
Liberdade de imprensa e opinião. Características imprescindíveis à construção de uma democracia forte e uma sociedade livre. Esse tema foi levantado nessas eleições e farei minhas considerações sobre o assunto.
Para começar gostaria de diferenciar a democracia utópica e a democracia direta ou representativa. Democracia, por hipótese, é criação de direitos. Uma utopia democrática é quanto todos, indiscriminadamente, tem o direito, não só de escolher seus representantes, mas também de ter acesso irrestrito à informação, à cultura, à arte. É ter o direito de não passar fome, de não ficar doente, de não ser injustiçado. Enfim uma democracia utópica é aquela em que todos tem direito a tudo, sem interferir no direito alheio.
Infelizmente a democracia direta (presidencialista) e a democracia representativa (parlamentarismo) não são condições suficientes para garantir a democracia pura, a utopia. Garantem, em tese, que todos são iguais perante a lei e o direito de escolher os representantes. É sabido que existem muitos anseios da humanidade que nunca foram atendidos, e talvez nunca sejam, pelas democracias reais.
Uma das falhas da democracia real é não garantir a democracia informacional. Engana-se quem pensa que não existe censura na democracia, existe e muito. Censura dos donos dos veículos de comunicação para com seus funcionários. No mundo inteiro o setor de comunicação é concentrado, e isso é natural porque este tipo atividade exige investimentos altíssimos, e portanto só consegue se organizar em oligopólio. A maioria dos países tem, quando muito, quatro ou cinco grandes grupos de comunicação.Todo veiculo de imprensa tem um editorial, e os jornalistas tem que se adaptar a ele, independente do que pensem. É claro que esta é uma censura muito menos aterradora que aquela promovida pelo Estado, e passa longe de eu defender o oposto. Mas ainda assim é censura.
Tendo em vista que os donos desses grupos vivem realidades parecidas e por isso tem visão de mundo semelhante, essa concentração fere o direito democrático de ter acesso a pontos de vista distintos e contrastantes.
Dito isso, voltemos ao caso brasileiro. A grande mídia brasileira toma partido e tem partido, o PSDB. Quem é a grande mídia? Organizações Globo (Rede Globo, O Globo, CBN, G1, Época, etc.), Folha, Estadão, Grupo Bandeirantes, Grupo Abril (notoriamente a Veja), entre outros. Evidencias? Há varias, as mais recentes: Folha anuncia que Romeu Tuma morreu, depois se retifica, mas o anuncio alertou um número grande de eleitores de Tuma, que são em sua maioria conservadores, que procuraram um outro candidato com características semelhantes, como foi o caso do candidato tucano, Aloysio Nunes, que acabou eleito. Nas entrevistas feitas no Jornal Nacional, com as candidatas Dilma Rousseff e Marina Silva, havia um tom agressivo por parte dos entrevistadores, com diversas interrupções e até lição de moral. Com o candidato José Serra predominou a cordialidade, sem interrupções, apenas observações. A pergunta mais difícil com que se deparou foi “você não se sente constrangido de ter apoio do PTB, que participou do mensalão petista?”, ou seja, uma pergunta que serviu também para alfinetar os adversários do tucano.
Diante da popularidade do presidente Lula, a candidata Dilma, em especial, vem sendo prejudicada por essa parcialidade. Há pouco mais de um ano parte dessa mídia, especialmente escrita, tenta associar guerrilha a terrorismo. Coincidência que isso só tenha acontecido quando uma ex-guerrilheira foi cotada para concorrer à presidência?
O caso Erenice Guerra, na qual o filho da ex-assessora de Dilma é acusado de trafico de influência, teve grande repercussão na imprensa,e até tirou a vitoria de Dilma no primeiro turno, mas o caso Paulo Preto, ex-assessor de Serra, que é acusado de desviar recursos da Dersa para a campanha tucana, não teve uma fração dessa repercussão.
Uma acusação grave que vem sendo veiculado por esses veículos é que o governo Lula é a favor da censura e contra liberdade imprensa. O simples fato de haverem tantos veículos contrários ao governo, fazendo duras criticas, já mostra que isso é uma falácia.
Mas não existem veículos petistas? Claro que existem: Istoé, Carta Capital, Caros Amigos, Valor Econômico e Rede Record são os principais. O problema é que a capacidade de profusão de informação do grupo tucano é incomparavelmente maior. Um caso curioso nesse grupo é a Record, que só figura neste grupo por causa do esforço pessoal que o presidente Lula fez em favor da concessão da Record News. Fato que fez a emissora mudar de linha editorial a partir de 2006. Uma polêmica na época foi a demissão de Boris Casoy, que teria acontecido a pedido do presidente Lula. Ora, a emissora mudava seu editorial, e junto com Boris foram embora muitos outros profissionais que não se encaixavam nessa nova linha. Houve sim censura, mas uma censura democrática, do patrão com seus funcionários, como já expliquei.
O curioso é que essa demissão foi tida como um símbolo de como o PT cerceia a liberdade de imprensa, mas nenhum veiculo de massa se indignou quando Paulo Henrique Amorim foi demitido da Globo e da Veja por discordar do editorial pró-FHC, o mesmo vale para Luiz Nassif, demitido da Folha e da bandeirantes pelo mesmo motivo, vale para Franklin Martins, Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna demitidos da Globo por discordar da posição anti-Lula da emissora.
Há uma diferença fundamental entre esses dois grupos: a imprensa petista assume explicitamente que está com Dilma e sua linha ideológica, a imprensa tucana não assume seu candidato e sua ideologia, fingindo uma neutralidade que não há. Pra não dizer que não falei das flores há duas exceções: a Record não assume que apóia Dilma, e o Estadão, numa atitude muito descente e inédita, assumiu seu apoio ao candidato José Serra.
Estadão que foi protagonista do mais novo caso de censura democrática. Algumas semanas depois do anuncio de apoio à candidatura Serra, a jornalista Maria Rita Kehl escreveu um artigo favorável ao governo Lula, e foi sumariamente demitida do jornal por causa disso. Veja contradição, um jornal que acusa o governo de tentar controlar a liberdade de opinião, e que estampa em sua primeira pagina o numero de dias que está “SOB CENSURA”, referência à liminar concedida pela justiça que proibiu o jornal de publicar uma matéria sobre a família Sarney, agora demite uma funcionária por discordar da opinião do jornal. E isso não é controlar a liberdade de opinião?
Não tenho a intenção de demonizar o PSDB, que conta com excelentes quadros, como por exemplo, o senador pelo Paraná Álvaro Diaz. Mas, a meu ver, é inegável que os grandes veículos de comunicação do país favorecem esse partido.
Como resolver esse problema? Não sei. A democracia capitalista é a melhor e mais eficiente forma de organização social já encontrada pelo homem, o que não significa que não tenha falhas graves. Essa parcialidade da mídia é um dos ônus da democracia capitalista. Cabe a nós a difícil tarefa de procurar se informar pelo maior numero de mídias e pontos de vista possíveis, e sermos críticos com todos, muitos vezes indo as vias de fato e pesquisando por conta própria.
Artigo "Dois Pesos..." que acarretou a demissão de maria Rita Kehl do Estadão: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php
Meu caro Soneca, amigo, e futuro economista,
ResponderExcluirNada como tecer um comentário iniciando com uma frase de Winston Churchill, que sabiamente nos ensinou: "Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos"
Esta postagem faz-me imaginar uma via de duas mãos na sociedade brasileira. Seria a parcialidade da mídia um ônus, ou a prórpia afirmação do princípio democrático? Ora, a mídia há de ser parcial. Devemos louvar a parcialidade dos veículos informativos, afinal possuem total liberdade de opnião, e manifestação de pensamento que lhes é conferido pela Constituição Federal. O que devemos combater é a imposição de um só pensamento, leia-se, o monopólio do direito de informação, seja pelo Estado, seja por um particular.
A sociedade brasileira, a despeito da grande visibilidade de algumas corporações (globo, folha de são paulo e etc.) possui diversidade ideológica nos veículos informativos. Conforme citado, o que o cidadão brasileiro deve ter em mente, é que não será bem informado apenas lendo a revista Veja.
Portanto não podemos esperar que nos seja oferecido um veículo de informação completamente isento, haja vista a mídia ser composta por seres humanos que fatalmente descarregarão sua metralhadoras ideológicas ao veicular uma notícia. Conforme a postagem, o certo é "procurar se informar pelo maior numero de mídias e pontos de vista possíveis, e sermos críticos com todos" o que, inclusive ajuda a combater a apatia e acomodação que acomete uma grande parcela da sociedade brasileira.
Abraços.
Marcão! amigo e futuro advogado
ResponderExcluirEstou de acordo com o comentario, a liberdade para ser parcial é um ganho. Não se pode esperar que alguem seja imparcial quando tratamos de temas como o Nazismo ou a tortura.
Porém o que chamei de "parcialidade da midia", era com relação a imposição por parte dos editoriais de uma PARCIALIDADE DIRECIONADA. Ou seja você só pode ser parcial se for para defender determinada pessoa ou situação, e dessa forma a pluralidade de pensamento esta sendo podada pelas proprias instituiçoes que deveriam zelar por ela. Sobre essa aspecto acredito ser um ônus, mais do capitalismo, e menos da democracia em si.
Mas reitero que estou de acordo, o direito de ser parcial é um ganho
Gostei muito deste. Você continua assertivo, pertinente e muito convincente. E o seu texto está cada vez melhor.
ResponderExcluirGostei do seu texto, Caio, e concondo em muitos pontos.
ResponderExcluirDe fato a mídia está dividida, cada grupo/rede apoiando o candidato que lhe interessa mais e assim por diante.
Mas Existem alguns pontos com os quais não concordo. Sei que há corrupção em todos os partidos, no PT, no PSDB, etc, mas comparar o caso Erenice - mais um exemplo de disputa por loteamento de cargos nos correios (novamente) empresa que finalmente conseguiram lotear, com este novo presidente, da estatal (indicado por ela) que também acabou de pedir demissão,
+ Flagrante de tráfico de influência no principal ministério do país, + acessora direta da candidata à presidência da república.
Com o caso de um assessor corrupto que (acho que talvez vc tenha se enganado) desviou dinheiro da campanha de Serra, e não dinheiro publico para a campanha de Serra - acho uma comparação um pouco desproporcional. Acho que talvez esteja aí a razão da diferença entre como repercutiram os diferentes casos na mídia.
Não defendo uma forma de corrupção perante outra, para mim corrupção é corrupção - abominavel - , mas, no caso, uma tem dimensão nacional, e outra é de campanha e com dinheiro privado.
Em relação à liberdade de imprensa, existe mídia contra e a que é a favor do governo, sempre existiu. O que não pode é ficar querendo criar órgão regulador de imprensa, conferência de comunicações querendo discutir o que é divulgável e o que não é, como o atual governo já tentou algumas vezes e recentemente, com diagnóstico de vitória em primeiro turno começou com ataques diretos à mídia, uso de alta popularidade para chamar de calúnia as fraudes que apurações oficiais já confirmavam, Quer dizer que para os informados eles mostram que estão investigando e para os desinformados eles dizem que é mentira??? Sem falar em extirpar partido... todos tem o direito de se sentirem representados, mesmo os que optam pelo DEM, antigo PFL.
Prato cheio para a mídia contra. Trabalho para a mídia que apoia. Na minha opinião estão comprindo seu papel, mesmo tendenciosas.
Quanto a censura feita pelos próprios meios de comunicação, acho que ao escolherem seus profissionais os jornais defendem seus interesses, mas o jornalista pode sempre ir a outro grupo que lhe dê espaço. Existindo liberdade e espaço para opiniões opostas, mesmo que condicionadas a grupos diferentes e não incritas num mesmo, ainda considero mais salutar que uma opinião só.
Cabe a cada um se informar da maneira mais abrangente possível, ouvindo os dois lados da questão, nem que seja buscando jornais diferentes, como vocês disseram.
É isso! Parabéns pela sobriedade de seu texto.
Abraço!
Marcos
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ResponderExcluirOi Marcos! Obrigado pelo comentario
ResponderExcluirAlguns esclarecimentos: Acho errado oque acontece na Casa Civil e nos correios, ponto. Bem vdd que esse negocio q o Serra diz de fortalece-lo parece conversa de campanha, pq o PSDB no governo sucateou os correios como fazia todos as estatais. Um loteia, outro sucateio. Um peca por excesso outro por ausencia. Podemos discutir isso com mais profundida outra vez...
Com relação ao Caso Paulo Preto, o dinheiro foi desviado da campanha tucana DEPOIS de ja ter sido desviado de outro lugar, provavelmente a Dersa. O caso envolve um ex-assesor de Serra, que teve papel importante em grandes obras, como rodoanel e a Linha 4 do metrô, ou seja ele estava longe de ser um "goiaba", era alguem importante no governo, e talvez o caso envolva o ex-chefe da casa civil de Serra, Aloysio Nunes, pq a historia do emprestimo e a relaçao q eles tem precisa ser explicada. Ou seja dois homens diretamente ligados (apesar que contra um deles, Aloysio, nao há nada de concreto) ao presidenciavel Serra podem estar envolvidos em desvio de dinheiro publico. Um esquema q por sial parece bem maior.
No que isso difere do caso Erenice? Alias de concreto não ha nada contra ela, há nao ser o bom senso. Há contra o filho dela.
Há inumeros exemplos que os princiapis veiculos favorecem o PSDB: No caso das sangue-sugas jogaram a culpa quase que exclusimente no governo Lula, quando, na vdd, foi descoberto que o esquema começou em 2000, quando, alias, Serra era ministro.
Se Dilma pode ser chamada de incompetente por ter perto dela gente indigna, Serra tambem pode.
Sobre esse negocio de Censura no Gov. Lula eu não engulo. O Forum de Comunicação Social foi para discutir como fazer para desconcentar a imprensa, ou seja, tornar os orgãos menores e mais numerosos, o que muito saudavel!! O texto inclusive trata disso. Não reclamamos tanto que a Globo controla o país, quando é feito alguma coisa pra mudar vamos ser contra? Se é viavel eu não sei, mas é bom que seja discutido. É natural que os grandes veiculos, se vendo ameaçados vao dizer que querem controlar a imprensa e bla bla bla, mas tal forum nunca foi pra discutir conteudo.
Quando o governo tentou criar um orgão regulador? Li a ultima Veja que trata disso, e só vi um monte de informação tenatando iludir o leitor, como por exemplo distorcendo a real intenção do forum, colocando-o fora de contetxto.
oque sai na Veja não se escreve, até pouco tempo eles diziam que o Lula ia implantar uma ditadura no Brasil, e o primeiro passo era criar a treleição. Me diga quando houve uma hipotese de tentativa de criar treleição nesse governo. Quem criou isso foi a propria Veja. Ao contrario do que diz em seu editorial, as capas fazem, e fizeram muitas vezes, os fatos. Não caí nessa de ditadura do Lula, e diziam que fervorosamente que ia pagar a lingua, tambem não caio nessa de controle da imprensa.
Há sim, um erro ESTRATEGICO do governo, que tendo em vista as falacias que os grandes veiculos dizem dele, tratam a midia como adversaria, e algumas vezes com frases muito infelizes, como essa que voce comentou. Alias acho inadmissivel a maneira como o presdidente Lula entrou na campanha da Dilma, muitas vezes indo contra a lei eleitoral.
Mas achei muito correto e lucido quando ele disse que certos veiculos se comportam como partido politico. A veja é um deles, aquilo não é jornalismo, é panfletagem. Sobre a Veja escrevberei uma artigo especial.
Mais uma vez, obrigado pelo comentario e espero ter esclarecido os pontos
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ResponderExcluirFala Caio!
ResponderExcluirVi erro de português duas vezes por isso as postagens excluídas ahahah
Trépica (apesar de preferir que essa conversa fosse ao vivo rss)
Em relação à Veja, concordo plenamente com vc.
Em relação ao PT agir por debaixo do pano menos que PSDB, não, inclusive acho o oposto.
Em relação às denúncias contra Paulo Preto, elas também não me cheiram bem, claro, aliás também acredito que as irregularidades podem ter ocorrido e que pode envolver gente importante no PSDB: não duvido nada. Estamos diante de uma guerra de denúncias que nunca aconteceria se não fosse véspera de eleições. PT e PSDB se estão se degladiando.
Em relação a não haver nada concreto contra Erenice, francamente, se os dois filhos estão envolvidos, amigos etc + dinheiro do PAC 1 e PAC 2 em venda de concorrencias, meio difícil achar que ela não tenha nada a ver, não? São os filhos dela, velho... Adiaram a divulgação da investigação para depois das eleições...
Enchergo o "erro estratégico" a que vc se refere como o mais puro salto alto em relação à eleição, e como uma demonstração real de força de um presidente que nem deveria estar subindo nos palanques, como vc disse. Discordo totalmente de vc em relação a Lula. O programa do PT sempre foi o mesmo. Mudou só a maquiagem e o que convém. Esta história vem desde a constituinte de 88.
De qualquer forma, sempre gosto de discutir política e de quem se dispõe a isso. Debater é bem bom para inclusive a gente se autocriticar mais. Ao vivo seria melhor!
Valeu pelo espaço! Grande abraço!
Marcos
Oi Marcos, obrigado pela resposta, o blog serve pra isso mesmo, expor opniões e e incentivar o debate.
ResponderExcluirCom relação a Erenice, eu disse que não há nada de concreto contra ela, HÁ NÃO SER O BOM SENSO, ou seja, apesar de não haver provas categoricas e irrefutaveis, existe um bom senso de ligar atividade ilicitas de parentes dela com areas que ela tem inflêuncia.
Eu nunca disse que o PT age menos por debaixo dos panos que PSDB, pra dizer isso precisaria de uma psquisa minuciosa, além de um teste econometrico, com alto risco de mesmo assim errar, pq mta coisa não é descoberta. Da pra dizer que não só PT e PSDB, como outros varios partidos tem uma lista vasta e extensa de esquemas de corrupção. Acho infrutifera a discussão de quem é mais ou menos corrupto, alias acho que em muitos momentos isso é instrumentalizado para evitar a disussão sobre ideologia, essa sim, uma discussão que pode levar a algum lugar.
Agora, que há entre os grandes veiculos de mídia uma predominancia de editoriais tucanos, isso claro, publico e notório. Citei varios exemplos recentes e posso citar ainda mais. E alguns deles, mais que expor sua ideologia, agem como partido politico. A Veja no inicio do ano distribuiu gratuitamente milhares de edições por todo o Brasil com o pretexto de ser "amostra gratis" para não assinantes. Qual foi a edição escolhida? a que tinha a entevista e materia sobre José Serra. Coincidência? Pra mim isso é militância, é panfletagem. Reitero, a frase do presidente foi muito feliz.
Com relação ao programa do PT ser igual desde 88, não é,principalmente no que se refere a politica economica, e que bom que tiveram a humildade de fazer essa mudança. De qualquer forma muita coisa foi mantida, ainda bem, houveram avanços nesse governo graças a postura de esquerda remanescente. Por outro lado algumas coisas que eles mudaram não deveria ter acontecido, como a postura de que era preferivel perder a eleição do que perder a ética. O primeiro grande escândalo do PT foi o caso Celso Daniel, em 2001, e o 1o parlamentar cassado foi o Dirceu, em 2005. Ou seja, a medida que o PT foi se tornando mais pragmatico, fazendo alianças espurias para ganhar eleições e ter mais governabilidade foi quando os grandes escândalos envolvendo o partido começaram a acontecer. Seria desejavel que o PT tivesse mantido as reizes nesse sentido.