domingo, 6 de dezembro de 2009

Grupos da Morte


Na ultima sexta-feira(dia 4/12/2009) foram sorteados os grupos da copa do mundo do ano que vem, e dessa vez o grupo G é o da morte. Bem verdade, que a Coreia do Norte, integrante do grupo, é um dos 3 piores times do mundial. Mas a Costa do Marfim é disparado a melhor seleção do continente que irá sediar o evento, a Africa. Além de Portugal que tem o atual melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo, a revelação Nani, e o reforço de 3 brasileiros, Deco, Liedson e Pepe, e por isso é hoje uma das seleções mais temidas da Europa. Tanto o selecionado africano quanto o europeu dificlmente ergueram o caneco ao final da competição, mas tem condições de alcançar as semi-finais caso passem à fase seguinte. O país que completa o grupo é o Brasil, que dispensa apresentações, e que é, junto com a Espanha, o principal favorito ao titulo.

Vale mencionar que o Grupo E, composto por Holanda, Japão, Dinamarca e Camarões, também é dificilimo, e diferentemente do grupo G, os 4 times tem chances de avançar a segunda fase, tornando-o mais imprevisivel e competitivo. Mas comparando país a país, ainda acho o grupo do Brasil o da morte. Começando pelos cabeças de chave, Brasil e Holanda, os sul-americanos passam por melhor fase, campeõs da América, das confederações e 1º lugar nas eliminatorias, enquanto os europeus, que tambem passam por boa fase e tem um timaço, fracassaram na Eurocopa, e apesar de se classificarem com 100% na eliminatorias, seu grupo era fraquissimo(Macedônia, Noruega, Escócia e Islândia). Como ja mencionei, a Costa do Marfim é o grande time da Africa, a frente de Camarões do craque Samuel Eto’o. A Dinamarca surpreendeu nas eliminatorias, desclassificou a Suécia de Ibrahimovic e mandou Portugal pra repescagem, apesar disso ainda acho o time português melhor , pois o problema no ataque foi resolvido com a naturalização do brasileiro Liédson, sem contar que o craque Cristiano Ronaldo não participou de grande parte das eliminatorias. Somente a comparação entre os asiaticos Coreia do Norte e Japão pende a favor do grupo E, pois a Coreia do Norte é muito fraca, e o Japão é um time médio do futebol mundial, apesar de ter vivido melhor fase. Em ambos os casos, se os cabeças de chave, Brasil e Holanda, não começaram o torneio jogando a serio, correm o risco de uma desclassificação precoce.

O Brasil caiu mais 4 vezes no grupo da morte, em 58, 62, 70 e 94. A coincidência feliz é que nessas 4 vezes o Brasil ficou em 1º da chave e se ainda se sagrou campeão. Em 58, Pelé, Garrincha e Cia. enfrentaram a poderosa Inglaterra, a Áustria, 3ª colocada em 54, e a URSS que ficou com a segunda vaga do grupo, e que seria a primeira campeão europeia 2 anos mais tarde. Em 62, cairam no mesmo grupo Brasil e Tchecoslovaquia, que seriam respectivamente campeão e vice daquela copa, o grupo ainda contava com Furia Espanhola(a original), com os naturalizados Puskas e Di Stefano. O México, uma seleção inexpressiva na época, foi o saco de pancadas do grupo. Em 70, Pelé, Tostão, Gerson, Jairzinho e Rivelino encararam novamente Inglaterra e Tchecoslovaquia, além da Romênia, sensação das eliminatorias europeias. Ingleses e brasileiros levaram a melhor. Em 94, Romario e Bebeto passaram pelos tradicionais Suécia e Rússia, e pela sensação africana da época: Camarões.

Mas a seleção que mais frequentou grupos da morte é a Argentina: 6 vezes. Conseguiu se classificar em 5 oportunidades, nos anos de 1930(Chile, França e México), 1966(Alemanha Ocidental, Espanha e Suíça), 1974(Polônia, Itália e Haiti), 1978(Itália, França e Hungria) e em 2006(Costa do Marfim, Holanda e Servia e Montenegro). Em 2002 porém, quando enfrentou Inglaterra, Nigéria e Suécia, a seleção portenha foi eliminada logo de cara.

Pra finalizar, os outros 6 grupos da morte restantes são:
1950: Espanha, Inglaterra, Chile e EUA(só um avançava)
1954: Uruguai, Áustria, Tchescoslováquia e Escócia
1982: Inglaterra, França, Tchecoslováquia e Kuwait
1986: Dinamarca, Alemanha Ocidental, Uruguai e Escócia(os melhores 3os avançavam)
1990: Inglaterra, Irlanda, Holanda e Egito(os melhores 3os avançavam)
1998: Nigéria, Paraguai, Espanha e Bulgária

Lembrando que em 1934 e 1938 a copa começava dos mata-matas, portanto não havia fase de grupos.

* Em negrito as seleções que avançaram em cada grupo

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Brasil é um Fla-Flu

Slide 1
O texto não é meu, mas por ser o texto que mostra mais perfeitamente a cena politica atual (segundo a minha opnião), vou posta-lo. Realmente me identifiquei muito.

Nada mais no Brasil parece ser avaliado sem a busca de segundos interesses.

Difícil dizer se as pessoas em geral julgam as demais pelo que elas são ou se, de fato, não há mais clima nem para uma informação.

Bem apurada e desinteressada, aqui mais uma vez reiterada, vinda de alguém que de política não entende e nem quer entender nada, apenas estava numa festa descolada.

Ah, mas se prejudica A é coisa de S.

Ou do PT.

Brilhantes, sagazes, Maquiavel teria inveja de analistas tão sofisticados.

Mas o cara vive criticando o PT, virou um fracassomaníaco (termo de FHC para criticar os petistas, mas
recentemente adotado por alguns deles), ficou
contra até o Rio-2016, argumenta outro.

Então é coisa de S mesmo.

E, aí, por mais que o cara tenha revelado que votou no Lula contra o Serra e anulado o voto, já desanimado, quando o páreo ficou entre Lula e Alckmin, é
preciso achar um rótulo.

Então, fica engraçado.

Os que se julgam de esquerda passam a, taticamente (Lênin?), defender Aécios.

E a direita chic defende mesmo, no clube dos cafajestes tuiteiros, por exemplo, porque amigo é pra essas coisas.

Uma certa esquerda recente que apareceu na imprensa, diga-se, que calou durante a ditadura brasileira, mas que hoje, de má consciência e sem correr
riscos, se faz de corajosa.

Já a elite branca, o termo é do insuspeito Cláudio Lembo, não entende por que o Brasil tem um inculto na presidência, a Bolívia tem um índio, a Venezuela
um caudilho, o Paraguai um padre pedófilo, o Uruguai está em vias de ter um ex-guerrilheiro Tupamaro e por aí afora, tudo gente incapaz de se comportar bem numa festa chic, que gospe no chão e palita os dentes.

Não entende que foi ela quem, depois de mais de 500 anos de dominação e exploração, não conseguiu mais manter tampado o que queria explodir.

E explodiu.

Agora, aguenta.

Corre, blinda, vira gueto, se horroriza e mente, desqualifica, tenta sobreviver com seus privilégios nas Daslus da vida e suas lavagens de dinheiro, porque é
isso, dinheiro é o critério do sucesso, seja como for.

Perfumados, engomados, mas cada vez mais amedrontados, embora chegados a um brilho aqui ou ali porque ninguém é de ferro.

E, ora bolas, desde quando uma bolacha na moça descontrolada é notícia, né não?

Notícia legal é a plantada, na praia, porque o amor é lindo e tudo perdoa, me bate que eu gamo.

E me engana que eu gosto.

Minas está onde sempre esteve e nada a moverá.

O Brasil nem tanto, se move, ao menos, o que não é pouco, incluindo excluídos que, segundo FHC, jamais poderiam sê-lo, infelizmente haveriam de morrer
à míngua.

Mas, que diacho, não é que os que acabaram de chegar se deram conta que o cheiro de um Dior é muito mais agradável que o da graxa.

Engraxemo-nos, todos, pois, com Dior, é claro.

E, aí, quem, decepcionado, critica, denuncia, fiscaliza, é derrotista, moralista, até paulista, se a crítica for ao mau momento do Fluminense.

Seria tudo muito divertido, não fosse medíocre.

E pusilânime, dos dois lados.

Que, por sinal, se merecem.



Juca Kfouri

sábado, 14 de novembro de 2009

Os 120 anos da República Federativa do Brasil


Hoje, dia 15 de Novembro de 2009, o Brasil completa 120 anos da proclamação de sua republica. É uma republica relativamente nova se comparada com as da Europa e da própria América Latina(a mais antiga, do Paraguai, tem mais de 198 anos). Mas a explicação para isso é mais razoável do que a convencional, que prega que o brasileiro é conformista.

No Brasil existe um fato curioso, pois se comemora a independência e a proclamação da republica, quando o usual é se comemorar a independência em países que foram colônias(América, África, Oceania e parte da Ásia), e festejar a revolução nos países do velho mundo que eram metrópoles(Europa e parte da Ásia). Isso ocorre porque a independência das colônias significou imediatamente a republica, enquanto os países clássicos tiveram que passar por uma revolução para acabar com a monarquia e instaurar a republica. O Brasil passou pelas duas, portanto tem 120 anos de republica e 187 anos de independência. Como a independência veio pelas mãos do próprio príncipe regente(que na época governava Portugal também), isso inibiu a organização da republica em nome de um objetivo maior na época: a independência.

Junta-se a isso a grande competência militar dos portugueses e depois do próprio governo imperial e republicano brasileiro para conter revoluções separatistas. Foram inúmeras: Bahia, Minas Gerias, Rio de Janeiro, Amapá, Acre, Rio Grande do Sul, São Paulo, Pernambuco, Pará, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Paraná e Maranhão, já tentaram sua indepencia, alguns varias vezes ou em bloco(independência da Região Nordeste ou Região Sul). Porém quase todas foram contidas com eficácia. Quase todas porque perdeu a Região Cisplatina (atual Uruguai). Mas este é um caso especial, no período o próprio Brasil lutava pela sua independência contra militares legalistas portugueses, além da forte ajuda militar Argentina em favor os cisplatinos. O Brasil poderia ter virado varias republicas de mesma maneira que aconteceu na América espanhola. Nesse aspecto os portugueses foram mais competentes que os espanhóis.

Outro aspecto peculiar é a insistente instabilidade politica que persegue o pais no que diz respeito a seus lideres. Basta dizer que nesses 120 anos, 3 revoluções, 2 golpes e uma transição democrática depois, apenas 3 presidentes democraticamente eleitos respeitando as leis de sufrágio universal cumpriram seu mandato até o final: Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubtischek e Fernando Henrique Cardoso. Lula provavelmente será o quarto. Provando que “nunca antes na historia desse país houve tanta estabilidade”, pois pela primeira vez 2 presidentes terminarão seu mandato consecutivamente.

Importante lembrar que as eleições antes de 1930, na republica velha, não obedeciam as leis de sufrágio universal, pois eram eleições viciadas, em que o presidente gerenciava a contagem dos votos e anunciava o vencedor. Sistema que acabou criando a chamada “republica do café com leite”, quando representantes das elites agrárias de Minas e São Paulo se revezavam no poder. Isso propiciava tranquilidade à seus governantes, pois nada mais estável do que governar sabendo que seu candidato será eleito nas próximas eleições independente do que você faça no governo, ainda mais em um periodo em que não havia grandes centros urbanos, e a população era dispersa, impossibilitanto grandes revoltas populares. Mas mesmo se levarmos em consideração esse período, não há 2 presidentes eleitos que cumpriram seu mandato até o fim desde 1918 (Hermes da Fonseca – 1910/1914 e Venceslau Brás – 1914/1918). O recorde foi entre 1894 e 1906, com 3 presidentes seguidos – na ordem, Prudente de Morais, Campos Sales e Rodrigues Alves (curiosamente os únicos 3 paulistas a assumirem a presidência na historia). Porém nessa época não eram permitidas re-eleições, e portanto foram apenas 3 mandatos seguidos, dessa forma, se Lula passar a faixa ao seu sucessor, pela primeira vez teremos 4 mandatos seguidos completos, mesmo considerando a republica velha.

O que aconteceu com o resto? 1 renunciou, 1 se suicidou, 3 foram depostos, 1 sofreu impeachment, 5 foram provisórios(até a situação se resolver), 1 foi eleito em eleições especiais de carater excepcional, 3 morreram durante seu mandato (incluindo Marechal Deodoro, o 1º presidente) e 2 morreram ANTES de assumir. Fora os 5 vices que assumiram mandatos começados. Soma-se a isso 2 juntas governativas provisórias e meia dúzia de ditadores.

Talvez isso mostre o quão complexo é governar esse gigante chamado Brasil, país dos paradoxos, que tem vocação de grandeza, porém uma realidade miserável em muitos aspectos. O Brasil teve sim muitos governantes incompetentes, porém temos que admitir que em determinados momentos houveram decisões inteligentes e corajosas. A problematica brasileira é de difícil solução(assim como a de todo mundo subdesenvolvido), e isso impede que mesmo lideres brilhantes se destaquem. De maneira análoga alguns lideres como Kennedy ou Wiston Churchill não fizeram absolutamente nada que justifique sua fama, porém comandaram grandes nações em momentos decisivos para as mesmas.

Em tempo, o único presidente eleito(na republica velha) que cumpriu seu mandato até o fim e ainda não foi citado foi Artur Bernardes, que governou de 1922 até 1926.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

G-20 e a ordem econômica mundial



Neste sábado e domingo(dias 7 e 8 de Novembro), aconteceu a 11ª reunião de ministros das finanças/economia do G-20, em St. Andrews(Reino Unido), aonde foi determinado que, apesar da visível recuperação da economia mundial, essa recuperação ainda é frágil e que portanto os fortes estímulos governamentais à economia serão mantidos. É importante notar a relevância que o grupo vem ganhando ao longo do tempo e principalmente por causa da crise financeira.

O G-20 foi formado em 1999, e é constituído pelas 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia(portanto o G-8 + 11 países emergentes + UE) e contava com encontros anuais com os ministros da economia/finanças e presidentes dos bancos centrais dos países membros, mas a partir de 2008, o grupo passou a ter 2 reuniões anuais e a contar com os lideres dos países membros, sem contar os encontros tradicionais, com ministros e presidentes de BCs (em 2009 foram 2 reuniões de cúpula e 1 encontro). Isso se deve ao fato de que a presença dos países emergentes, principalmente dos 3 gigantes do BRIC-Brasil, Índia e China(a Rússia já faz parte do G-8), para fazer prognósticos e politicas econômicas é cada vez mais necessária, e a crise do ano passado mostrou isso de maneira clara, já que a China foi a grande responsável pelo preço das commodities não ter despencado e agravado ainda mais a crise. Isso reflete o fato de que os países em desenvolvimento tem crescido muito economicamente, e isso vem se convertendo em maior importância politica e maior voz ativa. E a tendência é que cada vez mais esses paises ganhem espaço, e que no futuro o G-20 substitua o G-8 como principal fórum mundial e politica e economia(se é que ja não substituiu).

Atualmente o bloco detém 85% do produto nacional bruto(PNB) do mundo, e isso tende a se manter no decorrer do tempo, mas a importância relativa de cada pais dentro do grupo tende a mudar. O intuito do G-8 é reunir os 7 países mais industrializados e ricos do mundo mais a Rússia. Quando foi formado, o G-7, era constituído por EUA, Itália, Japão, França, Canadá, Reino Unido e Alemanha, pois eram as 7 maiores economias capitalistas do mundo em 1976, porém hoje em dia o Canada já não está entre as 7 maiores e a China está. Segundo estudo feito pela Goldman Sachs, em 2050, as 7 maiores economias seriam, por ordem: China, EUA, Índia, Brasil, México, Rússia e Indonésia, ou seja apenas os EUA se manteriam do grupo original.

É claro que isso não significa dizer que esse crescimento econômico vai resultar invariavelmente no desenvolvimento desses países emergentes, pois ainda são países de economia dependente e capitalismo atrasado, e prosperidade econômica, pura e simplesmente, não garante nada, portanto uma afirmação dessas seria ingenuidade. E significa menos ainda dizer, que os países europeus ou o Japão, por exemplo, perderão importância, pois são países com um nível de acumulação de capital muito maior, além de gozarem de uma influência cultural e técnica que dificilmente se modificará. Uma coisa é crescer desenfreadamente, outra é mudar a estrutura da economia mundial de maneira a suplantar a dependência e o atraso. Este sim um aspecto fundamental para superar o subdesenvolvimento.

Na verdade, o que ocorrerá é uma realocação natural das economias, tendo em vista que países como Brasil, Índia e China, que tem grande população, mão-de-obra barata e muita matéria-prima, e portanto um potencial econômico enorme, produzam mais que países como Alemanha e Japão(que são pequenos e importam quase toda sua matéria-prima). O que se viu até hoje foi uma diferença brutal de produtividade entre os países do centro e da periferia econômica, que resulta numa produção absoluta maior dos países cêntricos. Esse diferença tem se abrandado, e por isso, em termos absolutos os países emergentes iram passar à frente, porém em termos relativos de produtividade ainda ficarão atrás.

Porém, essas perspectivas significam aumento da importância do antigo terceiro mundo, pois com economias poderosas, essas países terão mais poder de barganha, terão mais voz e portanto maior influência politica no mundo. Consequentemente, isso caracterizara um mundo um pouco menos centralizado no carater politico e econômico.



Paises membros do G-20: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, EUA, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia, além da União Europeia