
Só vi agora a (péssima) matéria da Record que culpa os jogos violentos pela tragédia de Realengo. Inacreditável como apesar de a maioria dos estudos acerca do assunto mostrarem que não há uma correlação entre comportamento violento e jogos eletrônicos, os video-games continuam sendo os bode-expiatórios de tragédias como a de Realengo.
A minha geração INTEIRA jogou video-game a exaustão na infância (e talvez jogue até hj), e todo mundo seguiu a vida normalmente, dai porque um cara que fez uma chacina jogava counter strike, os jogos estimulam a violência. É 1 num espaço amostral de milhões, é estatisticamente improvável que o jogo tenha influenciado Wellington.
Os pontos centrais da tragédia são a saúde mental do assassino, que demonstrava ter uma mente deturpada a tempos, o bullyng, que ele diz ter sofrido, e a religião, uma vez que a carta e os videos deixados por Wellington estavam impregnados de elementos religiosos (mas a Record não ia mesmo fazer uma matéria relacionando religião à tragédia, né bispo Macedo?). O resto é historinha pra boi dormir.
A reportagem ainda misturou incentivo à violência com vicio em jogos eletrônicos, duas coisas que não tem nada há ver. O reporter consultou apenas uma psicanalista e alguns pais, ignoraram os vários estudos acadêmicos feitos nos EUA e na Europa que mostram não haver relação entre as coisas. Ignoraram as inúmeras habilidades que um jogo de tiro pode ajudar a desenvolver, como por exemplo: gerenciamento de recursos, capacidade de resolver problemas, mapeamento do local, reconhecimento de padrões, capacidade de fazer estimativas, raciocínio rápido, memória, entre varias outras. Enfim a matéria tem todos os elementos de uma péssima reportagem, que ainda se propõe investigativa.
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