrou a carreira como segundo maior artilheiro da história da Seleção (hoje é o 10º).

Este era, ao lado da Seleção Argentina, o melhor time do mundo na época e ficou marcado justamente pelos intensos embates contra os rivais cisplatinos. Ao menos dois episódios são dignos de menção: o Brasil 6X2 Argentina pela Copa Roca de 1945, maior goleada brasileira do clássico, e a final do Sulamericano de 1946 na Argentina, quando a torcida e a polícia porteña invadiram o campo para linchar os jogadores brasileiros, que acabaram entregando o jogo. Não fosse a Segunda Guerra Mundial haveria Copa em 1946 e este poderia ter sido o primeiro título mundial do Brasil.

3. A Tragédia do Sarrià (1981-82)
Time-base: Waldir Peres; Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Toninho Cerezo, Falcão, Éder, Sócrates e Zico; Serginho Chulapa.
Outros: Paulo Isidoro e Careca.
Técnico: Telê Santana
Esquema Tático: 4-5-1



Telê Santana foi o melhor de todos técnicos brasileiros. Não apenas por sua carreira extremamente vitoriosa mas também porque independentemente do material humano que tinha a disposição, ele conseguia fazer suas equipes jogarem um futebol vistoso, envolvente, ofensivo, de muita movimentação, posse de bola e passes curtos e rápidos. Fluminense, Flamengo, Atlético-MG, São Paulo, Palmeiras e Grêmio tiveram suas histórias marcadas pela passagem do técnico, mesmo em casos que pegou times com baixa qualidade técnica, como é o caso do Palmeiras e do Grêmio do final dos anos 70.

A Seleção foi o caminho natural para o treinador e sua passagem pela excrete canarinho acabou sendo o encontro de um técnico brilhante com uma geração formidável. O goleiro era ninguém menos que Waldir Peres. Lusinho e Oscar eram dotados de técnica e categoria impar para uma dupla de zagueiros, nunca apelavam para chutões e carrinhos violentos. Júnior e Leandro brilhavam nas laterais, muito habilidosos, apoiavam bem, armavam contra-ataques e partiam pra cima.

Mas o meio de campo conseguia ser ainda mais impressionante. Começando pela dupla de volantes com o mais elevado nível técnico de todos os tempos: Falcão e Toninho Cerezo (!). Éder, ponta esquerda, causava estragos nas defesas adversárias com seus dribles e chute potente. Dois meias: Zico, líder e melhor jogador do Flamengo tricampeão brasileiro, da Libertadores e mundial , e Sócrates, cérebro dentro e fora de campo da Democracia Corinthiana. Na frente o matador Serginho Chulapa, maior artilheiro da historia do São Paulo e segundo maior artilheiro do Santos na Era pós-Pelé (foi ultrapassado recentemente por Neymar).

Um time que marcou gerações em todo o mundo. Fez um tour pela Europa entre 1981 e 1982 e venceu com grande categoria Inglaterra, França, Alemanha Ocidental e Oriental, Espanha, Portugal, entre outros. Parecia um time imbatível. Na Copa de 1982 passava com grande facilidade por seus adversários, inclusive a Argentina de Maradona, até a fatídica derrota para Itália no estádio de Sarrià, episodio que ficaria mundialmente conhecido como a TRAGÉDIA do Sarrià.

Faltou para o time de Telê Santana a malícia de jogar com o regulamento a favor. Por três vezes o jogo esteve empatado, resultado suficiente para o Brasil avançar, mas ainda assim o time se lançava violentamente ao ataque em busca do gol da vitória, e Paolo Rossi, em dia inspirado, aproveitou três contra-ataques certeiros. Mesmo assim Telê e seus comandados deixaram seus nomes gravados na história, como sentenciaria o jornalista Fernando Calazãs, “Se o Brasil não ganhou a Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo”.

2. Noventa Milhões em Ação (1969-70)
Time-base: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Rivelino, Pelé, Jairzinho e Tostão
Outros: Djalma Dias, Joel, Rildo, Paulo César Caju e Edu.
Técnico: João Saldanha/Zagallo
Esquema Tático: 4-2-4
Título: Copa do Mundo (1970)


Quem montou o time e o formatou taticamente foi João Saldanha. Já fazia vários anos que, apesar da boa safra de jogadores, nenhum técnico conseguia montar um time que convencesse, até que em 1969 Saldanha fosse chamado para comandar o time canarinho. Propôs logo de cara um esquema tático inovador com marcação adiantada e quatro atacantes, nenhum fixo na frente, sem a bola os quatro voltavam. Obteve resultado instantaneamente, em pouco tempo o time voava e dava espetáculo, nas eliminatórias para a Copa do ano seguinte se classificou com 6 vitórias em 6 jogos, 23 gols marcados e apenas 2 sofridos.

As atuações e os resultados do time animaram o torcedor de maneira geral, mas preocupavam o Regime Militar. Acontece que João Saldanha era membro clandestino do Partido Comunista, e seria uma tragédia para o Regime um comunista voltar do México como herói. Entre o final de 1969 e inicio de 1970 vários ministros, membros do governo e o próprio Emílio Garrastazu Médici passaram a fazer críticas à Seleção, o que levou Saldanha a declarar: “Eu não escalo o ministério e ele não escala a Seleção”. Faltando dois meses para o início do mundial João Saldanha foi dispensado sem nenhum motivo aparente. O novo treinador seria Zagallo, bicampeão mundial como jogador, que fez alguns ajustes interessantes na defesa e colocou Rivelino no lugar de Edu.

A Copa do Mundo de 1970, no México, foi provavelmente a edição mais marcante do torneio e certamente uma das mais difíceis de se vencer devido ao grande número de excelentes jogadores e equipes. Inglaterra, Alemanha Ocidental, Itália e Uruguai eram times com elenco de campeão mundial, além de outras grandes equipes como Peru, Romênia, Suécia e Tchecoslováquia. Mas o Brasil foi implacável, enfrentou somente adversários de peso e não se permitiu nem mesmo um empate, foram 6 vitórias em 6 jogos, com 19 gols marcados e 7 gols sofridos. A única Seleção na história com 100% de aproveitamento nas eliminatórias e na Copa.

O time começava por Felix, o goleiro, seguia com a dupla de zaga Brito e Piazza (o ídolo cruzeirense era volante mas jogava de zagueiro na Seleção), Everaldo era o lateral-esquerdo e Carlos Alberto, capitão do time, jogava na lateral-direita, o que não o impedia de avançar ao ataque e até finalizar em gol.

Do meio pra frente era uma verdadeira maquina. Clodoaldo talvez seja o personagem que melhor sintetize como aquele time era ofensivo, era o único volante do time, ainda assim participava bastante da criação de jogadas ofensivas. O grande maestro que atuava fixo na criação de jogadas era Gerson, jogador de grande inteligência e categoria. Outro jogador destacado na armação era ninguém menos que Pelé, eleito pela FIFA o melhor jogador do século XX e melhor jogador daquela Copa, além de ser o maior artilheiro da Seleção e do futebol mundial em todos os tempos e o único jogador a ganhar três Copas, atuava como ponta de lança. Rivelino e sua patada atômica era um meia-atacante avançado. Jairzinho jogava de atacante, marcou 8 gols, e é até hoje o único jogador a marcar em todos os jogos de uma Copa. Tostão, maior ídolo da historia do Cruzeiro, era centroavante.


1. Esquadrão de Ouro (1958-62)

Time-base: Gilmar; Djalma Santos, Orlando Peçanha (Mauro Ramos), Bellini (Zózimo), Nilton Santos; Zito, Didi e Zagallo; Garrincha, Pelé (Amarildo) e Vavá.
Outros: De Sordi e Mazzola
Técnico: Vicente Feola/Aymoré Moreira
Esquema Tático: 4-3-3
Títulos: 
Copa do Mundo (1958 e 1962), Copa Roca (1960), Taça do Atlântico (1960), Taça Bernardo O´Higgins (1959 e 1961) e Taça Oswaldo Cruz (1958, 1961 e 1962)



Fato objetivo: foi o único time campeão do mundo que conseguiu defender o título na edição seguinte. A Itália foi bicampeã em 1934 e 1938, mas com um time comp
letamente diferente entre as duas edições, enquanto o Brasil de 1962 era quase o mesmo de 1958, só havia mudado a dupla de zaga. Mas não pauto minha escolha apenas nisso.

Muita gente vai questionar “Melhor que a Seleção do Tri?”

O time de 70 foi mais espetacular, mas lhe faltava algo que o time de 58-62 tinha de sobra: equilíbrio. A equipe campeã na Suécia e no Chile tinha uma consistência defensiva invejável (mesmo considerando Seleções de tradição defensiva mais proeminente, como Alemanha e Itália) sem deixar de dar espetáculo (Zagallo, Didi, Pelé, Garrincha e Vavá).

Gilmar é comumente apontado como o melhor goleiro brasileiro da história. Orlando e Bellini formaram no Vasco e na Seleção uma das mais lembradas duplas de zaga do futebol brasileiro. Aliás, Bellini foi o capitão da primeira conquista, no Chile a braçadeira era de Mauro Ramos, consagrado zagueiro do São Paulo e do Santos, que fez dupla com Zózimo, zagueiro de muita raça. Nilton Santos e Djalma Santos foram eleitos pela FIFA, respectivamente, o melhor lateral-esquerdo e o melhor lateral-direito do século XX. Fechando o sistema defensivo, Zito era um experiente volante do Santos.

Na sistema ofensivo Zagallo era um ponta-esquerda habilidoso e com grande consciência tática e Vavá um centroavante matador. Mas o grande trunfo da equipe era o trio Didi, Pelé e Garrincha. Didi era cérebro do time, tinha grande visão de jogo e muito habilidoso, foi eleito o melhor jogador da Copa de 58. Garrincha era um mito, provavelmente o maior driblador que já existiu, eleito melhor jogador da Copa de 1962. Pelé dispensa adjetivos. Aliás, é interessante destacar, Pelé e Garrincha jogando juntos pela Seleção nunca perderam uma pa
rtida sequer, muito relevante para uma dupla que jogou mais de 40 vezes junta.

Desta equipe, nada menos que 4 jogadores foram incluídos na Seleção do Século XX da FIFA. Além dos já citados laterais Djalma Santos e Nilton Santos, Pelé e Garrincha também. Pra mim, a melhor Seleção Brasileira de todos os tempos.

"
Para Mané para Didi para Mané Mané para Didi para Mané para Didi para
Pagão para Pelé e Canhoteiro"

O Futebol - Chico Buarque

domingo, 1 de junho de 2014

Vai Ter Copa

Um aspecto que sempre me afastou da religiosidade foi a questão da expiação ou redenção dos pecados através do sofrimento. Pequei, logo mereço sofrer. Eis que está acontecendo em torno da Copa do Mundo no Brasil um sentimento coletivo que segue a mesma lógica.

Nossos pecados: corrupção, desonestidade, desigualdade, jeitinho, incompetência, burocracia e tantos outros. Nossa redenção: fazer da nossa Copa do Mundo um fiasco.

Agora é o momento de se autoflagelar, temos que mostrar pro mundo o quanto as coisas aqui são ruins. Tomara que tenha um apagão, que os gringos peguem dengue e caia um avião no meio do campo.

Verdade que criar uma realidade pasteurizada e fantasiosa não nos levará a lugar algum, mas qual a vantagem de ficar torcendo por um vexame? Que os gringos fiquem com dó da gente?

Torcer pelo Brasil e gostar de futebol virou coisa de gente cretina. Pessoas politizadas e com consciência vão torcer pra seleção perder na primeira fase ou pra Argentina.

Em que pese todas as mazelas geradas, a Copa será um evento marcante do ponto de vista cultural e esportivo e que a esta altura o melhor a se fazer é tirar este azedume do rosto, viver o momento e ter historias pra contar pros netos.

Se você ainda não entendeu, o que digo aqui é muito distante do “O que foi roubado, já foi” e muito mais próximo do “Que tal tentar fazer deste limão uma limonada”.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Quadrilha

Valério amava Delúbio que amava Genoino
que amava Henrique que amava Dirceu que odiava Jefferson
que era um baita X-9

Valério multiplicou seu patrimônio por mil em oito anos, Delúbio foi pra Papuda,
Genoino foi reeleito, Henrique fugiu pra Itália ,
Jefferson virou herói da direita e Dirceu foi absolvido pelo crime de formação de quadrilha por Dias Toffoli

Carlos Drummond de Andrade (adaptado)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Futebol é Igual Mario Kart

Toda sociedade nutre certo ódio coletivo por determinadas figuras públicas. Aqui no Brasil, por exemplo, nos acostumamos a odiar os atendentes da NET, os políticos, os funkeiros que não usam fone de ouvido, Galvão Bueno, entre outros. E num país aficionado por futebol é natural que os árbitros também sejam alvo de desdém. Não por menos, a sensação de injustiça e raiva quando seu time é vitima de um erro crasso da arbitragem é terrível.

Mas encaremos a realidade: os atacantes às vezes erram o gol, os técnicos às vezes erram na escalação, os contadores às vezes erram a conta, os linguistas às vezes erram a concordância, os economistas então, nem se fala, enfim, seres humanos em geral erram. Então porque os árbitros não podem errar também? Os apitadores têm que tomar dezenas de decisões por partida. Estranho seria se não errassem nada. Mas é complicado errar quando se lida com a paixão das pessoas.

E isso só vai mudar quando a FIFA rever sua posição paleozoica de não permitir recursos eletrônicos para auxiliar a arbitragem, mas até lá futebol deve ser tratado como Mario Kart.

Pra quem não teve uma infância feliz nos anos 90, Mario Kart é um jogo de corrida onde vários tipos de trapaça são permitidas (suas, dos outros jogadores e do cenário). Saber andar rápido, usar os atalhos da pista e fazer drifts com perfeição nem sempre é suficiente pois a qualquer momento você pode ser atingido por um casco teleguiado, um raio minimizador ou inda ser atirado pra fora da pista. Um bom jogador de Mario Kart sabe que em algum momento será prejudicado e simplesmente se adéqua a isso. Ele monta sua estratégia com a certeza que um casco azul irá acerta-lo na reta final, e se isso não acontecer, bem, tanto melhor.

Enquanto futebol puder ser influenciado por fatores que os jogadores não controlam a mentalidade tem que ser a mesma de uma partida de Mario Kart. Os jogadores devem entrar em campo conformados que a qualquer momento a arbitragem pode prejudica-los. O bom time será sempre aquele que não se deixa abater e supera os erros do arbitro. Não adianta reclamar, xingar no Facebook ou criar uma teoria da conspiração onde a CBF quer prejudicar o seu time.

Até que mentes arejadas e modernas cheguem ao comando da FIFA não há muito mais o que fazer.