segunda-feira, 9 de novembro de 2009

G-20 e a ordem econômica mundial



Neste sábado e domingo(dias 7 e 8 de Novembro), aconteceu a 11ª reunião de ministros das finanças/economia do G-20, em St. Andrews(Reino Unido), aonde foi determinado que, apesar da visível recuperação da economia mundial, essa recuperação ainda é frágil e que portanto os fortes estímulos governamentais à economia serão mantidos. É importante notar a relevância que o grupo vem ganhando ao longo do tempo e principalmente por causa da crise financeira.

O G-20 foi formado em 1999, e é constituído pelas 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia(portanto o G-8 + 11 países emergentes + UE) e contava com encontros anuais com os ministros da economia/finanças e presidentes dos bancos centrais dos países membros, mas a partir de 2008, o grupo passou a ter 2 reuniões anuais e a contar com os lideres dos países membros, sem contar os encontros tradicionais, com ministros e presidentes de BCs (em 2009 foram 2 reuniões de cúpula e 1 encontro). Isso se deve ao fato de que a presença dos países emergentes, principalmente dos 3 gigantes do BRIC-Brasil, Índia e China(a Rússia já faz parte do G-8), para fazer prognósticos e politicas econômicas é cada vez mais necessária, e a crise do ano passado mostrou isso de maneira clara, já que a China foi a grande responsável pelo preço das commodities não ter despencado e agravado ainda mais a crise. Isso reflete o fato de que os países em desenvolvimento tem crescido muito economicamente, e isso vem se convertendo em maior importância politica e maior voz ativa. E a tendência é que cada vez mais esses paises ganhem espaço, e que no futuro o G-20 substitua o G-8 como principal fórum mundial e politica e economia(se é que ja não substituiu).

Atualmente o bloco detém 85% do produto nacional bruto(PNB) do mundo, e isso tende a se manter no decorrer do tempo, mas a importância relativa de cada pais dentro do grupo tende a mudar. O intuito do G-8 é reunir os 7 países mais industrializados e ricos do mundo mais a Rússia. Quando foi formado, o G-7, era constituído por EUA, Itália, Japão, França, Canadá, Reino Unido e Alemanha, pois eram as 7 maiores economias capitalistas do mundo em 1976, porém hoje em dia o Canada já não está entre as 7 maiores e a China está. Segundo estudo feito pela Goldman Sachs, em 2050, as 7 maiores economias seriam, por ordem: China, EUA, Índia, Brasil, México, Rússia e Indonésia, ou seja apenas os EUA se manteriam do grupo original.

É claro que isso não significa dizer que esse crescimento econômico vai resultar invariavelmente no desenvolvimento desses países emergentes, pois ainda são países de economia dependente e capitalismo atrasado, e prosperidade econômica, pura e simplesmente, não garante nada, portanto uma afirmação dessas seria ingenuidade. E significa menos ainda dizer, que os países europeus ou o Japão, por exemplo, perderão importância, pois são países com um nível de acumulação de capital muito maior, além de gozarem de uma influência cultural e técnica que dificilmente se modificará. Uma coisa é crescer desenfreadamente, outra é mudar a estrutura da economia mundial de maneira a suplantar a dependência e o atraso. Este sim um aspecto fundamental para superar o subdesenvolvimento.

Na verdade, o que ocorrerá é uma realocação natural das economias, tendo em vista que países como Brasil, Índia e China, que tem grande população, mão-de-obra barata e muita matéria-prima, e portanto um potencial econômico enorme, produzam mais que países como Alemanha e Japão(que são pequenos e importam quase toda sua matéria-prima). O que se viu até hoje foi uma diferença brutal de produtividade entre os países do centro e da periferia econômica, que resulta numa produção absoluta maior dos países cêntricos. Esse diferença tem se abrandado, e por isso, em termos absolutos os países emergentes iram passar à frente, porém em termos relativos de produtividade ainda ficarão atrás.

Porém, essas perspectivas significam aumento da importância do antigo terceiro mundo, pois com economias poderosas, essas países terão mais poder de barganha, terão mais voz e portanto maior influência politica no mundo. Consequentemente, isso caracterizara um mundo um pouco menos centralizado no carater politico e econômico.



Paises membros do G-20: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, EUA, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia, além da União Europeia

5 comentários:

  1. Soneca!
    que bom ver o começo!
    gosto muito da idéia!
    Gosto muito das suas idéias!
    já está nos meus favoritos.
    beijos

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  2. Tá ai soneca.
    Gostei. Tudo que disse faz muito sentido.
    Acho q o G-20 se tornará de fato mais importante que o g-8 mesmo e que reuniões como estas acontecerão em quantidade muito maior, pois a crise nos mostrou que o liberlismo total e a ausência de estado como este pretende não podem dar certo. As reuniões entre os governos será cada vez mais importante.
    Abraço soneca e até o proxímo fut. XD

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  3. eh mto bom sabe q eu vou estar vivo qdo o brasil enfim decolar então considero a nossa geração sortuda. além disso c a gente tiver crescimento acelerado é mais facil enriquecer (woo hoo!), como houve no japão. a propósito, a única coisa que eu nao concordei foi com a afirmação d o Japão ser um país pequeno. mas mtas pessoas dizem isso entao nao é sua culpa. pra mim, um país eh grande ou pequeno em termos do tamanho da população pq são as pessoas q geram riqueza e qto mais pessoas provavelmente mais riqueza. no japão tem 120 milhões e no br tem 180 mi entao a diferença não é assim tão grande. a diferença (gritante) é mais no tamanho do território então...lá eles vivem todos apertadinhos =P
    ateh +!

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  4. Pedro Augusto

    Concordo com o raciocinio que vc faz sobre oque determina o tamanho sao as pessoas. Porém ainda acredito que o Japão serve para o exemplo que eu quis dar, primeiro porque a diferença entra as pop. dos 2 paises, de 70 milhoes(o Brasil ja tem 190 milhoes)é consideravel(60% a mais), e o PIB brasileiro é de 1,6 Tri o do Japão 4,2 Tri, ou seja quase 3 vezes maior, isso demonstra a brutal diferença de produtividade entre os paises(60% a mais de pop. e um PIB 3 vezes menor). Isso sem falar na China e na India com seus 1,3 Bi e 1,1 Bi de habitantes,respectivamente, e que tem economias menoras(no caso da India consideralvelmente menor)
    Além disso o fato de ser pequeno fisicamente tambem influencía no sentido de consguir recursos naturais e materias-primas

    Outro exemplo bom é o da Indonesia, um pais proximo ao Japão, com mais que o dobro da pop.(250 milhoes), que é maior e portanto mais recurosos naturais, no entando a economia japonesa está seculos a frente, isso pode ser explicado principalmente pela diferença de produtividade netre os 2 paises.

    Reconheço porém que na "media" 120 milhoes é bastante, mas reitero que para o exemlpo que eu dei ainda acho que o Japão serve.

    Obrigado pelo comentario

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