Pode parecer apenas mais uma quarta-feira normal de futebol mas não é, o futebol brasileiro pode estar começando a virar uma página importante nesta noite. Hoje estreia A Primeira Liga do Brasil, mais conhecida como Liga Sul-Minas-Rio, que conta com os principais times do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro (ausências sentidas de Botafogo e Vasco).
A Primeira Liga do Brasil é na verdade a terceira, em outras duas situações os clubes se uniram contra o atraso das instituições esportivas estabelecidas, em 1967 com o torneio Roberto Gomes Pedrosa e em 1987 com o Clube dos 13 e a Copa União. Ambos os movimentos trouxeram avanços mas acabaram cooptados pela CBF e incapazes de promover mudanças profundas.
Por que ser otimista agora? Porque a CBF nunca esteve tão enfraquecida, com três ex-presidentes procurados pelo FBI e coronéis do esporte surgindo das sombras e brigando entre si para preencher o vácuo de poder.
A Primeira Liga também acerta na estratégia ao disputar espaço e tentar enfraquecer os estaduais. As Federações Estaduais são peças fundamentais na estrutura viciada e carcomida do futebol brasileiro, modernizar o futebol passa necessariamente por superar essas instituições (esse foi um detalhe chave para os fracassos de 1967 e 1987) e para isso não há outro caminho que não seja enfraquecer os Estaduais.
Importante ressaltar que a Liga do Nordeste existe desde 2010 e que a Copa do Nordeste, por ela organizada, é um sucesso estrondoso que fortaleceu muito os clubes dessa região nos últimos anos. Não será surpresa uma fusão entre A Primeira Liga e a Liga do Nordeste, formando uma liga com quase todos os principais polos futebolísticos do país.
A ausência mais triste e sentida é justamente do estado mais relevante em termos de futebol, São Paulo. É decepcionante que Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos ainda não tenham embarcado.
A Bundesliga alemã é a terceira liga mais valiosa do mundo, a que tem maior a média de público, os clubes mais estruturados e com melhor saúde financeira, categorias de base modelo, espetáculo técnico e tático dentro de campo. Ainda há um caminho gigantesco pra chegar lá mas hoje a gente tá marcando um golzinho.
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