Ano passado a Siemens confessou ter pago propinas para vencer licitações do Metrô de São Paulo e inclusive enviou quantidade farta de documentos que comprovam o ilícito. Entre esses documentos constavam e-mails que sugeriam que os governadores Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra sabiam das transações escusas.
Transcrevo abaixo trecho do editorial da revista Veja do dia 14/08/2013 (edição 2.334), disponível no acervo digital no site da revista:
"HÁ INDÍCIOS, MAS NÃO PROVAS
(...) A empresa alemã fez negócio com sucessivos governos tucanos em São Paulo (...). A reportagem de VEJA mostra que há motivos, sim, para desconfiar da lisura dos negócios da Siemens com os tucanos de São Paulo, mas ressalta que as investigações oficiais não produziram ainda provas ou acusações diretas de improbidades.
As investigações estão em curso e espero que esclareçam cabalmente se o dinheiro público foi gasto em volume indevido em consequência da cartelização administrada pela Siemens e, principalmente, se o sobrepreço virou dinheiro de corrupção. (...)"
As investigações estão em curso e espero que esclareçam cabalmente se o dinheiro público foi gasto em volume indevido em consequência da cartelização administrada pela Siemens e, principalmente, se o sobrepreço virou dinheiro de corrupção. (...)"
A revista não deu nenhuma capa para este escândalo (a capa da edição de onde este editorial foi extraído era sobre musculação, um tema certamente muito mais relevante que um esquema que possivelmente lesou os cofres públicos de São Paulo em bilhões de reais) e também não usou imagens para ilustrar os possíveis envolvidos, o que é muito usual da revista.
Beleza. Daí, um ano depois, um doleiro que havia sido pego no flagra faz uma delação premiada, aliás, tal doleiro já havia sido pego praticando ilícito dez anos antes, e já havia feito uma delação premiada em 2004 para se livrar da cadeia, no entanto as informações fornecidas daquela vez acabaram não dando em nada.
Nesta nova delação o doleiro faz uma acusação gravíssima contra dois presidentes. Está simples acusação de um criminoso confesso, sem documentos, sem provas, motiva uma matéria de capa onde a revista afirma em letras garrafais "ELES SABIAM DE TUDO", com a imagem dos dois presidentes em destaque, isso tudo cirurgicamente às vésperas de um pleito presidencial. Cadê todo aquele rigor de verificar se a denúncia tem procedência?
Alberto Youssef teve papel central em um esquema de corrupção de grande magnitude, tudo que ele disser precisa sim ser levado a sério por mais que sua história o desabone. Se a Justiça achar razoável, que se quebre sigilo fiscal, telefônico e o que for, presidente não está acima da lei e não é intocável. Tudo tem que ser investigado.
Mas por favor, não vem com papinho que revista Veja é isenta e me mostrar meia duzia de capas que a Veja critica o governo FHC (meia duzia de capas contra o PT é o que a Veja faz por ano), o tratamento dado às partes é absolutamente desigual e desonesto. Dois pesos e duas medidas é pouco.
Pronto, pode me odiar agora.











