No ano de 2002 foi publicado um documento histórico chamado “Carta ao Povo Brasileiro”, assinada pelo então candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva. Nela, o candidato fazia duras críticas ao governo vigente de maneira aberta e objetiva, sobretudo ao modelo macroeconômico, que segundo ele era o grande culpado pela crise econômica e social que o país vivia. O texto também afirmava, de maneira bem mais implícita, sucinta e sutil, que iria manter o regime de metas de inflação, o câmbio flutuante e as metas de superávit primário, o polêmico tripé econômico.
Trocando em miúdos, o candidato pesava a mão contra o modelo macroeconômico ao mesmo tempo em que defendia a permanência de sua pedra fundamental. Pode parecer paradoxal, e é. Lula tentava dialogar com seu eleitorado e respaldar o desejo geral por mudanças, mas também queria acalmar o mercado financeiro sobre uma possível vitória de sua candidatura. Na presidência Lula se manteve fiel à boa parte da política econômica que tanto criticava e aquilo que o diferenciava de seu antecessor só viria gerar frutos em seu segundo mandato.
Foi nesse contexto que, em 2006, Marcelo D2 escreveu a música “Carta ao Presidente”, uma resposta à carta escrita quatro anos antes, cobrando as tão alardeadas mudanças e utilizando inclusive as mesmas frases e expressões escritas pelo ainda candidato à presidente (é bem interessante ler a carta e comparar com a letra da música). D2 foi perspicaz ao identificar uma grande angústia do brasileiro naquele ano eleitoral, afinal “qual seria a diferença do Luiz pro José?”.
CARTA AO POVO BRASILEIRO
http://www.iisg.nl/collections/carta_ao_povo_brasileiro.pdf
CARTA AO PRESIDENTE
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