terça-feira, 6 de agosto de 2013

Em Defesa do Hino Nacional

Hoje novamente irei comentar sobre um aspecto que gerou polêmica nas manifestações, a questão do nacionalismo. Depois que as manifestações tomaram proporções gigantescas, muitas pessoas levaram bandeiras do Brasil às ruas, muitas delas cantando o hino nacional. Em geral grande parte das pessoas que aderiram às manifestações foi tomada por um sentimento patriótico. Porém essa regra era quebrada por alguns grupos ligados à partidos políticos e a sindicatos que bradavam orgulhosos suas bandeiras vermelhas. Na visão do manifestante comum, que via nos partidos políticos instituições que falharam em nos representar, aquelas bandeiras vermelhas maculavam a manifestação. Do outro lado, os rubros acusavam os patriotas de fascismo. O enfrentamento foi inevitável.

Eu não vejo nenhum problema de se levantar bandeiras partidárias em protestos. No meu entendimento, porém, aquele momento era inadequado para tal, porque se tratava de algo maior, de luta por direitos e representatividade, e não de exposição ideológica. Ainda assim o direito de levantar qualquer bandeira tem que ser preservado. Enquanto a multidão clamava por “sem partido”, era apenas uma postura ideológica, mas abaixar as bandeiras à força foi sim um traço fascista.

Isso acabou desencadeando de setores da esquerda uma série de críticas ao comportamento patriota /nacionalista, que estaria estreitamente ligado a regimes ditatoriais. Farei aqui uma defesa do patriotismo, e começarei com algumas definições.

Nação – Reunião de pessoas com os mesmos costumes, hábitos, tradições e cultura, formando assim um povo
Pátria – Lugar onde o individuo nasceu ou foi criado e está ligado por vínculos afetivos e culturais, por valores e pela história.
Patriotismo – Sentimento de orgulho e devoção à sua pátria e aos seus símbolos.
Nacionalismo –Ideologia que valoriza a aproximação e identificação com uma nação. Leva a uma postura patriota.
Ufanismo – Ideologia de sobrevalorização irracional das qualidades de uma nação e mascaramento dos defeitos. Não admite críticas.
Xenofobia – Medo, preconceito, aversão e antipatia com relação a pessoas de outras pátrias ou nações.

Émile Durkheim, um dos sociólogos mais proeminentes de todos os tempos, costumava enfatizar a importância da coletividade na vida do individuo, que fazer parte de um grupo é fundamental para nós, animais sociais. É nesse contexto que termos como “pátria” e “nação” ganham importância, e símbolos que expressem essa afinidade com sua pátria são igualmente importantes.

O Patriotismo/Nacionalismo inspira um senso de coletividade que estimula deveres cívicos e morais, além de elevar auto-estima do grupo. O individuo que admira e respeita sua terra e seu povo terá uma tendência a uma atitude menos individualista e mais em prol do bem comum.

O Ufanismo, este sim, foi usado em diversos regimes ditatoriais, pois coloca os elementos nacionais como absolutos, perfeitos e superiores. A famigerada frase “Ame-o ou deixe-o” é ufanista, pois pressupõe um país perfeito, onde criticas não são bem vindas. O Patriotismo, ao contrario, pressupõe a existência de criticas, pois é através delas que podemos melhorar a realidade a nossa volta, e dessa maneira sentir mais orgulho, devoção e identificação por nossa pátria.

Em 2008 era muito comum pessoas que se posicionassem contra a escolha do Rio de Janeiro para ser sede das Olimpíadas de 2016 serem taxadas de antipatriotas, ainda que se pautassem em criticas bastante construtivas. Na minha visão, quem se posicionou contrario ao Rio 2016 foram mais patriotas de todos.

A Xenofobia é algo ainda mais nefasto que o Ufanismo, pois não apenas pressupõe que sua cultura, hábitos e costumes são superiores, mas que a cultura, hábitos e costumes de outros são ruins e devem ser menosprezadas.

Temos que saber separar as coisas. Sim, precisamos de senso crítico e saber aceitar a realidade para evoluir, mas também precisamos amar mais a nossa terra. Cantarei meu hino com orgulho.

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